O papado: breves considerações histórico-teológicas

O estudo sobre o papado, uma instituição que marca o topo da hierarquia clerical da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), com autoridade final e absoluta e base de sustentação desta ao longo dos séculos, exige uma análise bastante criteriosa, à luz da bíblia, da teologia e da história.

Brasão do Papado [*]

A instituição do papado é um fato que até hoje suscita muitas controvérsias, sobretudo entre católicos e protestantes. Já destacamos parcialmente o assunto em outro trabalho nosso, O depósito da fé: cânon, sucessão apostólica, tradição e outras considerações, mas resolvemos fazer um breve estudo mais especifico sobre isto, com o objetivo de compreender mais e, para isto, contamos com as grandes contribuições de estudiosos, conforme constam na bibliografia abaixo.

1. Pedro, o primeiro bispo de Roma?

“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular” (Pedro, In: At 4.11)[1].

“A ninguém sobre a terra chames vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Jesus Cristo. In: Mt 23.9).

A expressão “papa” é empregada, atualmente, exclusivamente para o Chefe Supremo de Roma, mas na sua origem, no início do Cristianismo, era usada de forma carinhosa e respeitosa, para qualquer bispo, com o sentido de “papai” (do grego, “pater”), principalmente no Oriente, onde pope é usada ainda hoje.

Segundo a ICAR, a origem do papado remonta à pessoa do apóstolo Pedro e afirma ter sido ele o primeiro bispo de Roma. Cabem aqui algumas considerações:

  • O texto bíblico, base para a afirmação, segundo a ICAR, de que Jesus tenha dado a direção de Sua igreja a Pedro, é Mateus 16.18-19: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”.
  • Segundo o Rev. Hernandes Dias LOPES, há três interpretações sobre quem é a pedra no versículo 18: Pedro; a declaração de Pedro; e Cristo. Considerando estas interpretações, ele faz treze questionamentos sobre o assunto, dos quais vamos destacar apenas os seguintes:

Pedro [ou] Pétros é fragmento de pedra, enquanto Pétra é rocha… Pétros é um substantivo masculino, enquanto Pétra é um substantivo feminino… o demonstrativo te toute (essa) encontra-se no feminino, ligando-se portanto, gramatical e logicamente à palavra feminina Pétra, à qual imediatamente procede… Se Cristo tencionasse estabelecer Pedro como fundamento da igreja teria dito: ‘Tu és Pedro e sobre ti (epi soi) edificarei a minha igreja’… O contexto mostra que Jesus está se referindo a si na terceira pessoa desde o começo e isso concorda com o uso que faz de Pétra na terceira pessoa. Veja outros exemplos quando Cristo usou a terceira pessoa (Jo 2:19,21; Mt 21:42-44)… Pedro mesmo declara que Cristo e não ele é a Pedra (At 4:11-12; 1Pe 2:4-9)… Paulo claramente define que Cristo é a Pedra (1Co 3:11; 10:4; Ef 2:20) (Op. Cit., 2005).

  • Considerando a interpretação protestante[2] e a dos cristãos ortodoxos[3] de que a pedra referida por Jesus trata-se da afirmação de Pedro, “Tu és Cristo” (v.16), e que a igreja cristã está edificada sobre este fundamento (Cristo), percebe-se que esta definição encontra respaldo teológico em todo o Novo Testamento, e não o contrário. As portas do inferno só não prevalecem sobre uma igreja que esteja fundada em Cristo, e não em um homem, mesmo que ele seja um escolhido por Jesus como foi Pedro.
  • Há alguns católicos que também pensam como protestantes e ortodoxos. Por exemplo, segundo Eduardo HOORNAERT o sentido do verso 18 de Mateus 16, só pode ser entendido no contexto dos versos 16 a 19, e afirma que antes de Constantino e da aliança entre as lideranças cristãs e autoridades do império romano, a interpretação dada a este verso (18) tinha outro sentido:

Trata-se (…) de um elogio de Jesus dirigido a Pedro. Quando este afirma que Jesus não é um profeta entre outros, mas o ungido de Deus (…) [ele, Pedro] entende que Jesus, que não ameaça nem condena, mas aponta para o reino de Deus, a graça, a misericórdia, o perdão, é diferente. Deve ser o ungido de Deus tão esperado, pensa ele. E Jesus elogia Pedro por expressar de forma tão feliz a novidade que ele mesmo vem trazer. É como se ele quisesse dizer: você capta minha intenção, você é a pedra sobre a qual pretendo construir minha igreja, se todos entendessem o que você diz aqui, minha igreja estaria bem forte.

