A Doutrina de Deus

Sobre DEUS, Já vimos dois artigos (posts): no primeiro, vimos o que Myer PEARLMAN descreve sobre alguns argumentos sobre sua existência, e no segundo, acerca de Seus atributos. Neste, fizemos um breve estudo   sobre o Ser de Deus – sua personalidade –, conceituado pelos seus diversos nomes e a doutrina da Trindade.

1.  Definição de Deus: sua personalidade

Quem é, e que é Deus? A melhor definição, segundo Myer Pearlman[1] “… é a que se encontra no Catecismo de Westminster: ‘Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade” (Op. Cit., p. 41). E ele afirma também que a formulação bíblica desta definição está na compreensão dos “nomes de Deus”, assunto destacado mais abaixo. Sabemos que é impossível uma definição rigorosa da ideia de Deus. E a que foi mencionada acima é baseada no que a Bíblia ou o próprio Deus se revela de Si mesmo e de seus atributos. Uma das verdades acerca de Deus é que Ele é pessoal.

Em contraste, com qualquer conceito metafísico neutro abstrato, afirma R. L Saucy[2], Deus das Escrituras é um Ser pessoal. Ele Se revela por nomes, especialmente o grande nome pessoal Javé (cf. Ex 3.13-15; 6.3; Is 42.8). Ele conhece e determina de modo autoconsciente, de acordo com o nosso conceito da personalidade. Por exemplo, em 1Coríntios 2.10-11 encontramos: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus”. E em Efésios 1.11, vimos: “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”. A centralidade da personalidade de Deus é vista no fato de que, embora seja o Criador e o Preservador de toda a natureza, Ele é encontrado nas Escrituras não principalmente como o Deus da natureza, como nas religiões pagãs, mas, sim, como o Deus da história, que controla e dirige os assuntos dos homens. O lugar central da aliança mediante a qual Ele Se liga com os homens num relacionamento pessoal é uma indicação adicional da ênfase bíblica dada à natureza pessoal de Deus. Em nenhum lugar a personalidade de Deus fica mais evidente do que na Sua descrição bíblica como Pai. Jesus falava constantemente de Deus como “meu Pai”, “vosso Pai” e “o Pai celeste”. Além do relacionamento trinitariano sem igual entre o Filho divino e o Pai, que certamente envolve traços pessoais, a paternidade de Deus fala dEle como a origem e o sustentador das Suas criaturas, que pessoalmente cuida delas (Mt 5.45; 6.26-32), e Aquele para quem o homem pode voltar com confiança.

A personalidade de Deus tem sido colocada em dúvida com base no nosso uso da palavra “pessoa”, no que diz respeito aos seres humanos. A personalidade humana envolve limitação que permite o relacionamento com outra pessoa ou com o mundo. Ser uma pessoa significa ser um indivíduo entre indivíduos. Tudo isto nos acautela contra antropomorfismos errôneos de Deus. Biblicamente, é mais apropriado entender que a personalidade de Deus tem prioridade sobre a do homem e, portanto, entender a personalidade humana de modo teomórfico, isto é, como uma réplica finita da pessoa divina infinita. A despeito da derradeira incompreensibilidade da personalidade supra-humana de Deus, as Escrituras O retratam como uma pessoa real que Se oferece a nós num relacionamento recíproco como um “tu” genuíno.

O conceito bíblico da personalidade de Deus refuta todas as ideias filosóficas abstratas acerca dEle como mera Causa Prima ou Motor Imóvel bem como todos os conceitos naturalistas  e panteístas. As equações modernas entre Deus e os relacionamentos pessoais imanentes – o amor – também são rejeitadas.

2.  Os principais nomes de Deus

Conforme vimos acima, Myer Pearlman afirma que a formulação bíblica para a definição de Deus está na compreensão dos seus “nomes”. Deus revela-se a si mesmo fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome JAVÉ. E eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, o Senhor [Javé], não lhes fui perfeitamente conhecido(Êx  6.3). Vejamos o significado deste e de outros nomes de Deus que encontramos nas Escrituras:

a)  Javé ou Jeová (traduzido “SENHOR” na versão de Almeida[3]):

Este nome, originado do tetragrama YHWH, intercalado com as vogais A e E ou E, O e A (YAHWÉH ou YEHOWAH. Tem relação também com o SER, em Êxodo 3.14-15 (E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração), cujo verbo (SER) inclui os três tempos desse verbo — passado, presente e futuro. O nome, portanto significa: Ele que era, que é e que há de ser; em outras palavras, o Eterno. Visto que Jeová é o Deus que se revela a si mesmo ao homem, o nome significa: Eu me manifestei, me manifesto, e ainda me manifestarei. O que Deus opera a favor de seu povo acha expressão nos seus nomes, e ao experimentar o povo a sua graça, desse povo então pode dizer-se: “conhecem o seu nome.”

