Renascimento Cultural e Científico

A expressão “renascimento” significa “nascer de novo” ou “ser regenerado”. Mas os historiadores chamam de Renascimento Cultural o “… movimento literário, científico e artístico que despertou na Itália no século XV e nesse século e no seguinte se difundiu pelos outros países da Europa; teve como característica principal a imitação dos modelos da civilização grega e latina.”1 O Renascimento Cultural é, então, um reavivamento da cultura clássica greco-romana e que se deflagrou na Europa, começando por cidades italianas como Veneza e Florença, palco de grande riqueza comercial e cultural.

Os renascentistas, personagens da renascença, afirmavam que estavam vivendo um novo tempo, diferente do período anterior, conhecido como Idade Média, e que eles a chamavam de Idade das Trevas, pelo fato de, nesse período, a Igreja Católica ter soterrado todo o desenvolvimento cultural da Antiguidade Clássica.

Os valores dos renascentistas

Alguns elementos comuns do conjunto das obras renascentistas:

  • Retomada da cultura grego-romana da antiguidade:

Os renascentistas consideravam as obras e, consequentemente, a cultura da Antiguidade Clássica, superiores às da Idade Média.

  • Valorização do ser humano:

O Renascimento coloca o ser humano como centro de sua própria história no Universo, visão que ficou conhecida como antropocentrismo (o homem no centro), em contraste com o teocentrismo (Deus no centro), ponto de vista voltado para a fé, dominante na Idade Média. Os renascentistas foram conhecidos como humanistas.

  • Mudança de valores em relação à vida:

Além da prática religiosa – os renascentistas não eram pessoas sem fé – enfatizavam múltiplos valores (interesses): artes, literatura, pesquisa, vida pública, etc. Nesse sentido, um dos melhores exemplos do Renascimento foi Leonardo da Vinci3, que se distinguiu, ao mesmo tempo, na pintura, na escultura, na arquitetura, na literatura e nas ciências.

Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci

  • Valorização da razão e da natureza:

O Renascimento foi marcado por um racionalismo profundo, que se traduziu na adoção de métodos experimentais e de observação da natureza.

Principais renascentistas e suas obras

– Leonardo da Vinci (1452 – 1519): pintor, arquiteto, escultor, físico, engenheiro, escritor e músico, destacou-se em todos esses ramos da arte e da ciência. É autor, entre outras obras famosas, de Gioconda ou Mona Lisa e de A Última Ceia etc;

Homem virtuviano e Mona LisaHomem Vitruviano e Mona Lisa4

  • Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564): arquiteto, escultor e pintor, ajudou a projetar a grandiosa cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma. São dele também as esculturas Pietá, Davi, Moisés, além das pinturas decorativas da Capela Sistina, situada próximo à Basílica de São Pedro.

