A era inconclusa (V): o Protestantismo nos Estados Unidos

In:

GONZÁLEZ, Justo L. E até aos confins da Terra: uma história ilustrada do Cristianismo: a era inconclusa – Vol. 10. São Paulo: Vida Nova, 1995, pág. 081 a 105.

“Reconhecemos nossas responsabilidades cristãs de cidadania. Devemos, portanto, desafiar a confiança que a nação erroneamente deposita no poder econômico e militar […] Devemos resistir à tentação de tornar a nação e suas instituições objetos de lealdade quase religiosa.” (Declaração de Chicago)

Da Primeira Guerra Mundial à Grande Depressão

Mesmo estando envolvidos na Primeira Guerra, os Estados Unidos não sofreram as mesmas consequências de longo alcance vistas na Europa. Isso se deve principalmente ao fato de os EUA não terem entrado na guerra senão na fase final e, ainda assim, sem que suas terras servissem de palco às batalhas. De modo geral, a maioria dos americanos foi poupada de ver com os próprios olhos a destruição e o derramamento de sangue; e o sofrimento da população civil americana não se comparou ao dos civis europeus. Embora durante muito tempo a opinião pública estivesse favorável a manter a nação fora do que parecia ser um conflito europeu, tão logo os Estados Unidos declararam guerra, todo o acontecimento foi visto como uma questão de glória e de honra. As igrejas, que até 1916 haviam apoiado o movimento pela paz, uniam-se agora na retórica da guerra. Liberais e fundamentalistas falavam da necessidade de “salvar a civilização”, e alguns dos fundamentalistas mais radicais começaram a interpretar os acontecimentos da época como o cumprimento das profecias de Daniel e Apocalipse. Exceto nas denominações tradicionalmente pacifistas – menonitas e quacres –, a febre da guerra e o chauvinismo nacional eram a ordem do dia, a ponto de em alguns púlpitos clamar-se, em nome de Deus, pela exterminação absoluta do povo alemão. Naturalmente, isso criava sérias dificuldades para aqueles americanos de ascendência alemã que, por alguma razão qualquer, achavam ser necessária uma postura mais moderada – Walter Rauschenbusch entre eles.

A falta de reflexão crítica sobre a guerra e suas causas teve graves consequências nos anos posteriores. Primeiramente, a esperança do Presidente Woodrow Wilson por um pacto mediante o qual os derrotados fossem tratados de maneira razoável, a fim de evitar acrimônia e novos conflitos, foi esmagada tanto pela ambição dos aliados vitoriosos quanto pela falta de apoio de sua própria nação. Em segundo lugar, seu projeto de uma Liga de Nações que proporcionaria um foro para resolver conflitos internacionais foi tão mal recebido, em um país convencido pela retórica da guerra, que os Estados Unidos nunca entraram na Liga das Nações. Embora muitos líderes eclesiásticos já estivessem tentando desfazer o preconceito que haviam alimentado durante a guerra, eles descobriram que seu pedido de amor e compreensão não era tão bem acolhido quanto fora a mensagem anterior de ódio e discriminação.

Resultado de imagem para Billy SundayUm pouco em razão da guerra, os Estados Unidos iniciaram outro período de isolamento, de medo de tudo o que fosse estrangeiro e de eliminação do dissentimento. Durante a década de vinte, ao colocar católicos e judeus com os negros, como se fossem os grandes inimigos do cristianismo americano e da democracia, a Ku Klux Klan experimentou um reavivamento e um aumento sem precedentes no número de membros, tanto no norte quanto no sul. Não foram poucos os líderes religiosos e as igrejas que contribuíram para esse movimento. Foi a época dopavor vermelho, a primeira de uma série de perseguições a radicais, comunistas e subversivos que varreram os Estados Unidos ao longo do século XX. Pondo lenha na fogueira e beneficiando-se disso, muitas igrejas apresentaram a si próprias e à fé cristã como a principal linha de defesa contra a ameaça vermelha. O famoso evangelista Billy Sunday afirmou que a deportação de “radicais” era uma punição demasiado complacente e teria um custo muito alto para a nação. Em vez disso, sugeria que fossem alinhados e fuzilados.

Alguns cristãos, sobretudo nas principais denominações, organizaram comitês e campanhas de oposição a essas tendências. Frequentemente, tais comitês cobravam a aprovação das sedes denominacionais. Surgiu assim um fenômeno que durante décadas caracterizaria muitas denominações principais: a ruptura, na teologia e na política, entre uma liderança nacional de tendências liberais e uma parte significativa do povo que se sentia mal representada por seus próprios líderes denominacionais.

