Evangélicos, pentecostais e carismáticos na mídia radiofônica e televisiva

Resenha crítica apresentada na disciplina Mídia e Protestantismo Brasileiro do Curso de Pós-graduação em História e Teologia do Protestantismo no Brasil, da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, como uma das avaliações do curso.

CAMPOS, Leonildo Silveira. Evangélicos, pentecostais e carismáticos na mídia radiofônica e televisiva. São Paulo: Revista USP, nº 61, p. 146-163, março/maio de 2004.

Leonildo Silveira Campos é professor no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, onde coordena o Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Sociologia do Protestantismo (Gipesp). É autor de Teatro, Templo e Mercado: Organização e Marketing de um Empreendimento Neopentecostal. São Paulo: Vozes; Simpósio, Umesp, 1997.

No artigo Evangélicos, pentecostais e carismáticos na mídia radiofônica e televisiva, Leonildo Silveira Campos faz um retrospecto histórico de como os evangélicos se despertaram para o uso dos modernos meios de comunicação social e como se deram os investimentos dos mesmos no rádio, além de apresentar uma síntese histórico-descritiva de como se deu a ocupação de partes da mídia televisiva brasileira pelas igrejas neopentecostais, particularmente a Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus e Apostólica Renascer em Cristo.

Considerando “evangélicos”, de forma geral, todos os cristãos, sucessores da Reforma Protestante do século XVI, Campos destaca o uso da tecnologia da comunicação social por parte destes, mais do que o fizeram os católicos, uma clara demonstração da comunicação como propulsora da força ‘evangelizadora’ do protestantismo e um sinal de modernidade. Além disso, a comunicação serviu para propagar a ‘pureza da igreja’ que teria sido maculada pelo processo de ‘paganização’, principalmente durante a Idade Média.

Acho oportuno destacar aqui o aperfeiçoamento da imprensa, em 1450, pelo alemão Johannes Gutemberg, como uma das contribuições do Renascimento Cultural e Científico do século XV. Faço uso do termo “aperfeiçoamento” porque a “… técnica de imprimir com caracteres móveis é, na verdade, asiática, e muito mais antiga. Tudo começou com a criação do papel, obra de chineses no ano 105[1]. Mas, com o desenrolar da Reforma Protestante, a imprensa foi extremamente útil para a propagação da literatura cristã protestante, a começar pela Bíblia de Lutero.

“O protestantismo: a religião do livro”…

Na sua opinião, a Idade Média é considerada a “pré-história da comunicação escrita” que antecede ao sola scriptura dos reformadores do século XVI. No decorrer do seu artigo, Campos dá destaque a essa popularização dos livros pelos evangélicos.

Nos séculos XVI e XVII, a divulgação de Bíblias e livros religiosos teve grande influência no Rio de Janeiro, com os huguenotes franceses, e no nordeste brasileiro, com os missionários holandeses.

São Luís, capital do Maranhão, teve origem com os franceses que se estabeleceram em Upaon-Açu (‘Ilha Grande’), então habitada pelos tupinambás. A colônia francesa (1612-1615) tinha quatro frades capuchinhos, mas era governada pelo protestante Daniel de La Touche (1570-1631). O busto e a placa em destaque se encontram no seu centro histórico”[2].

O legado deixado pelos holandeses foi extremamente importante, fato reconhecido até pelos padres católicos da época, ao afirmar que este legado “… criou uma mentalidade cristã reformada nos nativos do Brasil”[3]

Nos séculos XVIII e XIX, a divulgação da literatura cristã alcança praticamente todo o país, incluindo também o trabalho de outros grupos como adventistas, mórmons, russelitas e os pentecostais, no início do século XX. Tudo isto, somado ao ardor proselitista anticatólico dos evangélicos, além da ênfase messiânica e milenarista na esperança do retorno de Cristo à Terra.

