Reino Franco e Império Carolíngio

Inúmeros reinos se formaram depois da desagregação do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C. O mais importante e mais duradouro deles foi o reino dos Francos, que teve origem na Gália, atual França.

Antes da origem deste reino, é importante destacar a importância desta região – a Gália, cuja conquista pelos romanos, sob o comando de Júlio César, remonta ao século I a.C. Era habitada por grande número de tribos celtas, iberos, lígures. Os gauleses, hábeis agricultores, tornaram-se conhecidos por suas carroças com rodas revestidas de ferro, o que evitava o desgaste da madeira, material usado na época.

Após invadirem a Gália, os romanos construíram grandes vias de comunicação ligando as principais vilas. Essas vias favoreceram o desenvolvimento do comércio e do artesanato. Foram ainda os romanos que introduziram na região técnicas de cultivo de videiras e de fabricação de vinho.

Por um longo período, a Gália ficou protegida contra invasões. Entretanto, por volta do século III d.C., chegam à região, os francos, vindos da margem inferior do rio Reno. Por volta do século V, estes já haviam conquistado quase toda a região.

Os primeiros reis francos descendiam de Meroveu. Por isso, os reis dessa dinastia foram chamados de merovíngios.

Clóvis, neto de Meroveu, aliado aos romanos, venceu os alamanos, os burgúndios e os visigodos, ampliando os limites das terras controladas pelos francos. Quando da desagregação do Império Romano, no século V, os francos já dominavam grande parte da Europa central.

Clóvis se converteu ao Cristianismo, em 496, dando início ao reino dos Francos, propriamente dito. Após sua conversão, Clóvis conquistou total apoio de grandes proprietários de terras cristãos e de bispos da Gália. Veja no vídeo (link abaixo), como a Igreja Católica cria o chamado Culto Mariano, com o objetivo de associar divindade feminina “cristã” aos deuses femininos dos francos.

A conversão de Clóvis ao Cristianismo e sua extensão aos povos francos foi importante porque, com isso, o imperador passou a contar com o apoio da Igreja, que também foi beneficiada, por causa do aumento do número de fiéis.

Após a morte de Clóvis, o Reino Franco foi dividido entre seus quatro filhos, ocasionando rivalidades e disputas. O enfraquecimento do poder dos reis merovíngios deu lugar à sua ocupação pelos “prefeitos do palácio” e nobres detentores de grandes propriedades (concedidas em troca de apoio militar). Por fim, em 628, Dagoberto subiu ao trono e conseguiu reunificar o reino dos Francos. Ele estabeleceu que, daí por diante, os reis francos deveriam ter um único sucessor.

Mas após o reinado de Dagoberto, vieram os chamados “reis indolentes”, assim chamados por não cumprirem as funções administrativas, preferindo viverem em festas, gastanças etc.

Durante os reis indolentes, quem governava, de fato, eram os mordomos. O mordomo era chamado, também como prefeito do palácio (espécie de primeiro-ministro do rei).

Um desses prefeitos, Pepino de Heristal, tornou o cargo hereditário e passou-o a seu filho Carlos Martel. Este notabilizou-se por comandar o exército franco que deteve a invasão muçulmana na região central da Europa, na chamada Batalha de Poitiers, em 732. Com isso, Carlos Martel passa a ser visto como o grande defensor do mundo cristão.

O filho de Carlos Martel, Pepino, o Breve, autorizado pelo papa Zacarias, depôs o último rei merovíngio, Childerico III, e assumiu o trono, fazendo-se rei com o nome de Pepino III, em 751.

Pepino dá início à uma nova dinastia, a dinastia carolíngia, nome derivado da Carolus (Carlos, em latim). O sucessor de Pepino, o Breve, foi seu filho Carlos Magno (742 – 814).

Carlos Magno é considerado o mais importante rei dos francos, tornando-se imperador, com sua coroação feita pelo papa Leão III, em 25 de dezembro de 800.