  • A expressão “tudo o que ligares na terra” também se aplica aos demais discípulos (Mt 18:18), assim como também as “chaves” não foram dadas somente a Pedro. Elas representam a pregação do evangelho (At 2:14-41; 15:7-11). Além disso, a igreja (Εκκλησία) – assembleia dos fiéis redimidos por Cristo, “os tirados para fora” –, está inserida num plano espiritual muito maior, que é o Reino de Deus. Aliás, nos evangelhos, apenas Mateus (e aqui neste ponto, c. 16, v18), faz referência à igreja com este sentido de “comunidade”. Os demais evangelistas e o próprio Mateus (6.33 etc.) dedicam a maior parte de seus escritos para falar do Reino de Deus ou Reino dos céus.

Pedro esteve em Roma e foi bispo da igreja de Roma?  Lopes não acredita que Pedro tenha estado em Roma como bispo. Embora, segundo ele, a tradição aponta que Pedro foi bispo daquela cidade, por 25 anos, de 42 à 67, esta informação não se sustenta. Alguns argumentos que ele usa para sua contestação são, entre outros:

A palavra Roma aparece 9 vezes na Bíblia e Pedro nunca foi mencionado em contexto com ela… No ano 60 d.C., quando Pedro escreveu sua primeira Carta, não estava em Roma… Paulo escreve sua carta à igreja de Roma em 58 d.C. e não menciona Pedro. Nesse período, Pedro estaria no auge no seu pontificado em Roma, mas Paulo não dirige sua carta a Pedro e dirige a carta à igreja como seu instrutor espiritual (Rm 1:13). No capitulo 16, Paulo faz 26 saudações aos mais destacados membros da igreja de Roma e não menciona Pedro. Se Pedro já era bispo da igreja de Roma há 16 anos (42-58)…, não seria um insulto gratuito a Pedro?…

Autores protestantes e católicos acreditam que pelo menos próximo à sua morte, Pedro esteve em Roma, durante a perseguição de Nero. “O certo é que Pedro não visitou aquela cidade até bem próximo ao final de sua vida. A data de seu martírio é também incerta. O mais provável é que tenha ocorrido por volta de 67 ou 68 d.C., aos 70 anos de idade” (MILLER: 2011, p. 67). Mas não há nenhum fato bíblico ou histórico, segundo Lopes e González (q.v.), que confirma que Pedro tenha transferido seu posto de bispo (ou papa) para outro sucessor. Além disso, a leitura dos evangelhos não leva o leitor a imaginar que Jesus “… tenha planejado uma dinastia apostólica de caráter corporativo, baseada em sucessão de poderes” (HOORNAERT).

2. Os primeiros bispos de Roma

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (At 20.28).

O historiador e bispo Eusébio de Cesareia, já no século IV, faz uma lista dos primeiros bispos de Roma, entre os quais ele cita Lino[4], Anacleto[5] e Clemente[6]. Afirma HOONAERT: “Conhecemos Clemente romano por suas cartas, mas nada sabemos acerca de Lino e Anacleto. Ninguém sabe donde Eusébio tirou esses nomes, trezentos anos após os acontecimentos”. Na verdade, em seu princípio, o bispado de Roma não tinha o sentido ‘monárquico’ (isto é, com um só bispo), mas um colegiado, ou seja, vários bispos trabalhando em conjunto[7]. O certo é que “… o período que vai desde a perseguição de Nero em 64 até a Primeira Epístola de Clemente, em 96, o que sabemos do bispado romano é pouco ou nada. Se o papado tivesse sido tão importante desde as origens da igreja, como dizem alguns, teria deixado mais vestígios durante toda esta segunda metade do primeiro século (GONZÁLEZ: 1995, p. 62).

Antes de Roma ocupar o primeiro lugar de importância, em relação ao cristianismo, era o Oriente que exercia este papel. Até meados do século IV, bispos de cidades como Antioquia e Alexandria tinham muito mais importância que o bispo ou bispos de Roma. O mesmo pode-se dizer de produções teológicas como as contribuições da África latina com Tertuliano, Cipriano e Agostinho.

Mas o Império Romano decide aceitar o cristianismo. Primeiro, em 313, o imperador Constantino (do qual falaremos mais em outro momento), que segundo ele, tivera uma experiência com Cristo um ano antes, publica o Édito de Milão (o chamado édito de tolerância), dando liberdade de culto aos cristãos; depois, em 325, no Concílio de Niceia, que foi o primeiro concílio geral da igreja, e reuniu cerca de 318 bispos, além de sacerdotes e diáconos, o imperador também se fez presente. Segundo MILLER (2011: p. 253-4), “poucos anos haviam se passado desde que eles [os bispos] foram escolhidos como alvo da mais cruel perseguição… Mas agora tudo mudara… Os portões do palácio lhes foram escancarados… Constantino entrou [no local do concílio e depois de dias de atraso] esplendidamente vestido: os olhos dos bispos ficaram fascinados pelo ouro e pedras preciosas de seus trajes. A assembleia inteira se levantou para honrá-lo… Após a entoação de um hino de louvor, ele discursou sobre a importância da paz e da união”. Constantino, nesta altura, era o “protetor do bem” e “cheio de clemência”, segundo Eusébio. Além disso, prossegue, “… nas cidades e aldeias [tanto do Oriente, quanto do Ocidente] celebravam e exaltavam com coros e hinos em primeiro lugar a Deus, o Rei universal, porque assim  foram ensinados, e depois também celebraram louvores ao imperador piedoso e com ele todos os seus filhos divinamente favorecidos… os quais… mostraram seu amor pela religião e por Deus, com devoção e gratidão a Ele” (Eusébio, H.E., 10, IX).

