Os povos pré-colombianos: maias, astecas e incas

O povoamento da América, incluindo o Brasil, teve início na Pré-história, cerca de mais 20 mil anos atrás.

Com o tempo, foram surgindo diversas civilizações, de modo que quando Cristóvão Colombo aqui chegou em 1492, em nome da Espanha, encontrou aqui pelo menos três grandes civilizações. A região da América dominada pela Espanha ficou conhecida como América espanhola e as três grandes civilizações que habitavam esta região eram: maias, astecas e incas, como veremos a seguir.

Mas antes de falarmos destes três povos, queremos destacar as regiões onde eles habitavam. A região que depois torna-se América espanhola, era dividida, na época, como:

  • Mesoamérica, correspondente ao sul do atual México e grande parte da América Central, onde habitaram maias e astecas.
  • Andina Central (ou América Andina), correspondente a região recortada pela cordilheira dos Andes, onde habiotaram os incas. Veja o mapa a seguir.

América Pré-colombiana [1]

A expressão povos pré-colombianos ficou assim conhecida, porque Colombo foi o primeiro europeu a chegar à América e tomar posse da terra em nome da Espanha. Como este continente – América –, após a conquista espanhola, recebeu grande transformação decorrente do processo de colonização, os historiadores costumam dividir, portanto, a sua história em antes e depois de Colombo.

1. Os maias

Fixados na Península do Iucatã, no Golfo do México, os Maias formaram um vasto império formado por várias cidades-Estado independentes, como Palenque, Tikal e Copán. Em âmbito geral, cada um desses núcleos urbanos era constituído por uma teocracia, sistema de governo em que o representante máximo é visto como um representante dos deuses na Terra. Esse líder também ocupava funções militares que o incumbiam de fazer prisioneiros de guerra e oferecer os mesmos como sacrifício para os deuses.

A sociedade maia era bastante rígida, primordialmente determinada pelo nascimento do indivíduo. No topo da hierarquia estava a família real, os ocupantes dos cargos políticos mais prestigiados, os ricos comerciantes locais, ao lado dos sacerdotes, responsáveis pelas cerimônias e os grupos guerreiros. Na camada intermediária, encontramos os outros integrantes do funcionalismo público, como os militares de menor patente e os trabalhadores especializados. Por fim, a base de tal sociedade era integrada por trabalhadores braçais e camponeses, a maioria da população maia.

Na economia, destacavam os vários mecanismos de controle e distribuição de tarefas, principalmente nos sofisticados sistemas de irrigação, para desenvolvimento da agricultura, além de importantes palácios e templos de adoração aos deuses. As cidades maias promoviam a distribuição de alimentos para toda a população. Em geral, a dieta alimentar era composta por agave, cacau, algodão e diversos tipos de milho. Portadores de uma rica cultura material, os maias também conseguiram articular uma vasta atividade comercial.

Culturalmente, podemos destacar a arquitetura maia, como palácios e templos, um apurado senso artístico como decorações e pinturas de suas construções, trajes dos guerreiros, sacerdotes e governantes e ornamentos usados nas cerimônias religiosas. Nestas cerimônias, muitas vezes eram realizados sacrifícios humanos, em que ofereciam aos deuses o coração das vítimas. Também, no campo da cultura, podemos destacar os vários cálculos matemáticos, através do uso do número zero e a contagem vigesimal, e um sistema de escrita conhecido como mais completo da Mesoamérica. Na astronomia, conseguiram determinar a trajetória percorrida por certos astros e organizar um calendário anual, como o Haab, bem próximo ao que é utilizado pelas sociedades ocidentais contemporâneas que possuía 365 dias. Os maias acreditavam que os vários aspectos de sua vida poderiam ser determinados pela ação das divindades.

O Sistema de Numeração Maia

Sistema de numeração maia

Quando chegaram ao continente americano, os espanhóis encontraram a sociedade maia em um avançado processo de desarticulação. Para alguns estudiosos, as mudanças climáticas e a ocorrência de lavouras com baixa produtividade foram as grandes razões que determinaram a extinção desta cultura. Ainda assim, vários documentos e vestígios nos permitiram descobrir ricos aspectos de tal civilização [2].

 

2. Os astecas

A origem dos astecas remonta à formação dos antigos povos “mexicas”, como os olmecas, que deram a base cultural e política para o seu desenvolvimento. Havia na Meoamérica uma importante cidade, conhecida como Teotihuacán (cidade dos deuses), localizada a 48 quilômetros a nordeste da atual Cidade do México, e que hoje é conhecida como o local de muitas pirâmides, construída por volta do ano 300 a.C.