Resultado de imagem para J. Gresham MachenNo período pós-guerra, o conflito entre liberais e fundamentalistas exacerbou-se. De fato, essa foi a época do famoso “Processo Scopes” [O julgamento do macaco], que simbolizou o ponto alto do esforço fundamentalista por excluir das escolas públicas o ensino da teoria da evolução. Quase todas as denominações estavam divididas quanto à questão do fundamentalismo – particularmente quanto à inerrância das Escrituras, que já se tornara a marca da ortodoxia fundamentalista. Em anos posteriores, essas divisões causariam um cisma aberto. O trabalho do professor de Princeton J. Gresham Machen, grande defensor do fundamentalismo entre os presbiterianos do norte, por exemplo, levou à fundação de um seminário concorrente e, por fim, da Igreja Presbiteriana Ortodoxa (1936).

Durante a década de vinte, porém, a maioria dos protestantes estava unida em torno de uma grande causa: a proibição de bebidas alcoólicas. Esse propósito logo angariou o apoio de liberais – para quem essa era uma aplicação prática do evangelho social – e de conservadores – para quem isso correspondia a uma tentativa de voltar aos tempos antigos, quando o país havia sido supostamente mais puro. Muitos associavam a embriaguez a todos os males que se dizia terem sido importados pela imigração de judeus e de católicos, apelando-se assim pera o mesmo preconceito contra estrangeiros, judeus e católicos que alimentou o crescimento da Ku Klux Klan. A campanha obteve êxito primeiro em diversas legislaturas estaduais, para depois atingir a Constituição Federal. Em 1919, com a Décima Oitava Emenda, a proibição tornou-se lei nacional, vigorando por mais de uma década.

Contudo, foi mais fácil aprovar a lei do que fazê-la cumprir-se. Os interesses comerciais, os gângsteres e os consumidores de bebidas colaboraram de diversas formas para infringir a lei. Aos males da bebida foram então acrescentados os da corrupção, promovidos por um comércio ilícito que se tornara desordenadamente proveitoso. Na época em que se revogou a lei, a crença de que “não se pode legislar a moral” havia-se tornado comum no pensamento americano. Essa visão, inicialmente popular entre os liberais que desistiram do ideal da proibição, mais tarde seria aceita também pelos conservadores que se opuseram às leis contra a segregação racial.

Ao longo dos anos da Primeira Guerra Mundial e da década seguinte, o estado de ânimo básico dos americanos foi de grandes expectativas. A guerra e suas tragédias eram memórias sombrias de uma terra distante. Nos Estados Unidos, o progresso era ainda a ordem do dia. Nas igrejas, ouvia-se muito pouco sobre a nova teologia que se desenvolvia na Europa, uma teologia que deixava para trás o otimismo das gerações anteriores. O pouco que se ouvia soava estranho, como se dissesse respeito a um mundo muito distante das alegres expectativas da “terra da liberdade e lar dos bravos”. Então veio o desastre.

Depressão e Guerra Mundial

Em 24 de outubro de 1929, o pânico tomou conta da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Com curtos períodos de ligeira recuperação, a bolsa continuou caindo até meados de 1930, quando a maior parte do mundo ocidental se encontrava em meio a uma grande depressão econômica. Um quarto da força de trabalho americana estava desempregado. A Inglaterra e outras nações tinham sistemas de seguro social e seguro-desemprego; nos Estados Unidos, o temor do socialismo impedira tais medidas. Assim, os desempregados viram-se completamente sós, forçados a pedir a caridade de parentes, amigos ou igrejas. As filas para receber sopa e pão gratuitamente tornaram-se comuns em todas as grandes cidades e em muitas localidades menores. As corridas aos bancos, as falências e as execuções de hipotecas atingiram um elevado recorde.

A princípio, o país enfrentou a Grande Depressão com o otimismo que caracterizara as décadas anteriores. Meses depois que a bolsa havia quebrado, o Presidente Hoover e seu gabinete continuavam negando a existência de uma depressão. Quando finalmente admitiram o fato, insistiram em que a economia americana era suficientemente forte para reagir sozinha, e que as operações livres da bolsa eram a melhor maneira de assegurar uma recuperação econômica. Embora o presidente fosse, ele próprio, um homem compassivo, que sofria com a situação difícil dos desempregados, a seu redor havia quem se alegrasse na esperança de que a depressão quebrasse os sindicatos trabalhistas. Quando o governo finalmente interveio para evitar outras falências na indústria e no comércio, o comediante Will Rogers gracejou, dizendo que o dinheiro estava sendo entregue aos que estavam por cima na esperança de que “escorresse para os necessitados”.

Tudo isso deu cabo do otimismo da década anterior. Embora os historiadores demonstrassem que a depressão que atingira os Estados Unidos no final do século XIX fora muito pior, os americanos estavam bem menos preparados psicologicamente para a Grande Depressão dos anos 30. Toda uma geração que nunca conhecera a carência e vira a promessa de que as coisas inevitavelmente melhorariam, de repente, viu seus sonhos desabarem. Numa época em que a sobrevivência estava em jogo, as promessas fáceis de um futuro róseo pareciam superficiais.