A partir desta aliança da igreja com o imperador, os bispos e a igreja de Roma, até então capital do Império, se destacaram em relação às demais cidades. A igreja cristã, de um modo geral, por esta época, estava dividida em cinco patriarcados, com sedes em Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma. Mas após a invasão dos bárbaros no Ocidente, “… a igreja [de Roma] veio a ser a guardiã do que restava da velha civilização. Por isto o patriarca de Roma, o papa, chegou a ter grande prestígio e autoridade” (GOZÁLEZ, Op. Cit. p. 63).

3. De bispo de Roma a bispo universal

“O cuidado sobre a Igreja Universal deve convergir para o trono único de Pedro e nada, em lugar nenhum, deve se separar de sua cabeça” (Leão I).

O primado de Pedro, “o primeiro papa”, segundo a ICAR, passa a ser objeto de discussão, principalmente após os escritos de Eusébio e o governo de Constantino, no final do século IV. Patriarcas romanos como Damásio (366-384) e Sirico (384-399) procuram atribuir a Pedro e seus sucessores, títulos como “sumo pontífice”, “príncipe dos apóstolos”, “vigário de Cristo”… E alguns bispos como “… Basílio e Ambrósio não aprovam as manobras romanas, mas mesmo assim os patriarcas romanos avançam em busca de controle sobre os bispos” (HOONAERT). Inicia-se no século seguinte o processo da romanização da igreja cristã no Ocidente, principalmente com o papa Inocêncio I (402-417), interferindo sistematicamente nos assuntos de igrejas locais na Gália, Espanha, Ilíria, e exigindo submissão universal à sua autoridade. Para ele, todas as igrejas deveriam se conformar com os costumes de Roma. Uma frase dita por Agostinho de Hipona (354-430), por esta época (c. 417), “causa finita est” (o caso está encerrado), em relação à controvérsia pelagiana, foi mudada para “Roma locuta est, causa finita est” (Roma falou, decidiu-se a causa). Não sabemos se foi Inocêncio I que fez esta aplicação da frase de Agostinho a si próprio, mas ela se enquadra bem aos propósitos do referido papa. E Lopes afirma que no tempo de Pio IX, no Concílio do Vaticano I, em 1870, esta frase veio a ser considerada fundamental para efeito de definição do dogma da infalibilidade papal. Na verdade, o que Agostinho defendia era a ideia tradicional existente: “… a autoridade romana tem de respeitar a soberania dos concílios episcopais. O primado do bispo de Roma é apenas honorário” (HOORNAERT).

Algum tempo depois, com Leão I (440-461), chamado “o Grande”, a “mística petrina” se intensifica e ele age como chefe absoluto como nos concílios realizados durante seu papado. Mesmo no Oriente, durante o Concílio de Calcedônia (451), que tratou da questão monofisista, Leão I desprezou a intervenção do patriarca de Alexandria e fez valer apenas as decisões que lhe agradaram. Embora sua decisão tenha sido em prol da ortodoxia e da moderação (pelo que sabemos do resultado do Credo de Calcedônia), o certo é que ele fez valer sua autoridade como sucessor de Pedro.  Além disso, sua estatura papal foi bastante fortalecida em 452[8], quando conseguiu evitar o ataque dos hunos à cidade de Roma, após uma conversa com seu líder, Átila; e em 455, quando conseguiu interceder perante o inimigo e, assim, evitar que Roma sofresse incêndios e assassinatos, embora não tenha evitado sua invasão. Para Leão,  ”… a autoridade do bispo de Roma sobre todo o restante da igreja era parte do plano de Deus. Jesus Cristo tinha dado a São Pedro as chaves do Reino, e a Providência divina tinha levado o velho pescador à capital do Império.” (GONZÁLEZ, Op. Cit., p. 64).

