Islamismo e Terrorismo

Há alguma relação entre o Islamismo e as ações terroristas ocorridas em várias partes do mundo? O Jihad islâmico é apenas um “esforço” para difundir a fé em Alá ou é uma guerra, no verdadeiro sentido do termo? Sobre estas e outras questões relacionadas ao tema, pretendemos refletir, neste breve artigo…

1. Conceito de Jihad:

O império Islâmico foi resultado de um grande movimento de expansão do Islamismo, baseado na pregação da “guerra santa” contra os infiéis, o que segundo os muçulmanos conservadores, esta expressão (guerra santa) foi erroneamente traduzida do conceito do Jihad [1].

Bandeira do Jihad

Por Jihad, entende-se, segundo eles, um “empenho” ou “esforço” mediante vontade pessoal para buscar e conquistar a fé perfeita.

Apesar deste aparente desentendimento do Jihad, pelos ocidentais, que tentam ligar o seu conceito às Cruzadas [2] – expedições católicas criadas com o objetivo de libertar Jerusalém e outros lugares sagrados da presença dos turcos muçulmanos –, não é possível, no entanto, separar o crescimento do império e da religião islâmicos do exercício de uma verdadeira guerra.

Obviamente, o adjetivo “santo”, aliado à guerra de conquista dos islâmicos é muito parecido com o que aconteceu nas Cruzadas dos séculos XI a XIII, uma vez que, de ambos os lados, esta atividade de conquista era uma “guerra em nome de Deus”.

A prática do Jihad é um dos deveres dos muçulmanos. No seu livro sagrado [3], o Alcorão, por exemplo, o fiel deve, se preciso for, usar o jihad para difundir a fé em Alá. Mas não é só isso. Ela, a despeito de ser “uma luta do individuo consigo mesmo, pelo domínio da alma”, é também um apelo do profeta Maomé para que os seus seguidores guerreiem, até à morte para levar os infiéis a confessarem a fé em Alá.

Depois da Hégira, fuga de Maomé, de Meca, para Yathrib (atual Medina), em 622, Maomé “… transformou-se, de um simples pregador revolucionário, em poderoso homem de guerra, e tornou-se polígamo também.”[4] Enquanto estava em Medina, a qual recebeu este nome, porque se tornou a “cidade do profeta”, Maomé instituiu o Jiahd, aprovou o saque dos despojos e prisioneiro e ainda ordenou a “violência”. Esta é a conclusão a que chegamos após análise de expressões como as das suras (capítulos) a seguir:

8:59-60 ‘E não pensem os incrédulos que poderão obter coisas melhores (do que os fiéis). Jamais o conseguirão. Mobilizai tudo quando dispuserdes, em armas e cavalaria, para intimidar, com isso, o inimigo de Deus e vosso, e se intimidarem ainda outros que não conheceis, mas que Deus bem conhece’.

9:5 ‘… matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os…’

9:29 ‘Combatei aqueles que não creem em Deus e no Dia do Juízo Final, nem abstêm do que Deus e Seu Mensageiro proibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro, até que, submissos, paguem o Jizya [imposto para poder morar entre os Muçulmanos]”.

47:4 ‘E quando vos enfrentardes com os incrédulos, (em batalha), golpeai-lhes os pescoços, até que os tenhais dominado, e tomai (os sobreviventes) como prisioneiros… E se Deus quisesse, Ele mesmo ter-Se-ia livrado deles; porém, (facultou-vos a guerra) para que vos provásseis mutuamente. Quanto àqueles que foram mortos pela causa de Deus, Ele jamais desmerecerá as suas obras’. [5]

Afinal, expressões oriundas de substantivos como mobilização, armas, cavalaria, intimidação, captura, morte, combate, golpe, guerra etc. relativas à prática ou ações dos muçulmanos contra os infiéis (não-muçulmanos), não são exemplos de incitações à violência, ditas pelo próprio profeta, ou pelo menos, contidas no Alcorão?

2. Fundamentalismo islâmico

Após a morte de Maomé, em 632, até a derrota sofrida pelos francos em 732, portanto em apenas um século de conquistas, o movimento de expansão do Islamismo, em torno da pregação do Jihad contra os infiéis, alcançou o Egito, o norte da África, a Síria, a Pérsia (até a Índia), o Turquestão, atravessaram o estreito de Gibraltar, conquistaram quase toda a península Ibérica, chegando até a Gália, atual França [6].