Resultado de imagem para H. Richard NiebuhrFoi então que teologias menos otimistas passaram a ter impacto nos Estados Unidos. A obra The Word of God and the word of man [A Palavra de Deus e a palavra do homem], de Karl Barth, publicada em inglês pouco antes do cracking de 1929, começou a fazer sentido para os americanos, em quem a Grande Depressão exerceu um efeito semelhante ao da Primeira Guerra Mundial sobre Barth e sua geração. A teologia dos dois irmãos Niebuhr, Reinhold (1892-1971) e H. Richard (1894-1962), veio para o primeiro plano. Em 1929, H. Richard Niebuhr publicou The social sources of denominationalism [As origens sociais do denominacionalismo], afirmando que, nos Estados Unidos, o denominacionalismo era uma adaptação do evangelho às diversas camadas socioeconômicas e raciais da sociedade, mostrando assim “a dominação da ética de uma igreja de classes auto preservadora no que diz respeito à ética do evangelho“. Sua conclusão, que soou ainda mais pungente pelo fato de o mundo se aproximar da pior guerra que jamais conhecera, foi que “um cristianismo que rende sua liderança às forças sociais da vida nacional e econômica não oferece nenhuma esperança para o mundo dividido“. Em 1937, seu livro The kingdom of God in America [O reino de Deus nos Estados Unidos] indiciou novamente esse tipo de religião, declarando que nela “um Deus sem ira trouxe homens sem pecado a um reino sem juízo, por meio das ministrações de um Cristo sem cruz“.

Reinhold niebuhr.jpgNesse ínterim, seu irmão Reinhold [Niebuhr], que até 1928 havia sido pastor da Igreja Evangélica Betel, em Detroit, chegou à conclusão de que o capitalismo desenfreado era destrutivo, e em 1930 juntou-se, com outros colegas, à Associação de Cristãos Socialistas. Ele estava convencido de que, deixada por conta própria, qualquer sociedade é moralmente pior e mais egoísta do que a soma de seus membros – concepção que expôs vigorosamente no livro Moral man and immoral society [O homem moral e a sociedade imoral]. Compartilhava, em reação ao liberalismo teológico, as dúvidas da neo-ortodoxia quanto às capacidades humanas, e logo comentou que um título mais correto para sua obra teria sido “O homem imoral e a sociedade ainda mais imoral“, querendo dizer que chegara o momento de os cristãos recuperarem uma visão equilibrada da natureza humana, que devia encerrar tanto uma compreensão mais profunda do pecado e de suas ramificações quanto uma concepção radical da graça. Ele procurou fazer isso em 1941 e em 1943, nos dois volumes de The nature and destiny of man [A natureza e o destino do homem].

Resultado de imagem para Paul TillichEm 1934, graças ao interesse e ao apoio de Reinhold Niebuhr, o teólogo alemão Paul Tillich passou a integrar, a seu lado, o corpo docente do Union Theological Seminary. Era a época da ascensão de Hitler na Alemanha, e Tillich, socialista moderado, foi um dos primeiros obrigados a deixar o país. Ele não era um neo-ortodoxo, mas sim um teólogo da cultura que usava a filosofia existencial para interpretar o evangelho e sua relação com o mundo moderno. Ao contrário do realce que Barth atribuía à Palavra de Deus como ponto de partida da teologia, Tillich propôs o que chamou “método de correlação”, que consistia em analisar as mais profundas questões existenciais dos homens modernos – sobretudo o que ele denominou “preocupação básica” – e depois mostrar como o evangelho reage a elas. Sua Systematic theology [Teologia sistemática] foi uma tentativa de lidar com os temas centrais da teologia cristã valendo-se desse método. Ele também era socialista e realmente aplicou uma revisão da análise marxista para tentar compreender as deficiências da civilização ocidental. Após se mudar para os Estados Unidos, porém, esse aspecto particular de seu pensamento foi obscurecido por seu interesse no existencialismo e na psicologia moderna. A depressão gerou uma crítica da economia do laissez-faire não apenas nas faculdades teológicas. Em 1932, a Igreja Metodista e o Conselho Federal de Igrejas (fundado em 1908 por 33 denominações) manifestaram-se publicamente em apoio da participação do governo no planejamento econômico e para prover meios que garantissem o bem-estar dos pobres. Isso era considerado socialismo radical, e logo viria a reação. Essa reação combinava elementos do fundamentalismo tradicional com concepções políticas antissocialistas – e às vezes fascistas. À medida que os líderes de diversas denominações principais convenciam-se da necessidade de um sistema de previdência social, seguro-desemprego e leis antitruste, muitos homens do povo moviam-se na direção contrária, acusando essa liderança de ter sido infiltrada pelo comunismo. À medida que a guerra se aproximava, uma parte significativa desse movimento aliou-se ao fascismo, e alguns de seus líderes chegaram a declarar que os cristãos deveriam ser gratos a Adolf Hitler, porque ele estava detendo o avanço do socialismo na Europa. Raramente se fazia alguma distinção entre o comunismo russo e outras formas de socialismo e, quando isso ocorria, todas eram consideradas igualmente ímpias.