Sob o pontificado de Gregório I (590-604), também chamado “o Grande” ou “Magno”, acontece a vitória definitiva do papado. Numa época em que não havia no Ocidente um governante politico que pudesse dirigir os destinos da sociedade, este papel foi feito pelos papas, começando por Leão, o Grande, e continuado por Gregório, o Grande. Este foi essencial como “prefeito” de Roma, tendo que reagir diante da fome e peste que se abateram sobre a cidade. “Gregório viu-se obrigado a atuar por conta própria, e por isso ele é considerado o fundador do poder temporal do papado” (GONZÁLEZ, Op. Cit., p. 72). Seu poder se estendeu a uma série de territórios que eram propriedades da igreja, cooperando para acumular em seu pontificado, o poder espiritual e político. Além disso, agindo assim, fez com que “… com o passar do tempo, os sucessores de Gregório ficassem sendo donos e governantes da cidade de Roma e arredores. Algum tempo depois, perto do século VIII, alguém falsificou um documento, a chamada Doação de Constantino, que pretendia que o grande imperador tivesse doado estes territórios aos sucessores de Pedro” (Ibidem: p. 73).  Mas, aliado a este “desvio” do ministério episcopal, soma-se também o fato de iniciar-se, principalmente na Gália, a outorga de honras especiais aos bispos, venda de cargos na igreja e casos frequentes de “… algum leigo ambicioso ser nomeado bispo de um dia para outro”. (Ibidem: p. 74). Mas nesta região, apesar de sua habilidade diplomática, Gregório I fracassou por entrar em choque com os chefes francos.

Para efeito didático, a Idade Média no Ocidente começa em 476, quando Roma é tomada pelos hérulos. Mas no Oriente, a cidade de Constantinopla que já era conhecida como a “segunda Roma” desde o ano de 330, título aceito pelos bispos no Concílio de Constantinopla, em 381, estava bem agita politica e religiosamente. Na concepção dos bispos orientais, o poder divino (dado a Pedro) fora transferido para aquela cidade, o que cooperou para suas constantes intervenções em assuntos internos das outras igrejas, travando brigas religiosas com os bispos (papas) do Ocidente.

Na teoria (não na prática) isto significava que todo o Império estava submetido à Constantinopla. Mas as relações entre os papas e a capital do Oriente foram bastante tensas. Isto, principalmente, por causa do monofisismo, aceito pelos imperadores e rejeitados pelos papas. Estas e outras controvérsias provocaram cismas, convocação de diversos concílios, condenação a muitos bispos que não seguiram ordem de Roma… Esta é quem teria que dar a última palavra. No governo do imperador bizantino Focas (602-610), o papa Bonifácio III (607), conseguiu deste o título de “bispo universal”, que Gregório tinha recusado. Mais tarde outros papas alegaram que a igreja bizantina tinha reconhecido este título e a supremacia romana. Mas “Focas, que deu este título a Bonifácio, era um usurpador, e (…) a única razão de ele honrar assim o papa era que estava aborrecido com o patriarca de Constantinopla, que por algum tempo tinha se chamado de ‘bispo universal’” (Ibidem: p. 77-8). O grande cisma de 1054, que redunda na divisão entre católicos e ortodoxos, é a consumação de uma disputa que já acontecia há séculos. Mas já bem antes disto, durante o pontificado de Bonifácio III, é que surgem, de fato, a instituição do papado e o catolicismo romano.

4. Riqueza, poder e corrupção dos papas

“Assim como o Fundador do universo estabeleceu duas grandes luzes no firmamento do céu, a luz maior para governar o dia e a luz menor para governar a noite, assim também Ele estabeleceu duas grandes dignidades no firmamento da Igreja universal (…), a maior para governar o dia, isto é, as almas, e a menor para governar a noite, isto é, os corpos. Estas dignidades são a autoridade papal e o poder real. Agora, assim como a lua retira sua luz [quando surge] o sol; e é certamente menor em quantidade e qualidade, na posição e no poder, assim também o poder real deriva do esplendor da dignidade da autoridade pontifícia…” (Inocêncio III).

