Martírio de Felicidade e seus sete filhos

Felicidade e seus sete filhos – Roma – ano 161

Fiel até o fim

Fidelis usque ad mortem.

‘No meio dos cadáveres mutilados e sangrentos daquelas ofertas queridas, passava mais alegre do que antigamente ao lado dos seus berços, porque via com os olhos da fé uma palma em cada ferida, em cada suplício uma recompensa e sobre cada vítima uma coroa’ (Pedro Crisólogo) [1].

Durante os primeiros anos do governo do imperador Marco Aurélio (161-180), uma série de invasões, inundações, epidemias e outros desastres ocorreram no Império Romano. Mas o imperador, embora fosse um homem muito “culto” e “refinado”, autor de Meditações – uma coletânea de escritos pessoais –, acreditava, como a maioria, que a culpa de tudo aquilo era dos cristãos que tinham atraído a ira dos deuses sobre o império. Por isso, ele apoiou uma onda de perseguição.

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Felicitas e seus filhos [2]

Sob tal imperador, podia se supor que os cristãos gozassem de um período de relativa paz. Marco Aurélio não era um Nero nem um Domiciano. E entretanto, o mesmo imperador que se expressava em termos tão elevados acerca dos seus deveres do governante, desatou também uma forte perseguição contra os cristãos (GONZÁLEZ: Op. Cit. 73)

Muitos cristãos foram vitimas da perseguição de Marco Aurélio, mas quero destacar o martírio de Felicidade (ou Felicitas) e seus sete filhos (Junuarius, Felix, Felipus, Silvanus, Alexandre, Vitalus e Martialis), um caso passado de seu antecessor Antonino Pio para ele. Foram martirizados em 161 [3].

Felicidade era uma mulher viúva que tinha consagrado sua vida e a de seus filhos inteiramente ao Senhor e sua obra era tal que os sacerdotes pagãos decidiram impedi-la e acusa-la perante as autoridades.

O caso foi tratado pelo prefeito da cidade de Roma, Publius, que interrogou Felicitas, tentando primeiro convencê-la com promessas e ameaças, mas ela respondeu: ‘… viva, eu te vencerei; e se me matas, em minha própria morte vencer-te-ei ainda mais’ (Apud GONZÁZEZ: OP. Cit. p. 74).

No momento do julgamento, diante do tribunal, Publius declarou:

“– Muito bem, Felicitas. Se você quer morrer, que morra sozinha, mas tenha compaixão de seus filhos e aconselhe–os a salvar a vida, sacrifican­do aos deuses.

Ela disse–,

– Sua compaixão é pura maldade e seu conselho é pura crueldade, pois, se meus filhos sacrificarem aos deuses, entregarão a vida aos demônios do inferno, que são seus deuses! Eles ficariam acorrentados na escuridão e no fogo eterno (Julgamento de Felicitas e seus filhos)” [4].

Felicitas morreu por último, pois primeiro fora as execuções de seus filhos:

Januarius, o mais velho, foi açoitado na frente dos outros. Na ponta do chicote, havia uma pequena bola que dilacerou quase todo o seu corpo, até que ele já não se movia mais. Felix e Felipus foram os próximos. Os soldados espancaram–nos com paus até a morte. Silvanus foi jogado de uma grande altura. Os três mais novos, Alexandre, Vitalus e Martialis, foram trazidos um a um diante de sua mãe e decapitados. Por fim, em meio a lágrimas, depois de presenciar a morte de seus filhos, (BESSA: Op. Cit.).

Depois da morte de seus sete filhos, Felicidade, já ansiosa para se apresentar diante de Cristo com seus filhos, foi decapitada com uma espada, por ordem do imperador, como uma lição a este (e outros) obstinados cristãos. Mas morreu alegre por ter conseguido educar seus filhos na fé cristã, os quais, assim como ela, também foram fiéis até à morte…

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Referências bibliográficas:

  • BESSA, Josemar. In: <http://www.josemarbessa.com/2009/09/felicitas-e-seus-sete-filhos-roma-ano.html>. Acesso em: 19/12/2016.
  • GONZÁLEZ… GONZALEZ, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo, Vol. 1 – A era dos mártires. São Paulo: Vida Nova, 1995.

Notas:

  • [1] In: <http://evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&id=11542&fd=0>. Acesso em: 19/12/2016.
  • [2] Disponível em: <http://evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=48095&language=PT&img=&sz=full>. Acesso em: 19/12/2016.
  • [3] No estudo feito por Josemar BESSA, este afirma ter sido o martírio de Felicitas e seus filhos, em 161 (in: <http://www.josemarbessa.com/2009/09/felicitas-e-seus-sete-filhos-roma-ano.html>. Acesso em: 19/12/2016), enquanto o site WIKIPEDIA afirma que isto ocorreu em 165, e que ela tinha 64 anos, tendo nascido, então em 101. (in: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade_de_Roma>. Acesso em: 19/12/2016).
  • [4] Disponível em: <http://www.josemarbessa.com/2009/09/felicitas-e-seus-sete-filhos-roma-ano.html>. Acesso em: 19/12/2016.
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