A relação entre Jeová e Israel resume-se no uso dos nomes encontrados nos concertos entre Jeová e seu povo. Por isso, Javé ou Jeová aparece acompanhado de outros nomes e significados como:

  • Jeová-Rafa (Yahweh Raph’eka), “o Senhor que cura (sara)” (Êx 15.26). É a resposta de Jeová aos que jazem em leitos de doença (dor).
  • JeováNissi (Yahweh-nisi), “o Senhor é minha (nossa) bandeira” (Êx 17.15). O nome invocado pelos oprimidos frente à fúria do inimigo.
  • JeováShalom (Yahweh-shalom), “o Senhor é (nossa) Paz” (Jz 6.24). Jeová enfatiza que a verdadeira paz para os desconsolados vem Dele.
  • Jeová Ra’ah, “o Senhor meu pastor” (Sl 23.1). Esse é o nome empregado pelo salmista Davi para expressar a liderança, provisão e proteção de Deus para com seu povo.
  • JeováTsidkenu (Yahweh-tsidqenu), “o Senhor é nossa justiça” (Jr 23.6). Resposta de Jeová àqueles que se sentem sob condenação e necessitados da justificação.
  • Jeová Jireh (Yhaweh-yir’eh), “o Senhor que provê” (Gn 22.14). Esse foi o nome utilizado por Abraão para se referir a Deus na ocasião em que ele iria sacrificar seu filho Isaque no Monte Moriá.
  • Jeová-Shammah (Yahweh-shamah), o Senhor está ali” (Ez 48.35). Expressão final da profecia do profeta Ezequiel, que enfatiza a promessa da presença de Deus com o seu povo.
  • Jeová Sabaote (Yahweh-tseva’ot), Senhor dos Exércitos. Título divino que aparece pela primeira vez em 1Samuel 1.3, e é mesmo utilizado por Davi quando ele foi lutar contra o gigante Golias dos filisteus (1Sm 17.45).

b)  Elohim.  A palavra Elohim (p. ex. Gn 1.1) é a forma plural de El (Deus). Esta palavra emprega-se sempre que sejam descritos ou implícitos o poder criativo e a onipotência de Deus. Elohim é o Deus Criador. A forma plural significa a plenitude de poder e [pode] representa a trindade. A expressão “façamos o homem” (Gn 1.26) diz respeito à ação de Elohim (Deus, no plural) na criação do homem. Ou seja, a presença da trindade na obra da criação.

c)  El (Deus), usado em certas combinações:

  • ElElyon (Gn 14.18-20), o “Deus altíssimo”, o Deus que é exaltado sobre tudo o que se chama deus ou deuses.
  • ElShaddai, “o Deus que é suficiente para as necessidades do seu povo” (Êx 6.3).
  • ElOlam, “o eterno Deus” (Gn. 21.33)…

d)  Adonai. Literalmente. significa “Senhor” e “Pai”, e dá a ideia de governo e domínio. (Êx 23.17; Is 10.16,33.) Por causa do que Deus é e do que tem feito, ele exige o serviço e a lealdade do seu povo. Este nome no Novo Testamento aplica-se ao Cristo glorificado.

3.  O Deus trino

As Escrituras, afirma Pearlman, ensinam que Deus é Um, e que além dele não existe outro Deus. Poderia surgir a pergunta: “Como podia Deus ter comunhão com alguém antes que existissem as criaturas finitas?” A resposta é que a Unidade Divina é uma Unidade composta, e que nesta unidade há realmente três Pessoas distintas, cada uma das quais é a Divindade, e que, no entanto, cada uma está sumamente consciente das outras duas. Assim, vemos que havia comunhão antes que fossem criadas quaisquer criaturas finitas. Portanto, Deus nunca esteve só. Veja o esquema abaixo:

Não é o caso de haver três Deuses, todos três independentes e de existência própria. Os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que no pleno sentido da palavra, são “um”. O Pai cria, o Filho redime, e o Espírito Santo santifica; e, no entanto, em cada uma dessas operações divinas os Três estão presentes. O Pai é preeminentemente o Criador, mas o Filho e o Espírito são tidos como cooperadores na mesma obra. O Filho é preeminentemente o Redentor, mas Deus o Pai e o Espírito são considerados como Pessoas que enviam o Filho a redimir. O Espírito Santo é o Santificador, mas o Pai e o Filho cooperam nessa obra.