A chegada de Roosevelt e do New Deal implementou muitas das medidas que os “socialistas” entre os líderes eclesiásticos vinham advogando. Alguns historiadores atribuem a salvação do sistema capitalista nos Estados Unidos às atitudes moderadas tomadas nessa época para o auxílio dos pobres e para a segurança da força trabalhista. De qualquer forma, embora o New Deal realmente tivesse melhorado as condições da classe pobre, a economia recuperava-se lentamente, e os últimos vestígios da Depressão só desapareceram em 1939, quando a nação se preparava mais uma vez para a guerra prevista. De certa forma, foi a guerra, e não o New Deal, que deu fim à Grande Depressão.

O país estava profundamente dividido no que diz respeito à possibilidade de entrar na guerra que já se estava sendo travada na Europa e no Extremo Oriente. Os que se opunham à guerra tinham razões diversas: alguns eram cristãos que ainda sentiam remorso pelo militarismo e pelo nacionalismo desenfreados manifestos na guerra anterior; outros eram fascistas ou, pelo menos, pessoas cujo medo do comunismo sobrepunha-se a qualquer outra consideração; entre os americanos de origem alemã e italiana, alguns sentiam junto com as pátrias de seus antecessores; os isolacionistas simplesmente acreditavam que a nação deveria deixar o restante do mundo por si só; e os que nutriam atitudes racistas e antissemíticas achavam que os Estados Unidos não deveriam fazer nada para impedir o plano de Hitler.

No final, porém, o país não teve oportunidade de decidir se entraria ou não na [segunda] guerra. Essa decisão foi tomada pelo ataque a Pearl Harbor. em 7 de dezembro de 1941. Depois disso, a lealdade nacional de qualquer cidadão que se opusesse aos esforços da guerra era questionada. Os nipo-americanos – incluindo muitos cujos antepassados tinham vivido nos Estados Unidos havia gerações – foram detidos como espiões em potencial. Infelizmente, enquanto os especuladores hipócritas se apoderavam das propriedades e das empresas das pessoas detidas, as igrejas pouco podiam dizer a respeito. Em geral, talvez punidas por seu apoio indiscriminado à guerra anterior, as igrejas pronunciaram-se discretamente durante o conflito. Elas realmente defenderam as investidas na guerra, forneceram capelães para as forças armadas e declararam sua aversão aos crimes do nazismo. No entanto, a maioria dos líderes tomou o cuidado de não confundir cristianismo com orgulho nacional. Cumpre dizer que, ao mesmo tempo, havia na Alemanha quem insistisse em uma distinção similar, e até por um preço muito mais alto. Enquanto o mundo era estraçalhado pela guerra, os cristãos de ambos os lados do conflito buscavam construir pontes. Após o final dos embates, tais pontes produziriam frutos no movimento ecumênico.

As décadas pós-guerra

Resultado de imagem para terrores de HiroshimaA guerra terminou com os terrores de Hiroshima e o princípio da era nuclear. Embora inicialmente houvesse muitos rumores sobre as grandes promessas do poder nuclear, seu efeito destrutivo também era evidente. Pela primeira vez na história, uma geração cresceu sob o espectro de uma hecatombe nuclear. Foi também a maior geração da história americana – a geração dos “baby boomers” [Explosão de Bebês]. Apesar dos horrores de Hiroshima, os anos pós-guerra foram um período de prosperidade sem precedentes tanto para a economia da nação quanto para suas igrejas. Após longas décadas em que a depressão e a guerra haviam limitado a disponibilidade de bens materiais, veio um período de abundância. Durante a guerra, tinha-se acelerado a produção industrial do país a fim de prover o necessário para o conflito. Agora essa produção continuava, gerando assim a sociedade consumidora mais opulenta que o mundo já conhecera. Surgiram oportunidades para a ascensão financeira e social de quem estivesse disposto a aproveitá-las. Milhões de pessoas afluíram para regiões novas buscando tais oportunidades e, tendo-as encontrado, estabeleceram-se nos subúrbios. Aos poucos as cidades interioranas eram abandonadas pelos ricos, permanecendo como moradia das classes mais baixas – em particular os negros pobres e outras minorias. Na sociedade móvel dos subúrbios, as igrejas passaram a exercer uma função importante como fonte de estabilidade e de reconhecimento social.

Resultado de imagem para Guerra FriaEra também o período da Guerra Fria. Mal o Eixo  Eixo tinha sido derrotado, surgiu um inimigo novo e mais perigoso: a Rússia. Esse inimigo parecia ainda mais insidioso, visto que contava com simpatizantes no mundo ocidental. Nos Estados Unidos, começou outra perseguição aos comunistas e socialistas de qualquer classe. Durante o auge da “era McCarthy”, considerava-se a falta de filiação eclesiástica uma possível indicação de tendências antiamericanas.