Veja (no vídeo do professor Ismael, abaixo) a alusão ao Natal, como relação entre o nascimento de Cristo e a coroação de Carlos Magno pelo papa em 25 de dezembro. Segundo o professor Ismael, o Natal não comemora, de fato, o nascimento de Cristo, e sim, o reconhecimento, pela Igreja Católica, de Carlos Magno como protetor dos cristãos.

Em seu governo (768 a 814), Carlos Magno destacou-se por conquistas militares e pela organização administrativa implantada nos territórios sob seu domínio. Seu vasto império (que foi da atual França até a Polônia) foi dividido em cerca de 300 condados governados por condes. Os condes eram responsáveis por aplicar as leis de Carlos Magno em todo seu império. Essas leis, chamadas de Capitulares, eram leis escritas, ou seja, eram uma compilação do chamado direito consuetudinário (regras baseadas nas tradições, agora escritas) e que se tornaram referência para o mundo medieval.

Além dos condes, destacavam-se, também, os marqueses, fazendeiros responsáveis por governar, o que ele chamava, de marcas, unidades administrativas nas regiões de fronteiras.

Outra categoria de nobres era a dos duques, que tinham a obrigação de comandar os exércitos de vários condados. Juntos, alguns condados formavam um ducado. E para supervisionar o trabalho dos condes, marqueses e duques, Carlos Magno contava com os missi dominici, agentes imperiais com plenos poderes para resolver problemas considerados difíceis e ouvir as queixas da população.

Nas regiões conquistadas, eram construídas fortalezas e igrejas em volta das quais se organizaram vilas que, posteriormente, passaram a ser ligadas por estradas. Sendo cristão, Carlos Magno obrigava os povos conquistados a converterem-se ao Cristianismo.

Apesar da pouca instrução de Carlos Magno, ele percebeu a necessidade de contar com um clero mais bem qualificado e de uma nobreza composta de pessoas capazes de garantir uma boa administração. Por isso, valorizou o ensino, promovendo obras para sua difusão em todo o império. Fundou, ao lado de cada igreja, escolas gratuitas para a população e, nos mosteiros, escolas para os sacerdotes. No próprio palácio abriu uma escola que era frequentada, sem distinção de tratamento, por meninos de famílias pobres e por filhos de nobres. A essa expansão cultural dá-se o nome de Renascimento Carolíngio. Seu incentivo à educação foi tão forte que cristãos eruditos do século VIII, foram atraídos pela intensa atividade artística e intelectual desenvolvida na corte do rei Carlos Magno.Carlos Magno

Coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III

Carlos Magno morreu em 814. Sucedeu-lhe seu filho, Luís, o Piedoso, que governou até 840. Os filhos de Luís disputaram, durante três anos, a sucessão do império. Em 843, pelo Tratado de Verdun, o Império Carolíngio foi dividido em três reinos distintos, cabendo a parte ocidental a Carlos, o Calvo; a parte oriental a Luís, o Germânico; e a parte central a Lotário, reconhecido como imperador.

Tratado de Verdun

O desmembramento do Império Carolíngio, conforme o mapa acima, pôs fim à tentativa de unificação da Europa ocidental sob o comando de um único monarca cristão.

Aprenda mais, assistindo ao vídeo:

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Fontes:

  • AZEVEDO, Gislaine Campos & SERIACOPI, Reinaldo. História em Movimento, ensino Médio, Vol.1. São Paulo: Ática, 2010.
  • BATISTA, Ismael.  Disponível em: <www.Profisrael.com.br>. Acesso em 22/10/2012.
  • BRASIL ESCOLA. Disponível em: <www.brasilescola.com.br>. Acesso em 22/10/2012.
  • CADERNO DO PROFESSOR – História – Ensino Médio, Vol. 3. SEE-SP. 2009.
  • PILETTI, Nelson & Claudino. História – E.J.A. (Educação de Jovens e Adultos), 3º Ciclo. São Paulo: Ática: 2003.

 

 

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Uma resposta a Reino Franco e Império Carolíngio

  1. maria julia disse:

    legal ;legal ,legal… a parte que valorizou o ensino. ne….

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