No início do século XX, a influência da literatura protestante era notória no Brasil. Interessante a declaração de Paulo Honório, personagem do livro São Bernardo, de Graciliano Ramos (1934), que tem proximidade com o catolicismo por ser a religião do povo, mas aprende a ler através de uma bíblia…

Então o delegado de polícia me prendeu, levei uma surra de cipó de boi, tomei cabacinha e estive de molho, pubo, três anos, nove meses e quinze dias na cadeia, onde aprendi leitura com o Joaquim sapateiro, que tinha uma bíblia miúda, dos protestantes [4].

Após a Segunda Guerra Mundial, o chamado “pentecostalismo da cura divina” e outros pentecostais tornam a religiosidade brasileira pluralista e competitiva, abrindo caminho para as disputas radiofônicas e televisivas que se seguem, por espaços políticos e midiáticos.

A ‘queda’ dos evangélicos pela mídia tem como referência de origem os EUA. Tanto lá, como no Brasil, a nova estratégia de divulgação da fé protestante significou uma passagem da palavra falada para a mídia radiofônica.

O protestantismo e o rádio…

O rádio foi descoberto pelo italiano Guilherme Marconi no final do século XIX (1893) e desde seu início a religião esteve presente em suas programações, como na primeira transmissão radiofônica experimental nos EUA em 24 de dezembro de 1906, com apresentação de mensagens religiosas, entre elas ‘O Holy Night’; e depois, com a estreia dos evangélicos, em rádio comercial em Pittsburg, 1920, através da Calvary Episcopal Church.

Um quadro da difusão do rádio nos EUA mostra como seu crescimento foi rápido:  em 1992, havia 382 emissoras de rádio; em 1925, 600 emissoras; e em 1927, 732 emissoras. Em 1925, por exemplo, 10% delas pertenciam ou estavam ligadas a movimentos religiosos.

Na América Latina, o rádio foi também muito útil para as pregações evangélicas, principalmente em emissoras como as do Quito, no Equador (Voz dos Andes) e Antilhas Holandesas (pela Rádio Trans Mundial).

No Brasil, desde os anos 50, o rádio era um instrumento de divulgação evangélica, começando pelo Pastor presbiteriano, o Rev. José Borges dos Santos Jr., com o programa Meditação Matinal, na Rádio Tupi de São Paulo, onde permaneceu até o final dos anos 70. Em 1969, por exemplo, havia 64 programas radiofônicos evangélicos na Grande São Paulo, e destes, 34,3% eram pentecostais; 9,3%, adventistas; 9,3%, presbiterianos; 12,5%, batistas e 34,3%, de outras denominações não especificadas.

Sobre os adventistas, o seu programa de rádio A Voz da Profecia, também de origem norte-americana, tornou uma marca peculiar do trabalho da denominação no Brasil. Alguns dados mostram este sucesso: em 1961, contava com 184 emissoras; em 1964, 327 emissoras; e em 2004, 345 emissoras. O programa ficou quatro décadas sendo apresentado por Roberto Rabelo e com o conjunto masculino Arautos do Rei. Outro programa adventista, o Fé para Hoje, também é apresentado no Brasil, contando em 2004, com 700 mil pessoas assistindo semanalmente a esse programa.

E sobre os pentecostais?

Destaque aos programas da Igreja Assembleia de Deus, Deus é Amor, O Brasil para Cristo, Evangelho Quadrangular e aos neopentecostais, especialmente da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Mas o uso do rádio por parte dos pentecostais teve seu início dos anos 50, após a visita dos missionários Harold Williams e Raymond Boatright, fundadores do trabalho das “tendas divinas”, e o clima de curas divinas que influenciaram os missionários Manuel de Mello, fundador da igreja O Brasil para Cristo, e com o seu programa A Voz do Brasil para Cristo. Nesta época, as igrejas Assembleia de Deus e Congregação Cristã no Brasil até desestimulavam a posse de aparelhos de rádio ou de televisão. Por outro lado, o missionário David Miranda, fundador da Igreja Deus é Amor, a despeito de proibir[5] a TV a seus fiéis, incentiva-os a acompanharem o ‘consagrado homem de Deus’ através do rádio (e hoje, também na internet). Com o slogan e testemunhos do tipo ‘Conta a bênção irmão’ nas línguas portuguesa e espanhola, seu programa A Voz da Libertação, tem ecoado por toda a América Latina, através de centenas de horas diárias de programação radiofônica, transmitidas por cerca de 20 emissoras de propriedade do próprio grupo e por centenas de outras com horários comprados.