Billy Graham chega aos 99 anos, deixando um um legado para o evangelismo mundial. (Imagem: BGEA)Por todas essas razões, as igrejas dos subúrbios cresciam rapidamente. A década de cinquenta e o início da de sessenta constituíram a grande época da arquitetura de igrejas: as congregações opulentas e locais financiavam a construção de santuários belos e imponentes, prédios escolares e outras instalações. Em 1950, fundou-se a Associação Evangelística Billy Graham. Era mais do que uma simples continuação da antiga tradição americana de reavivamentos, pois desfrutou de abundantes recursos financeiros com os quais fez uso das mais avançadas ferramentas e técnicas de comunicação. Embora sua visão fosse basicamente conservadora, em geral a Associação Billy Graham mantinha uma política de evitar conflitos com cristãos de outras crenças e logo se expandiu pelo mundo, deixando assim, em todos os continentes, a marca da tradição avivalista norte-americana.

Entretanto, nem tudo estava bem. De modo geral, as igrejas maiores haviam deixado as cidades interioranas, agora habitadas por pobres e minorias raciais. Apesar dos esforços corajosos de alguns setores, o cristianismo principal tornara-se tão aculturado ao estilo das regiões suburbanas recém-enriquecidas que perdeu o contato com as massas das cidades e suas raízes e integrantes rurais. Nas áreas rurais, os que continuavam membros de suas denominações tradicionais suspeitavam cada vez mais da nova liderança. Nas cidades, as igrejas Holiness procuravam suprir a carência, mas inúmeras pessoas perderam todo contato com qualquer forma de cristianismo organizado. Vinte anos após o grande reavivamento religioso da década de cinquenta, pedia-se repetidamente uma nova missão às cidades; no entanto, poucos faziam uma ideia clara de como poderiam cumprir tal missão. Foi somente na década de oitenta que se viram sinais de renovação da vitalidade religiosa das cidades interioranas – e, mesmo então, esses indícios estavam intimamente relacionadas à volta dos razoavelmente abastados às cidades.

Resultado de imagem para Sydney E. AhlstromOutro aspecto do reavivamento pós-guerra foi uma compreensão da fé cristã como meio de obter paz interior e felicidade. Um dos escritores religiosos mais populares da época foi Norman Vincent Peale, que proclamava que a fé e o “pensamento positivo” levavam à saúde mental e à felicidade. O historiador Sydney E. Ahlstrom falou com propriedade acerca da religiosidade do período quando disse que era “fé em fé” e que prometia “paz de espírito e vida confiante”. Essa forma de religiosidade adequava-se bem à época, visto que proporcionava paz em meio a um mundo de confusão, falava pouco sobre as responsabilidades sociais e não arriscava conflitos com aqueles cuja mentalidade de guerra fria os tornara grande inquisidores da opinião política americana, A conclusão de Ahlstrom é uma acusação grave:

De modo geral, as igrejas parecem ter feito pouco mais que oferecer um meio de identificação social para um povo móvel que estava soltando-se rapidamente do conforto de antigos contextos.

No entanto, havia outros fatores em ação na sociedade americana. Embora nos anos pós-guerra esses elementos novos não tivessem sido suficientes para desfazer o espírito otimista predominante no país, a década seguinte os colocaria no primeiro plano e traria mudanças radicais na perspectiva nacional.

Martin Luther King (1929 - 1968)Um desses fatores foi o movimento negro, que estivera sendo tramado havia décadas. A Associação Nacional para o Progresso dos Negros (NAACP), fundada em 1909, ganhara inúmeras batalhas judiciais muito antes de o movimento ficar em evidência. Alguns membros da comunidade negra insistiam em encontrar refúgio num entendimento da religião que prometia recompensas num outro mundo, ou dava-lhes a sensação de pertencer ao pequeno corpo dos fiéis, sem desafiar a ordem existente. Em alguns casos, isso levou a novas religiões com líderes que se proclamavam encarnações do divino, entre os quais foram muito bem-sucedidos o “Father Divine” (“Pai Divino”, morto em 1965) e o “Sweet Daddy Grace” (“Graça do Doce Pai”, falecido em 1960). Os soldados e marinheiros negros que voltavam da guerra – onde haviam lutado em unidades militares à parte dos brancos – descobriram que a liberdade pela qual haviam batalhado no exterior era inexistente em sua pátria. O governo respondeu com a dessegregação das forças armadas, em 1949, e com uma decisão histórica da Corte Suprema, em 1952, exigindo a integração nas escolas públicas. Diversos brancos também apoiaram o movimento pela integração e nos primeiros anos seu apoio e seu estímulo foram valiosos. O Conselho Nacional de Igrejas (inicialmente Conselho Federal de Igrejas), bem como a maioria das principais denominações, também se posicionaram contra a segregação. O que tornou o movimento invencível, porém, foi a participação e a liderança dos próprios negros. Até durante muito tempo na década de sessenta, a maior parte desses líderes originava-se do clero negro – sendo muito proeminentes entre eles Adam Clayton Powell Jr., nos anos da guerra e do pós-guerra, e Martin Luther King Jr., no final da década de cinquenta e início da de sessenta. Numa manifestação inaudita de fé, coragem e perseverança, os negros manifestaram, aos milhares, a resolução de desafiar e desmascarar as leis e práticas opressivas sob as quais viviam. Por meio de greves, prisões, açoitamentos e até mortes, e em lugares como Montgomery e Selma, no Alabama, eles mostraram ao mundo que eram pelo menos moralmente iguais àqueles que vez por outra os haviam acusado de inferiores. “Nós venceremos” tornou-se, ao mesmo tempo, grito de desafio e confissão de fé.