O papado na Idade Média mostra uma face muito diferente dos bispos dos três primeiros séculos. A busca por poder (espiritual e temporal), riquezas e cargos eclesiásticos marca esta fase da história. Como vimos, o poder político exercido por Gregório I, ainda que justificado por causa das invasões bárbaras, abriu precedente para que seus sucessores fizessem o mesmo. Com base num tal documento, chamado Doação de Constantino, bispos e papas julgaram ser donos e governantes da cidade de Roma e seus arredores. Depois, o papa, percebendo que os francos, na pessoa de Carlos Martel, tinha lutado em favor dos cristãos, quando da vitória deste sobre os muçulmanos na batalha de Poitiers, 732, ofereceu a ele honras, algo que só o imperador poderia fazê-lo, aumentando ainda mais as desavenças com Constantinopla. Mas esta atitude demonstrava o grande poder que o papa já tinha alcançado no Ocidente. Um tempo depois, o papa Zacarias (741-752) demonstrou seu poder diplomático perante Luitprando, rei dos lombardos e sucessores, impedindo que invadissem Roma. Como Carlos Martel já tinha morrido e seu sucessor Childerico III, o “estúpido”, como os outros “indolentes” (como eram chamados os reis francos deste período), não tiveram forças para tal, foi o papa Zacarias que obteve a vitória. Por isso, seu sucessor, o papa Estêvão II (752-757) “… logo teve oportunidade para cobrar a dívida de gratidão que o novo rei franco tinha contraído com Roma” (GONZÁLEZ: Op. Cit., p. 83). Assim, Pepino, o novo rei franco, concedeu à igreja, além de Roma e seus arredores, também Ravena e outras cidades que tinham sido conquistadas, temporariamente, pelos lombardos. Esta atitude de Pepino foi fundamental para que o papa se tornasse soberano e também para a formação do “Estado da Igreja”. Depois, o papa Paulo I (757-767), irmão de Estêvão II, consolida o poder ainda sob a proteção de Pepino.

O poder político dos papas foi mais forte do que o seu poder espiritual durante a Idade Média. Por causa disto, por exemplo, após a morte de Paulo I um duque rivalizou o poder politico, nomeando seu irmão Constantino como papa (ou antipapa). Constantino não se sustentou no poder, mas este é apenas um exemplo dentre outros que vieram a ocorrer no período medieval. O papa Estêvão III (768-772) foi eleito e empreendeu “… uma vingança terrível contra os que tinham apoiado a usurpação, vazando-lhes os olhos, mutilando-os e encarcerando-os” (Ibidem: p. 84). E a aliança do papado com os francos continuou com Carlos Magno, o qual foi coroado pelo papa Leão III (796-816), no natal do ano 800. Depois da coroação o novo imperador foi aclamado pelo povo e o Ocidente passou a ter novamente representante independente, mas sob os desagravos de Constantinopla. “Agora, em virtude da ação de Leão, havia um imperador no Ocidente, e o papado se colocava definitivamente fora da jurisdição do Império do Oriente. Tinha nascido a cristandade ocidental” (Ibidem: p. 85).

Ligado ao poder político dos papas, havia também o nepotismo, prática que favoreceu parentes com concessão gratuita de títulos eclesiásticos, propriedade, renda e encargos remunerados, de modo a formar uma casta de senhores feudais ligados à Santa Sé, que perduram até final da Idade Média. Além disso, a igreja papal se envolveu com uma série de “pecados” como a corrupção do clero ligado à avareza, o egoísmo, à imoralidade, os ritos sacramentais, em lugar da espiritualidade e o verdadeiro ensino bíblico, a negligência dos párocos e falta de assistência religiosa ao povo etc. Estes e outros problemas legaram ao surgimento de vários protestos no século XII e se prolongaram pelos séculos seguintes.

No final do século XIII, o papa Bonifácio VIII (1294-1303) subiu ao trono, desejando ultrapassar os ideais de Inocêncio III e Gregório VII, na busca pelo poder supremo da Europa, como imperador e papa. Mas por causa de sua soberba, entrou em choque com os chefes de Estados poderosos como a Inglaterra e a França. Estes conseguiram afastá-lo dos negócios internos de seus países. Bonifácio VIII insistiu e, por causa disto, o rei Felipe, o Belo, da França o prendeu. Depois de três dias, voltou para Roma onde morreu pouco tempo depois (1303).

Com a morte de Bonifácio VIII, a igreja sofre o chamado “cativeiro babilônico”, quando o papado permaneceu por 68 anos sob o poder da França. E, por mais de trinta anos, houve dois papas, um em Avinhão (França) e outro em Roma. Alguns países reconheceram o de Roma, outros, o de Avinhão.  Um concílio realizado por cardeais de ambos os papas, em Pisa (1409), foi convocado para tratar deste problema. Foi escolhido um novo papa, “… todavia, desde que os dois já existentes se recusavam a resignar, ficaram os três papas. Cinco anos depois convocou-se outro concílio geral em Constança, o qual depôs a dois deles e persuadiu o terceiro a resignar. O Cisma terminou com a eleição de Martinho V” (NICHOLS: 1985, p. 134). Cabe perguntar: com quem dos papas (destes períodos, ora, com dois, ora, com três) estavam as “chaves” de Pedro? Pelo que se percebe do resultado dos dois concílios, Pisa, em 1409, e Constância, (1414-1418), o poder estava com os cardeais. Isto é, um poder acima daqueles papas em questão. Martinho (1417-1431) e vários dos seus sucessores foram eficientes, mas o papado, depois disto, jamais voltou a ser o que fora antes.

5. O papado é infalível?

“A teoria da infalibilidade não se funda meramente num costume extra-crítico e ideológico, mas sobre imperdoável desonestidade no manejo dos textos”[9] .