Os protestantes  na mídia televisiva…

Na mídia televisiva, os evangélicos também estão ligados aos Estados Unidos. E, mais do que o rádio, a televisão tem sido um grande veículo para alcançar as massas, embora, como afirma Campos, esteja atrelada à finalidade capitalista e a serviço da política

Os programas evangélicos televisivos tiveram início nos EUA. Nos anos 60, houve uma explosão de novos programas com participações de conservadores e carismáticos – igrejas históricas pentecostalizadas –, que coincide com a diminuição de membros nas denominações religiosas tradicionais e transições destes para comunidades alternativas, de feições fundamentalistas e pentecostal.

As chamadas igrejas eletrônicas, com grande força persuasiva, têm como pioneiros os pregadores Billy Graham e Oral Roberts. Cabe ressaltar, também, a influência destes evangelistas nem campanhas presidenciais como as de Jimmy Carter, Reagan Bush, Clinton e outros.

No Brasil, as maiores influências vieram dos tele evangelistas Rex Humbart e Jimmy Swaggart. Este último, conhecido como o pregador-cantor, se notabilizou no Brasil por ter recebido apoio das Assembleias de Deus. Depois de seu escândalo por envolvimento com prostitutas, perdeu o apoio desta igreja.

Outro pregador que merece destaque é Pat Robertson que, segundo Campos, teve muita influência na carreira de Edir Macedo. Ele começou as suas atividades na TV em 1961. Criou o famoso 700 Club, combinação de pregação fundamentalista, batista, a crença em milagres e prodígios, com a busca da saúde e prosperidade por meio da fé.

Portanto, estes tele-evangelistas, citados acima, e outros, tiveram uma forte influência sobre os homens que mais se destacaram na mídia televisiva evangélica brasileira: Nilson Amaral Fanini, Edir Macedo, Caio Fabio Filho, Romildo Ribeiro Soares e Estevan Hernandes.

A programação protestante brasileira na TV, tendo como referência o exemplo dos tele-evangelistas norte-americanos, inicia com a experiência da Igreja Batista de Vila Mariana, na pessoa do Rev. Rubens Lopes, através do programa Um Pouco de Sol, em 1969, no ar há mais de 35 anos (dados de 2004). E no Rio de Janeiro, também no início dos anos 80, o batista Nilson do Amaral Fanini apresentava um programa de TV, chamado Reencontro, que chegou a ser transmitido por 88 emissoras, estendendo suas mensagens para os telespectadores, lotando estádios, como aconteceu, por exemplo, em 1982, conseguiu levar para o Maracanã mais de 120 mil pessoas, inclusive o último presidente do ciclo militar, general João Figueiredo. Com o tempo, por causa de enormes dívidas, Fanini precisou vender sua participação majoritária (75%) na TV, sendo comprador, o Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Nos anos 90, a televisão brasileira é ocupada por líderes neopentecostais como o já citado Edir Macedo, Romildo Ribeiro Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus (1977) e o casal Estevan Hernandes e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo (1986).

A Igreja Universal do Reino de Deus foi fundada em 1977, por Edir Macedo e seu cunhado Romildo Ribeiro Soares, depois que ambos se desligaram da Igreja Cristã Nova Vida, no Rio de Janeiro, onde frequentavam. Mas, em 1980, seu cunhado Romildo, que passa a ser conhecido como R.R. Soares, separa-se dele e funda a Igreja Internacional da Graça de Deus. Na verdade, o viés “teológico” da prosperidade material de Edir Macedo foi herdado, originalmente, de sua ex-Igreja, precursora na pregação da Teologia da Prosperidade no Brasil, cujo fundador foi o canadense Walter Robert McAlister (…) A separação entre Edir Macedo e R.R. Soares, em 1980, se deu, entre outros fatores, por causa da implantação da IURD em Nova Iorque, decisão que contrariou este último (…) Para esta igreja, cabe bem a frase: ‘grandes igrejas, excelentes negócios!’. Alguns analistas econômicos, inclusive, costumam fazer uma associação à máxima de Benjamin Franklin, ‘tempo é dinheiro’, para ‘templo é dinheiro’, ao considerarem o império de Edir Macedo. Os seus templos, além da Rede Record, seus livros e publicações em geral, são canais geradores de riqueza, um verdadeiro negócio – business[6].

