O governo de Napoleão Bonaparte

Soldados da França! Do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam!”  (Napoleão Bonaparte, Egito, 1798)

 

Como já vimos, a Revolução Francesa termina com a alta burguesia no poder, na fase do Diretório, em 1799, governado por cinco diretores, sem um deles, Napoleão Bonaparte, na época, um jovem general. Napoleão, a partir de então, torna-se uma das principais figuras da história humana entre o fim do século XVIII e início do XIX. Sua trajetória mudou os rumos do mundo ocidental.

A alta burguesia no poder (1799), representava os interesses de comerciantes, banqueiros, industriais, etc., e não conseguia melhorar a grave situação econômica que penalizava a maioria da população. E o instável governo do Diretório provocava medo e insegurança entre a população. Precisava, portanto, de um líder forte, capaz de garantir a consolidação de suas principais conquistas: o fim dos privilégios da nobreza e do clero e o fim da monarquia absolutista. Napoleão era este líder.

Com o apoio de seus soldados e da burguesia, em 10 de novembro de 1799, Napoleão dá um golpe, que ficou conhecido como Golpe 18 Brumário (data do calendário da revolução), alterando o Diretório e implantando o Consulado, sistema de governo exercido por três cônsules, sendo ele mesmo um dos cônsules. Os outros cônsules foram Roger Ducos e Emmanuel Sieyès. Três anos depois, no entanto (1802), através de um plebiscito, Napoleão foi aclamado cônsul vitalício.

Dentre as medidas tomadas por Napoleão, destacou-se a elaboração do Código Civil Napoleônico, inspirado nas leis romanas. A principal finalidade do Código era assegurar diversas conquistas da burguesia com a Revolução Francesa, como a liberdade individual e econômica e a igualdade dos indivíduos perante a lei. O Código previa ainda a proibição da organização dos trabalhadores em sindicatos e as greves.

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Napoleão em batalha, de Leon Tolstói

Por meio de novo plebiscito sugerido por Napoleão, ele alcança o poder máximo, em 02 de dezembro de 1804, ao receber o título de imperador da França.

Enquanto isto, as principais potências europeias – Áustria, Prússia e Inglaterra – eram governadas por monarcas que temiam ser derrubados por movimentos revolucionários como o que provocou a execução de Luís XVI na França. Para Napoleão, portanto, era importante derrotar esses países e colocar em cada um deles governantes aliados.

Nesse sentido, tinha como objetivo principal invadir o território inglês, tarefa difícil de ser realizada. Por localizar-se em uma ilha, a Inglaterra, com uma poderosa marinha, só poderia ser conquistada por mar.

O sonho da invasão ficou mais longe em outubro de 1805, na batalha de Trafalgar, na costa espanhola. A frota francesa foi derrotada quando avançava em direção à Inglaterra. Em dezembro do mesmo ano, para compensar, venceu austríacos e russos em Austerlitz. No ano seguinte (1806), derrotou ainda os prussianos e, em seguida, invadiu Berlim.

Também em 21 de novembro de 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental à Inglaterra, proibindo todos os países europeus de comerciar com os ingleses. Os países que não aderissem ao bloqueio estavam ameaçados de ser invadidos por tropas de Napoleão.

arco-do-triunfo Arco do Triunfo, em Paris, construído
por Napoleão Bonaparte, em 1806.

Nessa época (1806), Portugal era governado pelo príncipe–regente D. João. Com o decreto do Bloqueio Continental imposto por Napoleão, D. João ficou em uma situação difícil, pois Portugal era aliado da Inglaterra. Se não obedecesse a Napoleão, o príncipe-regente certamente veria Portugal ser invadido por tropas francesas. A solução encontrada foi transferir-se para o Brasil, levando sua família e os principais funcionários do reino com a ajuda dos aliados ingleses.