Como nenhum império subsiste para sempre, o Império Islâmico também teve suas derrotas, mas, hoje, em todos os países onde o Islamismo predomina, ao invés de um Estado laico ou secular, que aceita e propaga a boa convivência entre as religiões, o que existe, de fato, é um conjunto de leis fundamentadas, principalmente no Alcorão e conhecidas como Sharia. A Sharia ou Charia – caminho ou rota para fonte de água – define a não separação entre Estado e religião e

“… é a estrutura legal dentro do qual os aspectos públicos e privados da vida do adepto do islamismo são regulados, para aqueles que vivem sob um sistema legal (…) A charia lida com diversos aspectos da vida cotidiana, bem como política, economia, bancos, negocios, contratos, família, sexualidade, higiene e questões sociais [7].

Apesar de a Sharia tratar de tolerância religiosa, paz entre os povos, liberdade de expressão e direitos humanos em geral, na prática, estes assuntos são julgados segundo os ditames do Estado Islâmico, uma vez que ‘… o  corpo de leis baseado nos costumes fundamenta-se no Corão e na religião do islã. Como por definição os Estados islâmicos são teocracias, os textos religiosos equivalem a leis, conhecidos no islã e pelos muçulmanos como charia ou lei charia.’ [8]

A Sharia, desde a expansão do Islã, na Idade Média, serviu de base para o surgimento do fundamentalismo islâmico que tem se propagado, principalmente, após a Revolução Islâmica no Irã que instalou no país um Estado teocrático, em 1979, conduzido pelo líder xiita Aiatolá Khomeini.

Xiismo e Sunismo são duas vertentes do islamismo, decorrentes de sua divisão após a morte de Maomé. Enquanto para os xiitas o Estado muçulmano só pode ser chefiado por um descendente direto do profeta e só o Alcorão é o livro básico de sua fé e prática, os sunitas aceitam que este governante pode ser um califa (chefe), não necessariamente um descente direto do profeta, e aceitam, também, a Suna (tradição), além do Alcorão, como uma segunda fonte de revelação islâmica.

O Estado Muçulmano, da segunda metade do século XVII em diante, passou a ser governado por califas, e hoje, segundo estimativas, cerca de 84% dos muçulmanos são sunitas.

Há algumas décadas atrás, por causa dos aiatolás (juristas, que segundo os xiitas têm autoridade para fazer julgamentos com base na lei islâmica), e em especial, por causa da revolução do iraniano Khomeini, costumavam-se afirmar que os xiitas são o grupo mais radical, mas com as recentes redes terroristas, lideradas, normalmente por sunitas, e levando-se em conta a trajetória do califado – sunita – na expansão islâmica pelo mundo, podemos afirmar que o conceito de radicalismo ou fundamentalismo islâmico é mais adequado para os ativistas desta vertente. Mesmo porque, os sunitas submetem suas lideranças e escola de religião ao controle estatal, ao contrário dos xiitas.

3. O Terrorismo e a aprovação dos muçulmanos

Dentre as diversas redes terroristas existentes, quero destacar a Al-Qaeda.

A Al-Qaeda (a base) foi criada por Osama bin Laden em 1989, um saudita que lutava contra a invasão soviética em seu território e responsável pela captação de recursos financeiros e humanos para a rede. As pessoas convocadas para receber treinamentos e táticas de guerrilhas eram/são chamadas talibãs (estudantes).

Na verdade, Bin Laden foi uma espécie de “cobra criada” pelos Estados Unidos, que financiaram suas propostas e treinamentos, e depois, viram o regime dos talibãs voltar contra si mesmo, tendo seu maior golpe em 11 de setembro de 2001.

Enquanto isso, o bem articulado terrorista planejou dois atentados terroristas contra o seu inimigo número um. Em 1998, as embaixadas norte-americanas do Quênia e da Tanzânia sofreram com os atentados a bomba de Bin Laden. Em reposta, as poderosas forças militares estadunidenses bombardearam um dos campos de treinamento de Osama. Entretanto, a tentativa de retaliação não teve efeito, pois o centro terrorista estava praticamente desativado.

Depois disso, Osama Bin Laden resolveu dar prosseguimento a um ambicioso plano que buscava atacar importantes alvos no interior dos territórios norte-americanos. Gastando quase meio milhão de dólares para o recrutamento de um grupo de quinze terroristas, a Al Qaeda comandou o maior ataque terrorista já observado no mundo. No dia 11 de setembro de 2001, dois aviões civis foram sequestrados e lançados contra as torres gêmeas do World Trade Center, um dos símbolos da supremacia econômica dos EUA.