A doutrina da infalibilidade papal foi definida pela Igreja Católica Romana no ano de 1870, com Pio IX (1846-1878), por ocasião do Concílio do Vaticano I. Mas este conceito já era defendido pela igreja romana há pelo menos no ano 1200. Alguns, entretanto, como o suíço e teólogo católico, Hans Küng, defende ao invés disso, o termo “indefectibilidade da igreja”, que segundo ele, foi lentamente sendo substituído por “… infalibilidade da igreja e, finalmente, pela infalibilidade do papado, posição esta proposta pela primeira vez em cerca de 1300, mas calorosamente debatida nas escolas e nunca sancionada oficialmente senão em 1870” (Apud: PROCTOR, W.C.G. e ENGEN, J. Van. In: ELWELL: 1990, p. 330). Aliás, Hans Küng, além de se posicionar sobre as contradições históricas em relação à infalibilidade papal, defende também “o fim da obrigatoriedade do celibato clerical, [e] maior participação laica e feminina na Igreja Católica, que, segundo sua interpretação, seria um retorno da teologia baseada na mensagem da Bíblia[10]”.

A infalibilidade papal, segundo a ICAR, acontece quando o papa, na qualidade de “vigário de Cristo na terra”, usa a expressão ex cathedra (do latim, “de cátedra”, “do trono”). Por trás deste dogma estão três pressuposições, quais sejam: “… (1) que Cristo instituiu o cargo de ‘vigário’ para Sua Igreja na terra; (2) que este cargo é exercido pelo bispo de Roma; e (3) que o vigário de Cristo é infalível nas suas declarações sobre fé e moral.” (Ibidem: p. 330).

Analisando brevemente as pressuposições acima, podemos considerá-las em comparação com algumas situações:

  • Cristo instituiu um “vigário”, ou seja, um representante pessoal em seu lugar aqui na terra? Já vimos acima que Ele deu aos doze apóstolos a mesma autoridade, figurada pelas chaves do reino de Deus (Mt 18.18 etc.) e não somente a Pedro. A Igreja Ortodoxa Oriental, por exemplo, como já vimos, aceita a sucessão apostólica através dos bispos, mas não o primado de Pedro.
  • Pedro mostrou duas facetas em seu caráter: uma elogiável, quando fala “não pela carne e sangue, mas pelo Espírito”, e declara ser Jesus, “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16,17) e outra reprovável, quando ele chama a atenção de Jesus, reprovando-o em relação à sua atitude de ir até à morte, para ressuscitar-se no terceiro dia (Mt 16. 22,23). Na primeira mensagem, ele é elogiado por Jesus, enquanto na segunda, ele é chamado “pedra de tropeço” (v. 23). Comparativamente, infelizmente, muitos papas, a exemplo de Pedro (que, repito, não foi papa), já fez uso de mensagens semelhantes e contraditórias: ficando às vezes do lado de Jesus e, em outras, em oposição a Jesus, quando tomam decisões contrárias ao verdadeiro cristianismo. Os diversos dogmas que foram levando a igreja a se distanciar tanto dos apóstolos, ou seja, de sua origem, foram adotados pelos papas, na qualidade de infalível, inclusive acima dos apóstolos? Cito apenas alguns, conforme LOPES:
 431 – Culto a Maria: Mãe de Deus, Imaculada...
 503 – Purgatório.
 787 – Culto às imagens.
 933 – Canonização dos santos.
1184 – Inquisição...
1190 – a venda das indulgências.
1854 – Dogma da Imaculada Conceição etc.

Cada dogma deste demanda um estudo à parte. Apenas uma observação em relação à inquisição, que foi acompanhada de torturas, e que perdurou por toda a Idade Média, Idade Moderna, incluindo o Brasil, contra os “dissidentes” (hereges). O papa Leão X considerou a morte dos hereges de “… expressa revelação do céu” (Cf. LOPES). Cabe perguntar: esta atitude papal expressava realmente uma revelação dada por Deus? Se fosse Pedro faria o mesmo? E em relação aos mais de 70 mil mortos em decorrência da chamada Noite de São Bartolomeu, em 1572, na França, e que depois do massacre o papa Gregório XIII e a Catarina de Médicis se regozijaram através de “Te Deum” para celebrar os mortos? O anjo que aparece na medalha comemorativa ao lado dos huguenotes mortos foi fato verídico, digno de crédito?

Lembrando as palavras do Rev. Nicodemus (Nota 2) perguntamos: será que estes dogmas descritos acima estão de acordo com o resto da bíblia, incluindo o fato de Pedro ter sido papa? Obviamente, uma colocação possível de um padre ou bispo católico seria mais ou menos óbvia: estas respostas não estão na Bíblia. E quando um “cristão” (ou herege) coloca a bíblia acima da Igreja (ICAR) ele está agindo como um protestante.