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Cena de “Selma – Uma luta pela igualdade“,  lançado em 2015, sob a direção de Ava DuVernay, “filme que “… acompanha as históricas marchas realizadas por ele [Martin Luther King Jr.] e manifestantes pacifistas em 1965, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, em busca de direitos eleitorais iguais para a comunidade afro-americana.”

A Conferência de Líderes Cristãos do Sul (SClC), fundada pelo Dr. King, e diversas outras organizações cristãs pacifistas não eram suficientes para canalizar toda a frustração e a ira acumuladas na comunidade negra. Por vários decênios, mais negros militares viram no islamismo uma religião não dominada por brancos, e assim nasceram os Muçulmanos Negros, além de diversos movimentos semelhantes. Outros, particularmente nos guetos lotados de cidades como Nova Iorque e Los Angeles, exprimiram sua irritação por meio de tumultos – dos quais o mais conhecido foi o motim de 1965 na área Watts de Los Angeles. Já em meados dessa década, os negros haviam chegado à conclusão de que nunca obteriam direitos absolutos até que tivessem sua medida justa de poder. Assim, surgiu o clamor pelo “poder negro” – brado muitas vezes compreendido erroneamente, como se os negros pretendessem dominar os brancos.

Ao mesmo tempo, em parte por sua inspiração cristã, o movimento do Dr. King estendia-se para outras preocupações não estritamente raciais. Com diversos outros membros do SClC, ele se convenceu de que lutavam contra todo tipo de injustiças. Era a época da guerra no Sudeste Asiático, e o Dr. King começou a criticar as medidas governamentais na região, não só porque o Sistema de Serviço Seletivo claramente discriminava os negros e outras minorias, mas também por estar convencido de que os Estados Unidos cometiam no sudeste da Ásia uma injustiça semelhante à perpetrada contra os negros americanos. Agora o Dr. King acreditava que, em seu próprio país, a luta deveria envolver todos os pobres de qualquer raça. Em 1968, quando liderava uma “passeata dos pobres”, ele foi assassinado.

JamesHalCone.jpgTodo o movimento inspirou-se em grande medida na fé cristã da comunidade negra. Os antigos spirituals adquiriram novo significado – ou melhor, recebiam mais uma vez o sentido provocador que tiveram quando entoados inicialmente nas antigas plantações. As igrejas tornaram-se lugares de reuniões e ensaios para protestos. Os pregadores articulavam a associação entre o evangelho e o movimento. Por fim brotou a “teologia negra”: teologia essencialmente ortodoxa e ao mesmo tempo uma afirmação da realidade, da esperança e da luta dos negros. A figura central era James Cone, professor do Union Theological Seminary, que declarou:

Não pode haver teologia cristã sem que esteja abertamente identificada com os humilhados e maltratados. Aliás, a teologia deixa de ser uma teologia do evangelho quando deixa de surgir da comunidade dos oprimidos. Pois é impossível falar do Deus da história israelita, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, sem reconhecer que ele é o Deus de e para os que padecem e estão oprimidos.