Não dá para negar a relação dos programas televisivos neopentecostais, com ênfase na Teologia da Prosperidade e com objetivos empresariais-comerciais, como os de Edir Macedo, e R.R. Soares, o ‘Show da Fé’. São verdadeiros empreendedores que, na prática, suas teologias fogem, e muito, da tradição protestante. No site oficial da IURD, Arca Universal, (Op. Cit.), podemos resumir alguns de suas campanhas que saem da TV e chegam aos seus templos como: Reunião da Prosperidade; Sessão do Descarrego; Reunião de Libertação; Jejum das Causas Impossíveis; Noite da Salvação; Encontros do Raabe. E em muitas destas campanhas há também uma forte dose intolerância aos cultos afros, mas ao mesmo tempo há um sincretismo com estes mesmo cultos ao fazerem associação, por exemplo, com ritos mágicos ‘de descarrego’, falando de ‘pai das luzes’, ‘ponto de luz’ etc., verdadeiras mensagens subliminarmente inevitáveis. Os programas apresentam os bens, e os templos são os locais de vendas destas “bênçãos”: manto branco sagrado, pedra abençoada…

Mas, e se estas campanhas não funcionarem? Bem, neste caso faltou fé no fiel (ou infiel?). Ou seja, por todos estes “arranjos” teológicos midiáticos, criados pela IURD, sob a ótica da tradição protestante, chamar Edir Macedo de bispo “protestante” e sua igreja de “Igreja Cristã”, apesar do slogan Jesus Cristo é o Senhor, escrito nas portas de seus mega-templos, é “…  fazer tremer o Muro da Reforma, em Genebra, e os ossos de Lutero e Calvino em seus túmulos [7].

Concluindo, observamos a forte relação da mídia brasileira com programas norte-americanos, mas no Brasil, nos últimos 30 anos, monopolizada por líderes neopentecostais como Edir Macedo, R.R. Soares e, ultimamente, acompanhado, também por Silas Malafaia, líder que está cada vez mais se neopentecostalizando e tomando gosto por business. Sobre este último, cabe um capítulo à parte é assunto, também, de artigo de Gedeon ALENCAR[8].

Diante da globalização do marketing religioso, cada vez mais novos programas com suas ideologias emergem, criando, no dizer de Campos, novos perfis de crentes e agente pastorais. Uma visão de mundo, como um enorme shopping center, tende a fundir templo e mercado assim como religião e entretenimento. Os programas radiofônicos ou televisivo, e agora, também as redes sociais, se apresentavam como divulgadores de seus ‘produtos’ – bênçãos, os templos ou mercados (lojas ou internet) como são fornecedores destes produtos e os novos crentes, como consumidores…

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Veja também: A Igreja Universal do Reino de Deus e seus sincretismos.

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Referências bibliográficas:

  • ALENCAR, Gedeon. A dupla “função social” do pastor Silas Malafaia. Disponível em: <http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=1034>. Acesso em 21/08/2015.
  • ________. Pentecostalismo Hi-tech: uma janela aberta, algumas portas fechadas. Disponível em: <http://periodicos.est.edu.br/index.php/nepp/article/viewFile/171/260>. Acesso em 21/08/2015.
  • ARCA UNIVERSAL. Disponível em: <http://www.acidigital.com/seitas/reinodeus.htm>. Acesso em 26/09/2014.
  • BABIERI Jr., Walter. A Troca Racional com Deus. PUC-SP, 2007; CAMPOS, Leonildo Silveira. Evangélicos, pentecostais e carismáticos na mídia radiofônica e televisiva. São Paulo: Revista USP, nº 61, p. 146-163, março/maio 2004.
  • CAVALCANTI. Robinson. Pseudo-pentecostais: nem evangélicos, nem protestantes. Ultimato. Viçosa-MG, 2008.
  • SILVA, Clemildo Anacleto da & RIBEIRO, Mario Bueno. Intolerância religiosa e direitos humanos: mapeamento de intolerância. Porto Alegre: Sulina/Metodista, 2007.
  • TAKEDA, Anna Carolina Botelho. Paulo Honório e o espaço social. Disponível em: <http://www.revista.ueg.br/index.php/vialitterae/article/view/3550>. Acesso em 18/08/2015.