Por volta de 1325, os astecas fundaram a cidade de Tenochtitlán, onde fica hoje a Cidade do México, e que à época da chegada dos europeus, contava com uma concentração populacional de mais de 200 mil habitantes, fato que impressionou bastante os europeus. Há um mito fundador dessa cidade que narra a história de Tenoch, sacerdote e rei dos astecas, que teria guiado a população para uma ilha no lago de Texcoco e lá encontraram uma águia comendo uma serpente. Nesse local, foi construído um centro sacerdotal em homenagem a Tenoch. Nesse centro surgiu a cidade.

O símbolo da serpente e da águia foi encarado pelos astecas como presságio para o seu desenvolvimento e construção do “Império do Sol”. Tal símbolo ainda é muito forte na cultura mexicana, estando presente inclusive em sua bandeira. A serpente mitológica Quetzalcótl [3], faz a ligação entre os homens e a divindade, à inteligência criadora e às artes.

A sociedade asteca era composta de nobres, sacerdotes, comerciantes, artífices, camponeses, carregadores e escravos (em geral, prisioneiros de guerra). Os camponeses astecas viviam em agrupamentos chamados calpulli. Eles cultivavam milho, algodão, abóbora, cacau e frutas variadas, além de criarem cães, perus e abelhas.

Sua cultura riquíssima foi marcada por um avançado conhecimento matemático e astronômico, como a elaboração de calendários; conhecimentos de técnicas de metalurgia e uma escrita pictográfica, isto é, baseada em imagens. Eram politeístas, e, em geral, em seus cultos, praticavam sacrificados humanos. A guerra também estava relacionada à religião – morrer na batalha era uma honra para um guerreiro asteca.

Na arquitetura, os astecas realizaram obras importantes, como os templos e palácios até hoje existentes no vale do México.

Porém, a partir de 1519, tudo isso foi destruído pelos conquistadores espanhóis. Embora fossem guerreiros destemidos e mais numerosos que os espanhóis, os astecas não resistiram às doenças trazidas pelos europeus nem às suas armas de fogo e espadas.

 

3. Os incas

Por volta do ano 1200, ao sul do atual Peru, o povo quíchua fundou uma pequena aldeia rural que, com o passar do tempo, deu origem a uma grandiosa cidade: Cuzco.

A partir de 1438 sob o comando do imperador Pachacuti Inca Yupanqui, Cuzco (umbigo, na língua quíchua) tornou-se um grande centro administrativo e passou a dominar as regiões vizinhas. Surgia, assim, o Império Inca. As conquistas para este vasto império eram feitas pela força e também pelo convencimento. Geralmente, os chefes dos povos conquistados eram levados para Cuzco, onde aprendiam a história inca, seus valores, sua língua, seus costumes e seus conhecimentos administrativos. Para tanto, havia centros especiais e a reeducação durava anos. Só depois tais chefes retornavam aos seus locais de origem para servir o império.

A sociedade inca obedecia a uma estrutura hierárquica rígida. Na posição mais elevada estava o imperador (o inca), seguido por seus parentes, que formavam a aristocracia, e por seus funcionários (curacas). Os sacerdotes também faziam parte desta elite. Esses grupos representavam a menor parcela da população, mas concentravam o máximo de poder e riqueza. Na base da sociedade estavam os camponeses, que viviam em pequenas aldeias (chamadas ayllus). Cada ayllu era comandado por um curaca, encarregado de distribuir as terras, consideradas propriedade do imperador. Ele também organizava as atividades da comunidade e recebia os tributos devidos ao imperador (a mita), que eram pagos em gêneros e em trabalho.

Para administrar o reino, foi construída uma rede de estradas com mais de 25 mil quilômetros de extensão. Elas venciam as dificuldades do terreno: nas montanhas, tomavam a forma de escadas em zigue-zague, e nos desfiladeiros viravam pontes suspensas – tidas como as mais antigas do mundo.

Os incas não conheciam a roda: as viagens eram feitas a pé. Os animais eram usados somente para transporte de carga. Apesar disso, existia um sistema de correio rápido, com postos a cada dois quilômetros, que permitia uma comunicação ágil entre todas províncias e Cuzco. A administração imperial contava ainda com centros fortificados e depósitos de alimentos.

Os funcionários do imperador usavam um instrumento chamado quipo, que servia para controlar os estoques de alimentos e outros bens do império. Consistia em várias cordas coloridas nas quais se faziam diferentes tipos nó em determinados pontos. Cada nó representava um registro ou uma mensagem.

A base da economia era agrária: cultivavam-se mais de 40 tipos de vegetais (destacando-se o milho e a batata) e criava-se a lhama para obter couro, carne e lã.

Os incas eram politeístas, mas cultivavam principalmente o deus Inti (Sol), considerado o antepassado da família imperial. Outras divindades eram a Lua, o trovão, a terra, o mar, as estrelas e Viracocha, o criador do Universo. Eles acreditavam que Viracocha era capaz de fazer brotar água das rochas. A água foi importante para essa civilização, que soube desenvolver técnicas de irrigação fundamentais para sua sobrevivência.