Simultaneamente, outro movimento, a princípio menos divulgado, ganhava impulso. Era o movimento feminista. Durante mais de um século, as mulheres americanas estiveram reivindicando seus direitos. Elas haviam mostrado e fortalecido seus músculos políticos na campanha abolicionista, na União da Abstinência Cristã Feminina e na luta pelo direito de votar – que finalmente obtiveram, em 1920. De fato, ao longo do século XIX algumas igrejas ordenaram mulheres; por volta da metade do século XX, porém, a maioria das denominações ainda não permitia a ordenação de mulheres, sendo todas controladas por homens. Durante a década de cinquenta, tanto na igreja quanto na sociedade em geral, e por consequência de amplas mudanças na estrutura da sociedade, o movimento feminino cresceu em força, experiência e solidariedade. Nas igrejas, a batalha se travava principalmente em duas frentes: o direito feminino de ter o chamado ao ministério corroborado pela ordenação e a crítica a uma teologia tradicionalmente feita e dominada por homens. Já na metade da década de 1980, a maioria das maiores denominações protestantes realmente ordenava mulheres; e, na Igreja Católica Romana, que se recusava a fazê-lo, havia organizações fortes e pronunciadas que faziam campanha contra a proibição de ordenar mulheres. No âmbito teológico, diversas mulheres – notadamente a presbiteriana Letty M. Russell e a católica romana Rosemary R. Reutherfizeram propostas que eram essencialmente correções ortodoxas da teologia masculina tradicional. As ideias de Mary Daly eram mais radicais; ela se declarava “diplomada” pela igreja de dominação masculina e exortava suas irmãs a aguardarem uma “encarnação feminina de Deus”.

Enquanto esses movimentos envolviam multidões significativas de negros e mulheres, outros fatos nacionais e internacionais também estavam moldando a mentalidade da nação. Em primeiro lugar, havia a guerra no sudeste da Ásia. O que iniciou como um envolvimento militar relativamente pequeno em 1965 começou a desenvolver-se até se tornar a mais longa guerra jamais travada pelos Estados Unidos. Foi um conflito em que, na esperança de deter o avanço comunista, os Estados Unidos viram-se apoiando governos corruptos e malogradamente usando seu imenso arsenal contra uma nação muito menor. Os meios de comunicação levaram as atrocidades da guerra para dentro de todas as salas de estar. Descobriu-se então que o povo – e o Congresso – haviam sido propositadamente mal informados sobre o “incidente golfo Tonkin“, que acelerara o avanço da guerra. Protestos, acrimônias e decepções patrióticas varreram os campus de todo o país. Por fim, usou-se a força armada contra os estudantes que protestavam, resultando em mortes na Kent State University e no Jackson State College. No final, pela primeira vez na história, os Estados Unidos perderam uma guerra. Mais do que isso, porém, perderam sua ingenuidade. Passou-se a questionar a ideia da “terra dos livres e lar dos bravos” -simbolizando liberdade e justiça na pátria e defendendo-a no exterior. A própria prosperidade resultante da guerra – seguida, como foi, de uma recessão significativa – levou algumas pessoas a imaginarem se o sistema econômico em que a nação se baseava não exigia o estímulo artificial da guerra. A isso se somaram todas as questões e dúvidas inflamadas pelo escândalo Watergate, que finalmente provocou a renúncia do presidente Nixon.

Enquanto todos esses acontecimentos ocorriam na sociedade em geral, as igrejas também estavam sendo pressionadas. A iniciativa teológica protestante fragmentou-se, e cada teólogo seguia um caminho radicalmente diverso. As tentativas de expressar a mensagem cristã em termos seculares levou à tão divulgada “Teologia da Morte de Deus”. Adotando uma linha diferente, a obra A cidade do homem, de Harvey Cox, procurava reinterpretar a mensagem cristã à luz de uma sociedade urbana e observar as oportunidades e os desafios oferecidos por tal sociedade. Com alguns colegas, John Cobb pôs-se a desenvolver uma compreensão da fé cristã com base na Filosofia do Processo. A Teologia da Esperança, de Moltmann, encontrou seus correspondentes em solo americano. E muitos teólogos brancos do sexo masculino passaram a estudar as teologias negra, feminista e terceiro-mundista como indicações para um novo entendimento da mensagem bíblica. Nessa longa série de teologias diferentes e até divergentes, há três temas comuns: orientação rumo ao futuro, interesse em realidades sociopolíticas e tentativa de unir esses dois elementos anteriores. Em outras palavras, o aspecto predominante nessas teologias, vistas como um todo, é a recuperação da escatologia como uma esperança futura que, não obstante, está ativa nas relações sociais do mundo contemporâneo. A isso se somou uma renovação litúrgica que realçava a dimensão escatológica do culto e sua pertinência social.

Esse interesse em temas sociais foi mais despertado ainda pelos contatos internacionais das igrejas. As questões da fome, da liberdade política e da justiça internacional tornaram-se muito mais significativas para os que estavam em contato quase ininterrupto com os cristãos de outras nações que sofriam sob tais circunstâncias. Assim, o Conselho Nacional de Igrejas, o Conselho Mundial de Igrejas e as diretorias de missões de praticamente todas as maiores denominações estavam sendo atacadas por conservadores políticos que as acusavam de ter sido infiltradas por comunistas ou, pelo menos, de ser usadas para o comunismo.