Bem, após o Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado pelo papa João XXIII, houve certa mudança de mentalidade e busca de diálogo por parte do papado em relação aos protestantes. O Concílio Mundial de Igrejas e a Igreja Católica têm procurado certa abertura para o chamado ecumenismo, além de tentar este caminho até igrejas tradicionalmente antipapas como a Aliança Batista Mundial. Mas as reivindicações papais como a “primazia absoluta” e a “infalibilidade” tornam-se barreiras intransponíveis para a união definitiva destes grupos cristãos.

O atual papa Francisco tem reconhecido, parcialmente, a importância da Reforma Protestante em debates promovidos por ocasião da comemoração dos 500 anos da Reforma (em 2017), e tentado também aproximação com luteranos, como na visita feita em 2016, à Suécia. O espírito de respeito mútuo e a tentativa de continuar o diálogo iniciado no Concílio Vaticano II, levaram até o porta-voz do Vaticano, Greg Burke a afirmar: “Não é todo dia que um papa celebra Lutero[11]. Mas líderes protestantes conservadores acham que esta é uma mudança de tática do papa e não de rumo. Para eles, o princípio de “Roma locuta est; causa finita est” ainda está em voga. Não há como ter uma conciliação com a igreja papal, uma vez que o pontífice considera-se “pastor universal” dos crentes na terra.

Considerações finais

Este artigo é apenas um esboço do que foi o papado ao longo da história. Mas mesmo assim deu para entender o que alguns estudiosos do assunto nos deixaram. Por exemplo, que antes do imperador Constantino não havia este conceito que há hoje na ICAR de um bispo-chefe e vigário (representante) de Cristo na terra, até pelo menos antes do imperador Constantino ou o Império Romano aceitar o cristianismo.

Não há elemento histórico, muito menos bíblico, que confirma ter sido Pedro o primeiro papa, apenas a tradição católica afirma isto. Nem que havia um bispado monárquico nos primeiros séculos do cristianismo. O papado, como vimos, surge por volta do final do século IV, como uma espécie de dinastia petrina, e os bispos, tidos como sucessores monárquicos dos apóstolos, logo abaixo do bispo dos bispos, Pedro, o primeiro papa.

A supremacia da igreja de Roma e dos seus bispos sobre os demais está intimamente ligada à importância (também) política daquela cidade, capital do império. Por volta do século IV, por exemplo, havia cinco patriarcados: Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma. Sendo que deste último, no século V, com Inocêncio I e Leão I tem-se o início da autoridade de seu patriarca sobre os demais.

No século VI, Gregório I inaugurou o poder temporal dos papas que prossegue por toda a Idade Média. Juntamente com o poder temporal (político) acompanha também a doutrina da infalibilidade do papa, cuja definição como dogma ocorre apenas em 1870. Mas as contradições e comportamentos de vários papas ao longo da história cooperaram para por em cheque este dogma. O século XIV foi a época de mais questionamento desta reivindicação papal, e questionada ainda hoje até por muitos católicos. O tempo dirá o que vai ocorrer e se haverá mudança de rumo por parte do papado.

Referências bibliográficas:

  • ELWELL, Walter. A. (Editor). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vol. III. São Paulo. Vida Nova, 1990.
  • EUSÉBIO. História Eclesiástica: os primeiros quatro seculos da Igreja Cristã (263-349 d.C.). Rio de janeiro: CPAD, 1999.
  • GONZÁLEZ, J. L. E até aos confins da Terra: uma história ilustrada do Cristianismo, Vol. 3 – A era das trevas. São Paulo: Vida Nova, 1995.
  • HOORNAERTEduardo. Como entender o Papado: alguns subsídios de ordem histórica (?). Disponível em: <http://servicioskoinonia.org/relat/429p.htm>. Acesso em: 17/08/2017.
  • LOPES, Hernandes Dias. O papado à luz da bíblia e da história, 2005. Disponível em: <http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/o-papado-a-luz-da-biblia-e-da-historia/>. Acesso em 17/08/2017.
  • MILLER, Andrew. A História da Igreja, Vol. 1. São Paulo: Depósito de Literatura Cristã, 2011.
  • NICHOLS, Robert. Hastings. História da Igreja Cristã. Casa Editora Presbiteriana. São Paulo: 1985.