No final de 1807, cerca de 15 mil pessoas embarcaram em catorze navios rumo à América, com suas riquezas, documentos, bibliotecas, coleções de arte e tudo o que podiam transportar. Quando o exército de Napoleão chegou a Lisboa, encontrou apenas um reino abandonado e pobre. Chegam ao Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, em março de 1808. O fato de a família real transferir-se para o Brasil acabou favorecendo a Inglaterra e estimulando a independência da colônia portuguesa na América.

A Rússia, enfrentando séria crise econômica, recusou-se a continuar o Bloqueio Continental contra a Inglaterra. Como represália, em 1812, Napoleão declarou guerra à Rússia. Essa campanha, entretanto, marcou o início da derrocada do império napoleônico. Vencidos pela fome, pelo frio e pelo exército russo, poucos soldados franceses conseguiram voltar à França. O disto resultado foi a crise de abastecimento do exército francês e a volta para casa com apenas 60 mil dos 600 mil soldados enviados.

Já na França, Napoleão teve de organizar um novo exército para combater uma poderosa aliança militar que havia se formado entre alguns países europeus com o objetivo de invadir o território francês.

Composta de forças da Prússia, da Áustria e da Rússia, a aliança derrotou as tropas de Napoleão em Leipzig, e a França foi invadida, em março de 1814. Napoleão foi preso, destruído e exilado na ilha de Elba, no Mediterrâneo. Os vencedores restauraram a monarquia francesa, restituindo o trono a Luís XVIII, irmão de Luís XVI.

Em 1815, porém, Napoleão conseguiu fugir da ilha de Elba e voltou à França. O rei Luís XVIII deu ordens a uma tropa de soldados para prendê-lo, mas os soldados uniram-se a ele. O rei fugiu para a Bélgica. Napoleão reassumiu o governo e informou as outras potências da Europa que desejava respeitar as fronteiras existentes. Novamente no poder, governou durante cem dias.

Uma nova aliança militar (a sétima) foi organizada, reunindo a Inglaterra, a Áustria, a Prússia e a Rússia. A batalha, última de Napoleão, foi travada em Waterloo, região da atual Bélgica. Derrotado, Napoleão foi preso e enviado a Santa Helena, ilha do oceano Atlântico, onde morreu em 1821.

Após a derrota de Napoleão em Leipzig, em 1814, os representantes das potências europeias que venceram a França reuniram-se em um congresso na cidade de Viena. O chamado Congresso de Viena. Seus objetivos eram:

  • reorganizar as fronteiras dos países europeus, modificadas pelas conquistas napoleônicas;
  • manter ou restaurar as monarquias absolutistas;
  • deter os movimentos de independência das colônias europeias na América;
  • deter os movimentos revolucionários que surgiam na Europa, influenciados pelas ideias liberais da Revolução Francesa.

No Congresso de Viena, o czar (título do soberano russo) Alexandre I lançou a ideia da formação de um pacto de ajuda mútua entre as monarquias absolutistas. Era a Santa Aliança, que teria como objetivo sufocar os movimentos revolucionários que sacudiam a Europa. Assim, por meio da ação conjunta de diversos reinos, os movimentos nacionalistas europeus e os movimentos pela emancipação das colônias americanas, que começavam a surgir, poderiam ser reprimidos.

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Veja também:

Napoleão Bonaparte - O Império: da Ascensão à Queda,
pelo Professor Israel Batista.

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Bibliografia:

  • FERNANDES, Cláudio. Napoleão Bonaparte. Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/biografia/napoleao-bonaparte.htm>. Acesso em 23 de maio de 2017.
  • PILETTI, Nelson & Claudino. História: Ensino fundamental, 4º Ciclo, EJA (Educação de Jovens e Adultos). São Paulo: Ática, 2003.
  • PINTO, Tales. Era Napoleônica (1799-1815), a vitória burguesa. Disponível em: < http://escolakids.uol.com.br/era-napoleonica-1799-1815-a-vitoria-burguesa.htm>. Acesso em 23/05/2017.

 

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