A Trindade é uma comunhão eterna, mas a obra da redenção do homem evocou a sua manifestação histórica. O Filho entrou no mundo duma maneira nova ao tomar sobre si a natureza humana e lhe foi dado um novo nome, Jesus. O Espírito Santo entrou no mundo duma maneira nova, isto é, como o Espírito de Cristo incorporado na igreja. Mas ao mesmo tempo, os três cooperaram. O Pai testificou do Filho (Mt  3.17); e o Filho testificou do Pai (Jo 5.19). O Filho testificou do Espírito (Jo 14.26), e mais tarde o Espírito testificou do Filho (Jo 15.26).

Será tudo isso difícil de compreender? Como poderia ser de outra maneira visto que estamos tentando explicar a vida íntima do Deus Todo poderoso! A doutrina da Trindade é claramente uma doutrina revelada, e não doutrina concebida pela razão humana. De que maneira poderíamos aprender acerca da natureza íntima da Divindade a não ser pela revelação? (1Co 2.16.) É verdade que a palavra “Trindade” não aparece no Novo Testamento; é uma expressão teológica, que surgiu no segundo século para descrever a Divindade. Mas o planeta Júpiter existiu antes de receber ele este nome; e a doutrina da Trindade encontrava-se na Bíblia antes que fosse tecnicamente chamada a Trindade.

a)  A Trindade no Antigo Testamento:

O Antigo Testamento não ensina clara e diretamente sobre a Trindade, e a razão é evidente. Num mundo onde o culto de muitos deuses era comum, tornava-se necessário acentuar esta verdade em Israel, a verdade de que Deus é Um, e de que não havia outro além dele. Se no princípio a doutrina da Trindade fosse ensinada diretamente, poderia ter sido mal entendida e mal interpretada.

Muito embora essa doutrina não fosse explicitamente mencionada, sua origem pode ser vista no Antigo Testamento. Sempre que um hebreu pronunciava o nome de Deus (Elohim) ele estava realmente dizendo “Deuses”, pois a palavra é plural, e às vezes se usa em hebraico acompanhada de adjetivo plural (Js. 24:18,19) e com verbo no plural. (Gn 35.7.) Imaginemos um hebreu devoto e esclarecido ponderando o fato de que Deus é Um, e, no entanto, é Elohim — “Deuses”. Facilmente podemos imaginar que ele chegasse à conclusão de que exista pluralidade de pessoas dentro de um Deus.

Todos os membros da Trindade são mencionados no Antigo Testamento:

a)  O Pai:

  • Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor desde a antiguidade é o teu nome” (Is 63.16).
  • Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que agimos aleivosamente cada um contra seu irmão, profanando a aliança de nossos pais?” (Ml 2.10).

b)   O Filho de Jeová:

  • O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros” (Sl 45.6,7).
  • Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido… Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei… Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam” (Sl 2.6,7,12).

Alguns textos apresentam também o Messias (o Filho) com títulos divinos:

  • Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra.
    Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA
    ” (Jr 23.5,6).
  • Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6.).
  • Eis que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado. Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não o provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebeldia; porque o meu nome está nele” (Êx 23.20,21).

g)  O Espírito Santo:

  • E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas(Gn 1.2).
  • E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos” (Is 11.2,3).
  • Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito” (Is 48.16).
  • O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos” (Is 61.1).
  • Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo; pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63.10-ARC).

Prenúncios da Trindade veem-se na tríplice bênção de Nm 6.24-26 (“O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”) e tríplice doxologia de Is 6.3 (E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória).

b)  A Trindade no Novo Testamento:

Os cristãos primitivos mantinham como um dos fundamentos da fé o fato da unidade de Deus. Tanto ao judeu como ao pagão podiam testificar: “Cremos em um Deus.” Mas ao mesmo tempo eles tinham as palavras claras de Jesus para provar que ele arrogou a si uma posição e uma autoridade que seriam blasfêmia se não fosse ele Deus. Os escritores do Novo Testamento, ao referirem-se a Jesus, usaram uma linguagem que indicava reconhecerem a Jesus como sendo “… sobre todas as coisas, Deus bendito para sempre” (Rm 9.5). E a experiência espiritual dos cristãos apoiava estas afirmações. Ao conhecer a Jesus, conheciam-no como Deus.