 

Notas:

[1] “… o alemão Gutenberg (… ) mudou definitivamente o mundo, em todas as suas dimensões: política, econômica, social e religiosa. Por sua enorme contribuição, Gutenberg pode ser chamado de pai da tipografia moderna. O primeiro fruto de seu trabalho foi uma bíblia impressa em Mogúncia, entre 1425 e 1456. Foi o primeiro livro produzido na Europa com a ajuda de caracteres móveis, com tiragem de 180 exemplares. Ainda existem 48 conservados, em museus e bibliotecas mundo afora. Como consequência do julgamento e como compensação pela dívida, Fust ficou com a impressora, os tipos e as bíblias já completas, ou seja, todo o negócio de Gutenberg.” TOSSERI, Olivier. Gutenberg não inventou a imprensa. Artigo disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/gutenberg_nao_inventou_a_imprensa.html>. Acesso em 15/08/2015.

[2] PROTESTANTISMO e História. Livro Protestantismo e História. Nota do Facebook, em 22/06/2015.

[3] Cf. SILVA, Clemildo Anacleto da & RIBEIRO, Mario Bueno. Intolerância religiosa e direitos humanos: mapeamento de intolerância. Porto Alegre: Sulina/Metodista, 2007, p. 95.

[4] TAKEDA,  Anna Carolina Botelho. Paulo Honório e o espaço social. Disponível em: <http://www.revista.ueg.br/index.php/vialitterae/article/view/3550>. Acesso em 18/08/2015.

[5] Assunto desenvolvido, também, por Gedeon ALENCAR.  Ao comentar de ‘rito de reforço’, termo sociológico que relaciona poder ou autoridade com sua instituição, GEDEON faz uma comparação do termo com a Igreja Deus é amor. O site criado pela IPDA, foi/é um excelente portal que relaciona a instituição “Deus é amor” à figura de seu fundador (autoridade instituída – o “consagrado homem de Deus”), David Miranda. No site, “… o fiel vai ver exclusivamente o conteúdo dele. E nele tem ‘tudo’ o que o fiel da igreja precisa”, sem precisar buscar nos concorrentes… In: Pentecostalismo Hi-tech: uma janela aberta, algumas portas fechadas. Disponível em: <http://periodicos.est.edu.br/index.php/nepp/article/viewFile/171/260>. Acesso em 21/08/2015.

[6] Informações extraídas de ACIDIGITAL. Igreja Universal do Reino de Deus. Lima-Peru (Online) e ARCA UNIVERSAL (Site Oficial da IURD); BABIERI Jr., Walter. A Troca Racional com Deus. PUC-SP, 2007; CAVALCANTI. Robinson. Pseudo-pentecostais: nem evangélicos, nem protestantes. Ultimato. Viçosa-MG, 2008. Disponíveis em nosso artigo, in: A Igreja Universal do Reino de Deus e seus sincretismos. A citação deste artigo (?) tem o objetivo de apenas fazer referência de autores, descritos nas Referências bibliográficas, mas não se trata de artigo publicado em site de renome reconhecidamente e sem a apreciação de nenhum de meus professores.

[7] Cf. CALVACANTI. Para ele, a Igreja Universal “… não é uma Igreja protestante ou evangélica, por não ter nenhuma relação teológica, confessional ou ética com qualquer das expressões da Reforma, mas se constitui em uma seita para-protestante (…) Não é uma igreja pentecostal, e não deve ser chamada de neo-pentecostal, porque além dos pentecostais serem protestantes, não há qualquer semelhança entre os dois grupos, antes posições até antagônicas.” (CAVALNTI, 2008). In: A Igreja Universal do Reino de Deus e seus sincretismos.

