Conhecendo (um pouco) a terra de meus pais

Já tenho 61 anos de idade e sempre quis conhecer a terra de meus pais, sem nunca ter, até agora no final de 2017, a oportunidade de fazê-lo. O momento chegou mais por insistência de meu pai, ao longo de seus quase 90 anos (ou mais, uma vez que seu ano de nascimento nos documentos, 1930, não é confiável), que me pediu insistentemente: “Alcides, me leva à Minas”.

1. Vargem Grande do Rio Pardo

Vargem Grande do Rio Pardo do Estado de Minas Gerais. Os habitantes se chamam vargengrandenses. O município se estende por 491,5 km² e contava com 4.733 habitantes no último censo [2010]”[1]

Mapa de Vargem Grande do Rio Pardo - MG, 39535-000

Vargem Grande do Rio Pardo (MG) e seus arredores

O pequeno município de Vargem Grande do Rio Pardo, no extremo norte do estado de Minas Gerais, pertence à região do Alto Rio Pardo e microrregião de Salinas. Possui uma área de 494,089 km2[2] e uma população de “cinco mil habitantes[3] (AMORIM: 2016, p. 146). A vegetação e o clima semiárido do lugar assemelham-se à região Nordeste do país, além de chover pouco. Por fazer parte dos 15 municípios que abrangem o Alto do Rio Pardo, Vargem Grande possui uma “… área de transição entre os biomas Cerrado e Caatinga[4].

2. Nas “terras de mamãe”: alguns parentes…

Antes de Vargem Grande ser cidade / Era sertão, era mato. / Com doze anos de idade / Não tinha calçado um sapato  (…) O povo de Vargem Grande / Eu tenho em minha memória. / Merece colocar seu nome / Para ficar na história[5]

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Osvaldo Amorim

As terras de mamãe”. Esta expressão, dita por meu pai, Clemente Amorim, quando lá chegamos, marcou um desejo frustrado por parte dele, que estava com uma imagem de aproximadamente 60 anos atrás na cabeça. Ao chegarmos lá com ele, Eu (Alcides Amorim), minha esposa, Cícera, meu sobrinho Maykon e sua esposa Débora, estava tudo muito diferente aos seus olhos. Obviamente, as terras existiam, mas não eram mais de mamãe (isto é, de minha vó Chiquinha Amorim ou Francisca Clara de Amorim, mãe de meu pai), nem de nenhum de seus filhos, pois foram vendidas há muito tempo. Não invadidas, como aconteceu com outras regiões, mas vendidas, embora por baixo preço, segundo informações dadas por nosso primo Osvaldo de Amorim (foto), hoje, com quase 78 anos[6].

Além das “terras de mamãe”, muitos parentes, os quais meu pai queria ver, já tinham morrido. Alguns, como sua (nossa) prima Hilda Amorim, irmã de Osvaldo, com 94 anos, ainda está viva, e tivemos a oportunidade de conhecê-la.

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Hilda Amorim – 31.12.2017

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Renan Amorim e Exupério Amorim, 31/12/2017

Os parentes mais próximos, por parte de meu pai, que pude conhecer, no pouco tempo (apenas três dias) que estivemos na região, além de Osvaldo Amorim e sua irmã Hilda, revi também Renan Amorim (este eu já o conhecia), filho de Exupério Amorim, (irmão de minha avó Francisca Amorim), e (outro) Exupério Amorim. Renan, juntamente com seu/nosso primo Osvaldo Amorim, ocuparam cargos políticos na cidade por muito tempo, enquanto Exupério Amorim é pastor evangélico na cidade.

Este Exupério Amorim (na foto) é neto de (outro) Exupério Amorim, irmão de Francisca Clara de Amorim, minha avó, mãe de meu pai.

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Osvaldo Amorim e Clemente Amorim (meu pai), 1º/01/2018

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Vavá, filho de Hilda Amorim com Joel e Alcides, filhos de Zim.

Dos Amorim, conheci também Maria das Graças e Vavá, filhos de Hilda, além de rever meu xará Alcides Tavares de Amorim e seu irmão Joel, filhos de Manoel Tavares, conhecido como Zim. Estes parentes moram num bairro rural chamado Pintado, hoje município de Indaiabira.

 

 

Tive o imenso prazer, também, de rever e conhecer parentes, por parte de minha madrasta Alvina (segunda esposa de meu pai, já falecida), moradores de um bairro rural, chamado Brejo, que nos receberam com muito carinho. Estamos nos referindo à tia Anade Durvalino, e sua família, que nos acolheram com muito carinho.