Nesse ínterim, o movimento carismático, surgido no começo do século na rua Azusa, assumira novo formato. Durante a primeira metade do século, seu impacto se deu principalmente entre as classes mais baixas e as igrejas Holiness. A partir do final do decênio de cinquenta, expandiu-se para os subúrbios e para dentro das denominações principais – mesmo a Igreja Católica. A maioria dos que tomaram parte nessa nova onda carismática continuavam membros fiéis de suas igrejas; ao mesmo tempo, contudo, havia um sentimento de parentesco entre os carismáticos de diversas denominações, dando assim origem a um movimento ecumênico com pouca ou nenhuma ligação com o ecumenismo organizado. Embora os críticos às vezes o vissem como o correspondente religioso da evasão para os subúrbios, na verdade o movimento carismático era bastante diversificado, incluindo em suas fileiras tanto os que achavam que sua experiência com o Espírito deveria tirá-los deste mundo, quanto os que sentiam que essa mesma experiência deveria levá-los a tomar atitudes sociais ousadas.

Os evangélicos também estavam divididos. No final da década de setenta e começo da de oitenta, suas estações de rádio e televisão cresceram desmedidamente. Hoje alguns televangelistas estão criando e liderando imensas corporações para o avanço de sua obra – fenômeno muito difundido que os críticos apelidaram de “a igreja eletrônica” [Veja Evangélicos, pentecostais e carismáticos na mídia radiofônica e televisiva]. Tema comum de muitos desses evangelistas é a perda de valores tradicionais e o colapso da sociedade disso resultante – tema ouvido desde a época da Lei Seca e de sua revogação. Seguindo o exemplo da batalha anterior contra o álcool, alguns líderes evangélicos organizaram a Maioria Moral para defender valores morais e advogar medidas sociais e econômicas conservadoras.

Por outro lado, um número cada vez maior de evangélicos começou a sentir que sua fé os levava a estar comprometidos com uma crítica da ordem social e econômica vigente, tanto em sua pátria quanto no exterior. Os cristãos, acreditavam eles, devem lutar contra todas as formas de injustiça, sofrimento, fome e opressão. Em 1973, um grupo de líderes com ideias semelhantes participou da “Declaração de Chicago“, que articulou o que parecia ser a convicção crescente de cristãos americanos comprometidos:

Como cristãos evangélicos comprometidos com o Senhor Jesus Cristo e com a autoridade plena da Palavra de Deus, afirmamos que Deus reivindica direitos absolutos sobre a vida de seu povo. Não podemos, portanto, separar nossas vidas em Cristo da situação em que Deus nos colocou nos Estados Unidos e no mundo.

Confessamos não termos reconhecido as reivindicações totais de Deus em nossas vidas.

Reconhecemos que Deus exige amor. Mas não temos demonstrado o amor de Deus aos que sofrem danos na sociedade.

Reconhecemos que Deus exige justiça. Mas não temos proclamado ou demonstrado sua justiça a uma sociedade americana injusta. Embora o Senhor nos exorte a defender os direitos sociais e econômicos dos pobres e oprimidos, em geral temos permanecido calados. Deploramos o envolvimento histórico da igreja americana com o racismo e a notória responsabilidade da comunidade evangélica por ter perpetuado as atitudes pessoais e as estruturas institucionais que têm dividido o corpo de Cristo no que se refere à cor. Ademais, temos deixado de condenar a exploração do racismo em nosso país e no exterior por parte do nosso sistema econômico […]

Devemos atacar o materialismo de nossa cultura e a má distribuição da riqueza e dos serviços nacionais. Reconhecemos que, como nação, desempenhamos um papel crucial no desequilíbrio e na injustiça do comércio e do desenvolvimento internacionais. Perante Deus e um bilhão de vizinhos com fome, devemos repensar nossos valores […]

Reconhecemos nossas responsabilidades cristãs de cidadania. Devemos, portanto, desafiar a confiança que a nação erroneamente deposita no poderio econômico e militar […] Devemos resistir à tentação de tornar o país e suas instituições objetos de lealdade pouco religiosa […]

Não proclamamos nenhum evangelho novo, mas o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, que, pelo poder do Espírito Santo, livra as pessoas do pecado para que possam louvar a Deus com obras de justiça.

Com esta declaração, não endossamos nenhuma ideologia ou partido político, mas convocamos os líderes da nossa nação e o povo para aquela justiça que exalta uma nação.

Fazemos esta declaração na esperança bíblica de que Cristo virá para consumar o Reino e aceitamos sua reivindicação sobre nosso discipulado absoluto até que ele venha.

É importante dizer que essa declaração se assemelhava em muito a outras que vinham sendo formuladas por cristãos de diversas situações por todo o mundo, muitas vezes brotando de uma situação teológica completamente distinta, mas chegando a conclusões paralelas. De uma perspectiva mundial, parecia que a igreja americana estava finalmente enfrentando os desafios de uma era pós-constantiniana e ecumênica. Era também uma igreja que reagia à nova concepção da “era espacial” – período em que pela primeira vez vimos a Terra do espaço e a observamos como uma frágil “espaço nave”, na qual devemos aprender a viver juntos ou, então, perecer juntos.

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