O maior atentado de todos os tempos foi noticiado em tempo real por diversas redes de comunicação do mundo e Osama Bin Laden passou a ser o homem mais procurado do planeta. A partir de então, as grandes potências capitalistas passaram a encabeçar uma guerra contra um inimigo que não tem forma, nem lugar: o terrorismo. [9]

Osama bin Laden [10]: símbolo de fundamentalismo religioso e terror

Um comentário de estudioso do assunto, exposto no vídeo a seguir, resume bem o que os muçulmanos acham de ações terroristas ocorridas em vários lugares, em especial, no maior episódio do terror em 2001. Vejamos o vídeo:

Destacando as palavras do comentarista e Pastor João Flávio [11],
podemos afirmar que:
- o 11 de setembro nos levou a pensar mais sobre o Islamismo;
- havia um grupo religioso, de fé islâmica, por trás dos atentados
  terroristas, além de Osama bin Laden;
  o mundo muçulmano comemorou, aprovando, os atentados do 11 de se-
  tembro;
- não houve uma manifestação islâmica contrária aos atentados;
- a religião islâmica não tem como ser inocentada diante do fato;
- o Jihad islâmica é a guerra contra o mundo, com o objetivo de le-
  var a todos a se curvarem diante do Islamismo;
- dos 23 ou 24 grupos terroristas existentes, 17 são islâmicos;
- segundo o Alcorão, todo aquele que não anda de acordo com a dou-
  trina islâmica deve ser executado. [12]

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Veja também:

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Conclusão

Podemos deduzir então, desta reflexão, que:

  • o Islamismo, apesar de ser uma religião monoteísta, com muitos pontos em comum com o Judaísmo e o Cristianismo, pregam uma forma de proselitismo à base da força e quem não aceitar a fé islâmica será vítima da “espada de Alá”;
  • o Jihad é mais do que “guerra espiritualizada” e sim um recurso bélico a ser usado contra os infiéis, isto é, os não-muçulmanos;
  • o próprio profeta Maomé incentivou e praticou o Jihad contra infiéis;
  • com base no principio do Jihad, muitos radicais religiosos islâmicos criaram redes terroristas para atacarem diversos órgãos (públicos ou civis) para dar uma resposta, principalmente aos ocidentais, que normalmente, professam o Cristianismo, além dos judeus;
  • os atos terroristas que apavoram o mundo são vistos pela maioria muçulmana, não como uma ação criminosa hedionda, mas como uma defesa, um ato altruísta, e os suicidas envolvidos nestas ações passam a ser mártires, jamais assassinos;
  • a ideia de matar o infiel para herdar o paraíso, pregado por Maomé, é sempre reforçada pelos líderes mulçumanos, com frases como: “morrer pela causa de Alá, é uma grande honra”.

Referências:

  • [1] Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jihad>. Acesso em 06/09/2013.
  • [2] Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiag/cruzadas.htm>. Acesso em 06/09/2013.
  • [3] Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Cor%C3%A3o>. Acesso em 06/09/2013.
  • [4] ISLAMISMO. Série Apologética. Vol. II. São Paulo: ICP Editora, p.104.
  • [5] Disponível em: <http://www.answering-islam.org/portugues/terrorismo/islaviolencia.html>. Acesso em 06/09/2013.
  • [6] PILETTI, Nelson & Claudino. História – EJA (Educação de Jovens e Adultos). São Paulo: Ática, 2003. p. 89/90.
  • [7] Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Charia>. Acesso em 05/09/2013.
  • [8] Idem. Acesso em 05/09/2013.
  • [9] Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historia/osama-bin-laden.htm>. Acesso em 05/09/2013.
  • [10] Idem. Acesso em 06/09/2013.
  • [11] Disponível em: <http://www.conexaoisrael.org/terrorismo-fruto-pobreza-ignorancia/2013-02-04/colaborador>. Acesso em 06/09/2013.
  • [12] Comentário feito ao CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas). In: <http://www.youtube.com/watch?v=RQYZtn-dq_s&hd=1>. Leia mais sobre o assunto em a Sharia do Horror. In: <http://www.cacp.org.br/a-sharia-do-horror/>. Acesso em 05/09/2013.

 

 

 

 

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