[8] Por exemplo, em seu artigo A dupla “função social” do pastor Silas Malafaia. Disponível em: http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=1034. Acesso em 21/08/2015.

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5 respostas a Evangélicos, pentecostais e carismáticos na mídia radiofônica e televisiva

  1. Anna Carolina disse:

    Alcides, adorei ler as suas palavras. Acho que nesse texto escrito por mim há muito radicalismo, embora, a meu ver, também muita verdade. Eu concordo com você sobre a salvação de muitas pessoas pela fé e religiosidade e também concordo que entre os religiosos existem muitas pessoas boas e bem intencionadas. Estive lendo sobre a participação de um segmento da igreja católica na ditadura militar de 1964. A participação deles num determinado momento foi imprescindível para salvar a vida de muitas pessoas. Acho que da mesma maneira como você cita sobre os homens salvos hoje.
    Eu costumo ter muita fé na ciência, ou melhor, no bom uso dela, pois na contradição do vasto mundo, eu sou otimista em relação à humanidade. Um grande abraço e obrigada pelo belo espaço para discussões.

  2. Obrigado, Anna Carolina Botelho Takeda, pelo seu comentário! Você diz que “Esse Deus colabora para o enfraquecimento dos homens”. Suponho que você esteja se referindo ao Deus em quem os cristãos e judeus creem. Mas, eu acho o contrário, são homens, como os que você menciona no seu comentário, que colaboram para “o enfraquecimento de Deus”. Aliás, “deus” (com “d” minúsculo). Esses homens usam sua “religiosidade” para enriquecimento próprio (e ilícito), obtenção de privilégios econômicos, políticos etc. Mas esta não é a escolha de milhões de cristãos pelo Brasil. Felizmente! Veja o que escrevi, um pouco antes de ler seu comentário, na minha página do FACEBOOK (Alcides Barbosa de Amorim), hoje 25/11, de uma igreja brasileira que tem cooperado para a inclusão de milhares de negros (entre outros grupos sociais) que alcançaram a razão de viver, ao ouvir falar e aceitar a Deus, no nosso caso, a JESUS, o Deus encarnado, que “habita” entre os homens, mas não em TODOS os homens. Interessante, também, que um pouco depois de ler seu comentário, a campainha de minha casa tocou! Era um jovem, negro e aparentando ter uns 17 anos, (quase) ex-viciado em drogas, que no momento está numa casa de recuperação, há dois meses, mantida por pessoas, entre elas, pastores (pobres), que procuram ajudar, e ajudam, muitos jovens como ele a “mudarem” de vida. O jovem que me procurou, me disse: “já estou quase liberto e feliz com Jesus”. Bem, este é apenas um exemplo entre milhares. Eu acredito, como dizia Ariano Suassuna, “nos benefícios da ciência”, e é por isto que estudei e continuo estudando ciências humanas. As ciências ajuda, e muito, as pessoas… Mas lhe afirmo que minha “crença” na ciência não me traz muita esperança de “dias melhores” nesta terra, embora defendo, também, que não devemos ser “passivos” contra a injustiça de toda sorte, inclusive a religiosa. Estou bastante descrente nos homens, incluindo muitos religiosos. Mas casos como o jovem negro citado acima, os milhares aos quais fiz referência no “FACE” hoje, e o testemunho de milhões que tiveram suas vidas transformadas (entre os quais eu me incluo) nos dá a segurança e a certeza de que dias melhores (não nesta terra) virão. Nosso Mestre Jesus disse que seu Reino não é deste mundo…
    Só mais uma palavrinha: bancada evangélica, Edir Macedo e outros figurões midiáticos como fiz referência na resenha (onde cito seu importante trabalho), não me representam e a muitos cristãos deste país. Abraços!