O mesmo se verifica em relação a Deus e ao Espírito Santo. Os primitivos cristãos criam que o Espírito Santo, que morava neles, ensinando-os, guiando-os, e inspirando os a andar em novidade de vida, não era meramente uma influência ou um sentimento, mas um ser ao qual poderiam conhecer e com o qual suas almas poderiam ter verdadeira comunhão. E, ao examinarem o Novo Testamento, ali acharam que ele era descrito como possuindo os atributos de uma personalidade.

Assim a igreja primitiva se defrontava com estes dois fatos: que Deus é Um, e que o Pai é Deus; o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. E estes dois grandes fatos concernentes a Deus constituem a doutrina da Trindade. Deus, o Pai, era para eles uma realidade; o Filho era para eles uma realidade; e da mesma forma, o Espírito Santo. E, diante desses fatos, a única conclusão a que se podia chegar era a seguinte: que havia na Divindade uma verdadeira, embora misteriosa, distinção de personalidades, distinção que se tomou manifesta na obra divina para redimir o homem.

c)  Várias passagens do Novo Testamento mencionam as três Pessoas Divinas.

  • E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17).
  • E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo(Mt 28.18,19).
  • E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós (…) Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.16,17,26).
  • Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim” (Jo 15.26).
  • A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém” (2Co 13,14).
  • E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.6).
  • Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2.18).
  • Ora o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus, e na paciência de Cristo” (2Ts 3:5).
  • Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas” (1Pe 1.2).
  • Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3).
  • Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hb 9.14).

Num próximo estudo, pretendemos falar mais especificamente sobre a deidade de cada uma das pessoas da Trindade, cuja doutrina desenvolveu-se do desejo da igreja de preservar as verdades bíblicas no tocante ao Deus que é o Senhor transcendente sobre toda a História e que, porém, dá-Se a Si mesmo pessoalmente para agir dentro da História. Aliás, a própria a palavra Trindade, que não se encontra na Bíblia, surge no século II, como resultado da preocupação com a definição da doutrina de Deus. O verdadeiro conhecimento desta verdade foi, e continua sendo, necessário para refutar distorções como o Subordinacionismo, que tornava Cristo menor do que Deus, o Pai, o adocianismo, que entendia que Cristo era apenas um ser humano revestido por algum tempo com o Espírito de Deus, o modalismo ou o sabelianismo, que diz que as pessoas de Cristo e do Espírito Santo são apenas papéis ou modificações históricas do único Deus…

A doutrina trinitariana, portanto, é central para o kerigma salvífico das Escrituras, de acordo com o qual o Deus transcendente age pessoalmente na História, para redimir as Suas criaturas e dar-Se a elas. Orígenes concluiu corretamente que o crente ‘não chegaria à salvação se a Trindade não fosse completa’. Portanto, que “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém”.

Referências bibliográficas:

ELWELL, Walter. A. (Editor). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vol. I. São Paulo: Vida Nova, 1988 (1ª Ed.).

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. São Paulo: Vida, 1978 (7ª ed.).

 

Notas:


[1] PEARLMAN: 1978 (q.v.), pp. 51 a 55 – Texto adaptado de acordo com o Novo Acordo Ortográfico Brasileiro.

[2] SAUCY, R. L. Doutrina de Deus. In: ELWELL: 1988 (q.v.), pp. 440-444 – Texto parcial e adaptado de acordo com o Novo Acordo Ortográfico Brasileiro, usado conjuntamente com o texto de PEARLMAN (Nota 1) no decorrer deste estudo.

[3] Versão de Almeida é o nome às principais versões bíblicas de do principal tradutor da Bíblia para a Língua Portuguesa, João Ferreira de Almeida. “A grande maioria dos evangélicos do Brasil associa o nome de João Ferreira de Almeida às Escrituras Sagradas. Afinal, é dele a tradução da Bíblia mais usada e apreciada pelos protestantes brasileiros. Disponível, no Brasil, em duas edições, a Revista e Corrigida e a Revista e Atualizada, a tradução de Almeida é a preferida de mais de 60% dos leitores evangélicos das Escrituras no País”. Disponível em: <http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/joao-ferreira-de-almeida/>. Acesso em 09/05/2019.

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