Pintura - Capela Sistina

Parte da pintura da Capela sistina do Vaticano, por Michelangelo. No alto, à direita, A Criação.5
  • Rafael Sanzio (1483 – 1520): autor de várias madonas (uma série de representações da Virgem com o menino Jesus) e de retratos de papas e reis.
  • Sandro Botticelli (1445 – 1510): também pintou um grande número de madonas, além de quadros de inspiração religiosa e pagã, como a “A primavera”, O nascimento de Vênus.
  • Galileu Galilei (1564 – 1642): matemático, físico e astrônomo, foi um dos primeiros estudiosos de sua época a usar o método experimental para estudar a natureza e comprovar suas teorias. Utilizando uma luneta, confirmou a teoria heliocêntrica de Copérnico, que afirmava ser o Sol o centro do Universo. Por suas ideias, Galileu foi perseguido pela Igreja, que defendia a teoria de que a Terra era o centro do Universo. Ameaçado de morrer na fogueira, ele viu-se obrigado a negar suas convicções.
  • Nicolau Maquiavel (1469 – 1527): filósofo político e historiador, escreveu O Príncipe, um tratado sobre política e governo. O sistema político exposto nessa obra – o maquiavelismo – é caracterizado pelo principio de que os fins justificam os meios. Maquiavel propôs, ainda, que o príncipe deve levar em conta duas formas de luta: uma, utilizando a lei, outra, utilizando a força.
  • François Rabelais (1494 – 1553), que em seus livros Gargântua e Pantagruel, criticou de forma satírica a excessiva religiosidade medieval, isto é, a monarquia e o cristianismo.
  • Michel de Montaigne (1533 – 1592), filósofo e moralista, autor de Ensaios. Nesta obra o autor dedica páginas expressivas aos problemas educacionais de seu tempo, combatendo a ignorância sobre as características da infância.   
  • William Shakespeare (1564 – 1616), autor de um grande número de comédias e tragédias, quase todas consideradas obras-primas: Otelo, Hamlet, Romeu e Julieta, Macbeth e outras.
  • Tomas Morus (1476 – 1535), que tornou-se famoso com sua obra Utopia (que em grego significa “lugar que não existe”), na qual projetou a existência de um Estado ideal, organizado de forma comunitária. Nele, imaginou uma sociedade vivendo em harmonia, livre dos males da guerra e da intolerância religiosa.
  • Miguel de Cervantes (1547 – 1616), autor de Dom Quixote de la Mancha. Nesta obra, Cervantes cria uma sátira aos ideais da cavalaria medieval. Dois personagens dominam essa grande obra: de um lado, Dom Quixote, mergulhado no sonho, na fantasia e no ideal; de outro, o escudeiro Sancho Pança, representando a vida real, mais próximo do senso comum.
  • Luis Vaz de Camões (1525 – 1580), poeta português que, em sua célebre obra Os lusíadas, narrou a historia de Portugal, desde as suas origens, e a epopeia dos descobrimentos marítimos, a partir da viagem de Vasco da Gama. A obra de Camões é considerada uma das mais representativas do espírito renascentista.
  • Nicolau Copérnico (1473 – 1543), em sua obra Da revolução das esferas celestes, combateu a teoria geocêntrica, segundo a qual a Terra seria o centro do universo. Em seu lugar, propôs a teoria heliocêntrica, mostrando que o Sol era o centro do nosso sistema planetário. O revolucionário livro de Copérnico foi publicado no ano de sua morte (1543). Suas ideias provocaram a reação da Igreja e seu livro acabou sendo condenado pelo Tribunal da Inquisição.
  • Giordano Bruno (1548 – 1600) defendia que o universo era um todo infinito, cujo centro não estava em parte alguma. Afirmava que Deus era o princípio inteligente criador do universo. Com suas ideias provocou a revolta da Igreja, sendo condenado à fogueira.
  • Miguel Servet (1511 – 1553), desobedecendo à proibição medieval de dissecamento de cadáveres, descobriu o funcionamento da pequena circulação sanguínea. Posteriormente, entrando em atrito com os religiosos calvinistas, foi condenado à fogueira.

Agora, veja dois vídeos que relaciona o Renascimento Cultural como transição para os tempos modernos – Telecurso do Ensino Médio, aulas 1 e 26

  

Notas:

1  Dicionário Michaelis. In: <http://michaelis.uol.com.br>. Acesso em 07/03/2013.

2  Texto adaptado de: PILETTI, Nelson & Claudino. História: EJA – Ensino de Jovens e Adultos – 3º Ciclo. São Paulo: Ática, páginas 122 e 123.

”Leonardo da Vinci é considerado a maior expressão do Renascimento. Além de ter sido um artista completo, era também minucioso cientista”. Piletti, Op. Cit, página 122. Imagem disponível em: <http://www.leonardodavinci.net>. Acesso em 07/03/2013.

4 O Homem Vitruviano: “O conceito elabora a noção a respeito da divina proporção através do raciocínio matemático, sendo um modelo ideal para todo o ser humano. As proporções do ‘homem vitruviano’ são perfeitas e inserem o conceito clássico e divino de beleza. As descrições de Vitrúvio foram se perdendo no decorrer dos anos e as cópias fugindo do traço original, dentre tantos desenhos, ficando a representação gráfica de Da Vinci a mais difundida no momento atual.” Disponível em: <http://www.infoescola.com/desenho/o-homem-vitruviano>. Acesso em 07/03/2013.

5  Imagem extraída de: <Fothttp://blog.brasilacademico.com/2010/11/capela-sistina-em-3d-interativo.html>. Acesso em 07/03/2013.

6 Novo Telecurso – Ensino Médio – História – Aula 16 (Vídeo 1 e  2). Os Tempos Modernos e o Renascimento. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=CKMGZPzi9OU e <https://www.youtube.com/watch?v=60jGiibCyVo>. Acesso em 25/08/2015.

  

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