As mulheres que ungiram a Jesus com unguento

Ao estudar nossa lição da Escola Bíblica Dominical em minha igreja, do dia 04/06/2017, sobre Maria, Irmã de Lázaro, uma Devoção Amorosa, surgiram algumas dúvidas acerca das várias passagens bíblicas que tratam de assuntos semelhantes.

De acordo com estas passagens, percebem-se três casos diferentes de pessoas que efetuaram ações parecidas, mas diferentes em seus contextos. O que há em comum entre elas foram o fato de que estas pessoas eram mulheres e todas usaram o unguento, uma espécie de perfume muito caro e que não fizeram economia por causa do Mestre.

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Vejamos, resumidamente, cada um destes casos.

 

1. A mulher “pecadora” (Lucas 7.36-50)

E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento. Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. E respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinquenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais? E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama. E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados. E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados? E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz. (Lucas 7.36-50).[1]

Destaques:

  • Local: pelo contexto, este episódio ocorre em Naim, cidade da Galileia (norte da Palestina), na casa de um fariseu.
  • O texto diz “uma mulher da cidade, uma pecadora” (v. 37).
  • Regou os pés de Jesus, por trás, enxugava com seus próprios cabelos e beijava os pés de Jesus (v 38).

Ao que parece, esta mulher era conhecida na cidade pelo que fazia, tanto que o fariseu a rotulou como “pecadora”, mas o evangelista Lucas não a conhecia e nem o seu nome seria relevante, por não ter relação alguma com outros personagens do Novo Testamento.

Esta mulher era Maria Madalena? É muito comum encontrarmos a afirmação de que esta “mulher pecadora” era Maria Madalena e que esta era uma prostituta. Mas não há base para fazer esta relação[2]. Mas sobre isto, falaremos em outra oportunidade.

2. Maria, irmã de Marta e Lázaro: João 12.1-8

Foi, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento. Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava. Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto; Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes (João 12:1-8).

Destaques:

  • Lucas (10.38-42) e João (11ss. e 12.1-8) falam desta família amiga de Jesus, citando os irmãos Lázaro, Marta e Maria. Ao que parece seus pais já havia morrido.
  • João 11 descreve a reunião em Betânia, entre Jesus e as irmãs Marta e Maria, por ocasião da ressurreição de Lázaro. Sobre o episodio de João 12.1-8, vejamos:
  • Local: em Betânia, sul da Palestina, próximo de Jerusalém, provavelmente na casa da própria Maria.
  • O episódio aconteceu seis dias antes da Páscoa (v. 1).
  • Lázaro, que estava presente no encontro, tinha sido ressuscitado por Jesus (v. 1).
  • Maria ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos.
  • Judas Iscariotes reclama do desperdício do perfume (v. 4,5).

Diferentemente dos outros casos, nesta passagem de João a mulher é chamada pelo nome: Maria. Ela era bem conhecida, e se tornou ainda mais depois da ressurreição de seu irmão Lázaro. Além disso, o fato de sua identidade ser conhecida fazia com que os narradores não se esquecessem de dizer o nome da pessoa.

3. Uma mulher de Betânia: Mateus 26.6-13 e Marcos 14.3-9:

E, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com unguento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa. E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício? Pois este unguento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres. Jesus, porém, conhecendo isto, disse-lhes: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo. Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre. Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento. Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua (Mateus 26:6-13).

Destaques:

  • Local: também em Betânia, próximo de Jerusalém, na casa de Simão, o leproso.
  • Segundo Marcos (v.1), isto aconteceu dois antes da Páscoa.
  • Não aparece o nome da pessoa. Os textos dizem somente “uma mulher” (Mt 26.7 e Mc 13.3).
  • O perfume foi derramado sobre a cabeça de Jesus (Mt 26.8 e Mc 14.3).
  • Jesus afirma que o que ela tinha feito seria lembrado onde o evangelho fosse pregado (Mt 26.13 e Mc 14.9).

Este caso e o caso anterior que ambos ocorrem em Betânia, se parecem muito, ao contrário do relato da “pecadora”, de Lucas. Mas enquanto o anterior ocorre seis dias antes da Páscoa, este último ocorre apenas 2 dias. Se relacionarmos, então, as narrativas da ressurreição de Lázaro com as da unção ou unções ocorrida (s) em Betânia, percebe-se que Jesus estava indo em direção à Jerusalém para sua morte, mas antes passou por Betânia, onde ficou ali alguns dias. Quando faltavam seis dias para a Páscoa, ocorreu a unção de Maria, irmã de Lázaro, e quando faltavam dois dias, ainda em Betânia, ocorreu a outra unção na casa de Simão, o leproso. Com isto, concordava também Orígenes[3], erudito escritor cristão, do século II, de que houve três casos de mulheres que ungiram Jesus.

 

Notas:

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2 respostas a As mulheres que ungiram a Jesus com unguento

  1. Obrigado, Pr. Edson. Abraços!

  2. Pastor Edson disse:

    Ótimo artigo meu nobre professor ,amigo e irmão Amorim

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