  3. Oi, procurando o meu nome na net, cheguei a este texto em que sou citada. Por coincidência, quando o grande templo da Igreja Universal foi inaugurado, escrevi esse texto que publicarei abaixo. Achei interessante publicá-lo aqui para podermos dar sequência a esse debate tão caro à atualidade. Segue o texto.

    Esse Deus colabora com o enfraquecimento dos homens!

    Proliferação de igrejas, shoppings, agências bancárias, concessionárias de carro e condomínios fechados. Vejo isso na minha cidade de origem – Bauru – e sempre reclamo, e sempre sou a chata, a rabugenta, a que pôde ver outras coisas e fica todo tempo comparando.
    Pergunto-me como as pessoas podem achar normal uma cidade que cresce dessa maneira, tendo seus cinemas transformados em igrejas, suas calçadas em paredões de condomínios fechados, suas casas em quartéis generais com cercas elétricas que separam os vizinhos, os homens, a rua…
    Julgo tudo isso ser considerado normal por aqueles que lá passam todos os dias, porque a eles foi negado o direito de crítica. Digo isso, pois a mim também foi negado esse direito. Com péssimas escolas em que os professores eram em sua maioria apenas bem intencionados, sem formação intelectual consistente que permitisse a eles nos levar para uma caminho da libertação que somente o conhecimento é capaz, fomos aceitando as ideologias vendidas pela televisão, o consumo de carrões e os dogmas das muitas igrejas que proliferaram pelos rincões da cidade.
    Para me entenderem melhor, explico que julgo por boa educação aquela que forma um cidadão, ou seja, que lhe ensina de modo crítico a história, a geografia, a filosofia, a literatura, a biologia, a matemática, os sistemas que regem a humanidade e até mesmo as religiões. Essa educação que nos permite olhar o nosso entorno e questioná-lo cientificamente, levando-nos a transformá-lo – impulsionando os homens a serem agentes da sua cidade, da sua história. Essa escola ainda não existe no Brasil como regra, apenas como exceção.
    Ao contrário dessa educação libertadora, temos as igrejas que florescem e não educam, não ensinam sobre a vida dos homens, não ensinam sobre a história dos homens, não ensinam aos homens a se defenderem do cotidiano que oprime. Essa Igreja imobiliza, tira a liberdade dos mesmos ao pedir que acreditem em suas ficções, impondo-lhes que tomem uma verdade única – a contra mão da ciência.
    Cansei de ouvir sobre a força de Deus na minha infância e rebato agora com mais clareza. Desculpem-me os crentes, mas Deus não está vendo, Deus não sabe o que faz. Quem sabe o que faz são os homens, os banqueiros que nos dominam, os proprietários de terra, os donos de shoppings, os patrões das concessionárias, o Edir Macedo e o Papa porque eles sabem que as doutrinas religiosas formam pessoas dóceis, submissas, domináveis, fáceis de serem controladas porque pregam que a luta se estabelecerá em outra dimensão – no pós morte, no reino divino. Escutando os religiosos percebo que esse perfil de crença é como um véu sobre os olhos que impossibilita uma visão mais crítica do mundo.
    O que me preocupa ainda mais é que essa mentalidade religiosa, vide o luxurioso e faraônico templo do Edir Macedo, cresce, cresce na mesma medida das concessionárias de carro, dos shoppings, dos condomínios, das cercas elétricas, das péssimas faculdades, das horripilantes escolas. O crescimento das igrejas não é um fenômeno isolado. Ele está em comunhão ao nosso embrutecimento, a nossa alienação, à mediocridade fundamental para que estejamos sob controle.
    ***
    A minha crença é no homem, na educação política, na ciência que modifica a vida para melhor! A minha crença é na luta cotidiana que devemos travar contra essa passividade que nos mata, que nos tira as palavras, que nos deixa sem argumento e à mercê de qualquer ideologia.

  4. Sheila disse:

    Esclarecedor..

  5. juracy de lourdes gomes pereira disse:

    QUANTA informação eu aprendi através desse artigo,estou aprendendo agora com o SR Alcides as diferanças entre os protestantes,os crentes,muito bom ,obrigada caro mestre.

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