Quipu e Lhamas

Foto de um quipu [4], à esquerda e lhamas [5], à direita.

A conquista europeia da América

A dominação espanhola sobre a América alterou violentamente o destino da civilização inca, assim como a dos demais povos pré-colombianos. Os europeus saquearam suas riquezas, dizimaram seus habitantes e destruíram suas culturas.

Além da conquista e da dominação, que causaram a morte de boa parte dos nativos americanos, as doenças trazidas pelos europeus (varíola, sarampo, gripe, peste), inexistentes na América, foram uma das principais causas do declínio populacional destes povos. Seus descendentes – grupos indígenas norte-americanos, mexicanos, brasileiros, andinos e outros – são até hoje marginalizados.

A conquista europeia também resultou no intercâmbio cultural entre os povos pré-colombianos e os colonizadores. Se os espanhóis repassaram aos nativos o uso da roda e aplicações arquitetônicas, entre tantas outras, também conheceram domínios astronômicos, registros como os quipos e impressionantes construções, além de outras inúmeras realizações e conhecimentos. Um destaque especial foi uma bebida amarga, consumida pelos chefes nativos, que, segundo a lenda, tinha sido oferecida pela serpente emplumada, a Quetzalcóatl, chama Xhocolha, “o alimento do espírito” – o chocolate.

Os conquistadores dos astecas, na Mesoamérica, foram liderados Fernão Cortez, em 1521. Após 75 dias de cerco e a derrota de Tenochtitlán, os espanhóis puseram fim ao Império Asteca.

O frei Bartolomeu de las Casas, um grande defensor dos indígenas daquela região, relata as atrocidades cometidas pelos espanhóis aos nativos. Segundo ele, “… quando os espanhóis liderados por Fernão Cortez chegaram àquelas terras, atraídos pelo imenso potencial de riquezas que elas poderiam oferecer, não imaginaram que seriam recebidos como deuses. Por uma coincidência extraordinária, o ano da chegada de Cortez, 1519, era também, segundo os presságios astecas, o ano do retorno do deus Quetzalcoatl, um deus branco e barbudo, como os europeus, e que viria do leste, como os invasores, para dar início a uma nova era. [6] Devido as várias atrocidades cometidas pelos espanhóis, o frei Bartolomeu os chamou de ´sujos ladroes’, ‘tiranos cruéis’, ‘sangrentos destruidores’…

Na região andina, a ruína final dos incas se deu em 1532, quando Ataualpa, seu último imperador foi morto, abrindo caminho para o golpe final para a conquista de Cuzco, a capital inca, em 1533.

 

Notas:

  • [1] Disponível em: <http://eroneducador.blogspot.com.br/2013/08/as-americas-pre-colombiana.html>. Acesso em 28/05/2015.
  • [2] Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/matematica/o-sistema-numeracao-maia.htm>. Acesso em 28/05/2015.
  • [3] Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Quetzalc%C3%B3atl>. Acesso em 28/05/2015.
  • [4] Disponível em: <http://www.quipu-accounts.com/the-quipu/>. Acesso em 28/05/2015.
  • [5] Disponível em: <http://detudoumpoucoapouco.blogspot.com.br/2012/09/lhama-saiba-mais-sobre-este-animal.html>. Acesso em 28/05/2015.
  • [6] In: PILETTI: 2003, p. 141.

 

Referências bibliográficas:

  • FERNANDES, Cláudio. História da América. Disponível em:<http://www.brasilescola.com/historia-da-america/astecas.htm>. Acesso em 28/05/2015.
  • PILETTI, Nelson & Claudino. História – 3º Ciclo. São Paulo, Ática, 2003.
  • SOUSA, Rainer. Civilização Maia. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiag/a-civilizacao-maia.htm>. Acesso em 28/05/2015.
  • _________, Rainer. Incas. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historia-da-america/incas.htm>. Acesso em 28/05/2015.
  • _________, Rainer. Povos Pré-colombianos. Disponível em <http://www.brasilescola.com/historia-da-america/povos-precolombianos.htm>. Acesso em 28/05/2015.
  • SOUZA, Eron Pereira. As Américas pré-Colombianas, 2013. Disponível em: <http://eroneducador.blogspot.com.br/2013/08/as-americas-pre-colombiana.html>. Aceso em 28/05/2015.
  • VICENTINO, Cláudio. Projeto Radix: História – 6º ano. São Paulo: Scipione, 2012.
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27 respostas a Os povos pré-colombianos: maias, astecas e incas

  1. Obrigado, Guilherme. Disponha…

  2. obrigado prof alcides amorim me ajudou muito e o unico site exclarecedor e interesante muito obrigado mesmo

  3. .... disse:

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  20. Anônimo disse:

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  21. Danthiellen disse:

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  22. Obrigado, Larissa. Disponha!

  23. larrisa disse:

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