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Acima, à esquerda, Ana de Durvalino com sua filha Maria Inês e
seu neto Anderson, e à direita, a Ana com sua neta Neliane e
suas filhas Marizete e Marlene. Abaixo, Valdir,  filho de Ana,
sua esposa Paula e sua irmã Tereza.
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3. Os Amorim e os Braz

Na E.E. João Dias Amorim / Quando um entra o outro sai. / Eu fico muito honrado / Ter o nome de meu pai. / Escola João Dias de Amorim / Ela é estadual. / A Escola Joaquim Braz Ribeiro / Esta é Municipal[7]

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Parte da instalação da E.E. João Dias de Amorim – Jan./2018

Dizer “terra de meus pais” é o mesmo que falar de meus parentes por parte de meu pai e de minha mãe. É o que ocorre em Vargem Grande do Rio Pardo: a existência de duas grandes famílias: os Amorim e os Braz. Na cidade, há, por exemplo, duas vilas com estes nomes: Vila Amorim e Vila Bras, além da existência de duas escolas com os mesmos nomes: Escola João Dias de Amorim, (foto), em homenagem ao meu tio-avô, e Escola Joaquim Braz Ribeiro, ligada a meus parentes maternos. Infelizmente, não consegui nenhuma informação de quem foi Joaquim Braz Ribeiro.

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João Dias de Amorim, em foto de 1955[8], e as ruínas de sua antiga casa – Janeiro/2018.

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Dalvina Braz de Amorim – 31/12/2017

Vê-se que a referida cidade de Vargem Grande do Rio Pardo é marcante pela existência de parentes meus, paternos e maternos. Do lado materno, no entanto, dado ao pouco tempo que por lá passamos, não consegui conhecer quase ninguém, exceto uma casa, onde encontrei a senhora Dalvina Braz de Amorim, que a julgar pelo nome já sintetiza a união destas duas famílias: Amorim e Braz. Ou seja, minha breve viagem me deixou com um desejo de “quero mais”, isto é, querendo voltar à região outra vez…

 

 

Notas:

  • [1] Município de Vargem Grande do Rio Pardo. Disponível em: <http://www.cidade-brasil.com.br/ municipio -vargem-grande-do-rio-pardo.html>. Acesso em: 17/01/2018.
  • [2] Informações disponíveis em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Vargem_Grande_do_Rio_Pardo>. Acesso em: 15/01/2018.
  • [3] AMORIM, Osvaldo Braga. Minha vida em versos. Montes Claros (MG): Millennium, 2016, pp. 12 e 69. Este livro, escrito em versos, em formato de “Literatura de Cordel”, é uma referência acerca dos antepassados dos moradores do pequeno município em referência, além de detalhes históricos e geográficos da região.
  • [4] TC Alto Rio Pardo (MG). Disponível em: <http://www.bemdiverso.org.br/territ%C3%B3rios/tc-alto-rio-pardo-mg>. Acesso em 17/01/2018.
  • [5] AMORIM: 2016. Op. Cit., pp. 12 e 69.
  • [6] Foto de perfil de FACEBOOK (https://www.facebook.com/osvaldo.amorim.16). Osvaldo Amorim, primo de primeiro grau de meu pai, nasceu em fevereiro de 1940. Acesso em: 15/01/2018.
  • [7] AMORIM: 2016. Op. Cit., pp. 81.
  • [8] Idem: p. 15. João Dias de Amorim, em foto de 1955.

 

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7 respostas a Conhecendo (um pouco) a terra de meus pais

  1. Obrigado, Maykon, e também à Débora, pela presença de vocês na viagem (um tanto tumultuada kkk) e pelas suas palavras… Abraços!!!

  2. Maykon Henrique de Amorim Justino disse:

    Parabéns pelas palavras muito bem escritas !
    Fico feliz por ter participado, tanto do documentário quanto da viajem.

  3. Maykon Henrique de Amorim Justino disse:

    Parabéns pelas palavras muito bem escritas !
    Fico feliz por ter participado, tanto do documentário quanto da viajem.

  4. Obrigado, querida… Bondade sua… Beijos!

  5. Cícera Amorim disse:

    Muito bom este artigo feito pelo o meu esposo, professor Alcides Barbosa de Amorim.

  6. Olá, prima, não sabia que o finado tio Vicente, seu pai, era da mesma região. É bom conhecer os parentes…

  7. Nereide Amorim Gomes Cardoso 085.112.858-06 disse:

    Parabéns pela pesquisa de campo.Minha mãe nunca quis retornar, dizia que não iria encontrar mais nada e ficaria triste.Recebi minhas tias por parte de pai ,fiquei com vontade de ir,pois disseram-me que iria ver árvores plantadas por meu pai.As terras estão na família. Feliz por vc que levou o tio em seu lugar.

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