Notas:

  • [*] “O Brasão do Papado e do Vaticano, com as chaves do céu cruzadas, a chave de prata simboliza o poder de desligar a Terra ao Céu, a chave de ouro simboliza o poder de ligar a Terra ao Céu”. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/ Chaves_do_C%C3%A9u>. Acesso em: 26/08/2017.
  • [1] Todas as referências bíblicas utilizadas neste texto são da versão Almeida, Revista e Corrigida (ARA).
  • [2]Uma regra simples de interpretação bíblica é que você não forma doutrina a partir de uma única passagem. Como a bíblia foi dada progressivamente e seus escritores são vários, você tem que ver como é que aquela verdade é apresentada em outras passagens da bíblia. A pergunta é: o resto da bíblia confirma que Pedro é o papa, é a pedra, o chaveiro do céu infalível a quem Jesus deu toda autoridade? A resposta é um sonoro NÃO…”. Rev. Augustus Nicodemus. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?time_continue=65&v=q-FwtcFeCsQ>. Acesso em 21/08/2017.
  • [3]Para a Igreja una e indivisa a interpretação desta passagem do Evangelho [Mt 16.18] é toda outra. Como disse Orígenes (fonte comum da Tradição patrística da exegese), Jesus responde com estas palavras à confissão de Pedro: este torna-se a pedra sobre a qual será fundada a Igreja porque exprimiu a Fé verdadeira na divindade de Cristo. E Orígenes comenta: ‘Se nós dissermos também: ‘Tu és o Cristo, Filho de Deus Vivo’, então tornamo-nos também Pedro (…) porque quem quer que seja que se una a Cristo torna-se pedra. Cristo daria as chaves do Reino apenas a Pedro, enquanto as outras pessoas abençoadas não as poderiam receber?’. Pedro é, então, o primeiro ‘crente’ e se os outros o quiserem seguir podem ‘imitar’ Pedro e receber também as mesmas chaves. Jesus, com as Suas palavras relatadas no Evangelho, sublinha o sentido da Fé como fundamento da Igreja, mais do que funda a Igreja sobre Pedro…”. Disponível em: <dohttps://www.facebook.com/missao.ortodoxa.35/posts /705257836299747> Nota sob o título “O Cristianismo Ortodoxo em perguntas e respostas”,  escrita em: 27/10/2016. Acesso em: 21/08/2017.
  • [4] EUSÉBIO: “Após o martírio de Paulo e Pedro, Lino foi o primeiro a receber episcopado de Roma” (H.E., 3, I).
  • [5]Depois que Vespasiano reinou cerca de dez anos, foi sucedido por seu filho Tito. No segundo ano de seu reinado, Lino, bispo da igreja de Roma, que se mantivera no ofício por cerca de doze anos, transferiu-o a Anacleto” (Ibidem: 3, XIII).
  • [6]Anacleto foi sucedido por Clemente, a quem o apóstolo, em sua Epístola aos Filipenses, demonstra ter sido seu colaborador…” (Ibidem: 3, XV).
  • [7] Lucas BENZOLI, em um de seus vídeos, destaca um debate sobre a sucessão dos bispos de Roma, no qual um dos debatedores faz referência a dois teólogos católicos, o jesuíta Francis Alosius Sullivan, autor de Apóstolos aos Bispos, e Joseph Kelly, autor de Dicionário Conciso da Cristandade Antiga, os quais (em resumo) afirmam que a igreja de Roma era guiada por um grupo de presbíteros-bispos, no início do segundo século, e já no final do referido século e início do terceiro, a tradição católica passou a identificar Pedro como o primeiro bispo. Apesar da divergência entre a tradição e os fatos históricos, o que fica claro é que estes católicos concordam com um colegiado de bispos governando Roma até pelo menos, no final do segundo século.
  • [8] Na época, no Ocidente não havia um imperador forte o suficiente para segurar o avanço de Átila. E Leão resolveu enfrentar o temido chefe bárbaro ‘o chicote de Deus’. “Não sabemos o que Leão disse a Átila. Conta a lenda que quando o papa se aproximou, junto dele apareceram São Pedro e São Paulo, ameaçando Átila com uma espada. Em todo caso, fato é que Átila, depois deste encontro com Leão, abandonou sua intenção de atacar Roma, e rumou com seus exércitos para o norte, onde morreu pouco depois” (GONZÁLEZ: Op. Cit., p. 64).
  • [9] Lord Acton, História da Liberdae. p. 513. Apud: SCHARF, David, S. Nossa crença e a de nossos pais. Disponível em: <http://solascriptura-tt.org/IgrejasNosSeculos /Schaff15-PapadoEInfalibilidadePapal. pdf>. Acesso em 24/08/2017.
  • [10] In: Hans Küng. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/ wiki/Hans_K%C3%BCng>. Acesso em: 24/08/ 2017.
  • [11] Disponível em: <http://exame.abril.com.br/mundo/papa-francisco-diz-que-martinho-lutero-levou-biblia-as-pessoas/>. Acesso em: 24/08/2017.

 

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Veja também:

Vídeo do Rev. Hernandes Dias Lopes: O papado à luz da Bíblia e da História”

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