A personalidade do Espírito Santo

Mais um artigo (post) de nossa série de estudos sobre doutrinas bíblicas, desta feita, destacando a personalidade do Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, conforme já destacamos no nosso post acerca da doutrina de Deus. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo (ex. Mt 3.16,17; 28.19 etc.). E ao falarmos que o Espírito Santo é uma pessoa, queremos destacar sua personalidade distinta do Pai e do Filho, mas ao mesmo tempo unida com ambos.

1. Alguns nomes do Espírito Santo

 O Deus das Escrituras é um Ser pessoal e Se revela por nomes. E este princípio se aplica também ao Espírito Santo. Por isso, a compreensão destes nos ajuda muito a saber sobre Sua Pessoa. Vejamos alguns:

a) Espírito de Deus:

Encontramos estes nomes em referências bíblicas como: 1Jo 4.2; Jó 33.4; 1Co 2.11; 3.16; 2Cr 15.1; Rm 8.9,14; Mt 12.28… Trata-se do Espírito como o executivo da Divindade, operando tanto na esfera física como na moral, conversão dos pecadores, santificando e sustentando os crentes.

b) Espírito de Cristo:

Referências: Rm 8.9; Fp 1.19… Não há nenhuma distinção especial entre as expressões Espírito de Deus, Espírito de Cristo, e Espírito Santo. Há somente um Espírito Santo, da mesma maneira como há somente um Deus e um Filho. Mas o Espírito Santo é também chamado o Espírito de Cristo porque Ele foi enviado em nome de Cristo (Jo 14.26), Ele é o princípio da vida espiritual pelo qual os homens são nascidos no reino de Deus, são batizados nEle (Mt 3.11) e, por intermédio dEle, glorifica a Cristo (Jo 16.14).

c) O Consolador:

Referências: Jo 14.16; 15.26; 16.7… Expressão utilizada por Jesus e mencionada por João, e tem o sentido de que o Espírito Santo substituiria a pessoa de Cristo, no comando da Igreja. Os discípulos haviam tomado sua última ceia com o Mestre. Os seus corações estavam tristes pensando na sua partida, e estavam oprimidos pelo sentimento de fraqueza e debilidade. O Espírito, o Consolador, era quem os ajudaria quando ele partisse e os guiaria na Verdade. Do grego, “parácleto”, e do latim, “advocatus”, o Espírito Santo foi enviado por Cristo para ser o “outro” Consolador que estaria de forma invisível junto aos discípulos no lugar de Cristo.

d) Espírito Santo:

Referências: Lc 1.67; 4.1; At 2.4; 8.17; 13.52; 19.2; 2Tm 1.14; Hb 10.15… A obra principal do Espírito Santo O Espírito Santo veio para reorganizar a natureza do homem e para opor-se a todas as suas tendências más.

Estes e outros nomes como Espírito da verdade (Jo 15.26 etc.), Espírito da Graça (Zc 12.10; Hb 10.29 etc.), Espírito da vida (Rm 8.2; Ap 11.11 etc.),  Espírito de adoção (Rm 8.15 etc.), Autor da Escritura (2Pe 1.21, 2Tm 3.16) etc., classificam o Espírito Santo como um ser divino no sentido absoluto.

2. Personalidade e atributos do Espírito Santo

O Espírito Santo é uma pessoa ou é apenas uma influência? Muitas vezes descreve-se o Espírito duma maneira impessoal – Sopro, Unção, Fogo, Água, Dom etc. –, mas a Bíblia O descreve duma maneira que não deixa dúvida quanto à sua personalidade.

A personalidade do Espírito Santo pode ser conhecida por vários atributos como veremos em alguns textos bíblicos abaixo:

a) Mente: “E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos” (Rm 8.27). O Espírito “sonda”, “examina”, “conhece”, ou seja, “… é Deus mesmo, onisciente, que conhece a direção e os movimentos do Espírito inspirando as aspirações humanas” (Apud SHEDD: 1983. Vol. II, p. 1170).

b) Vontade: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1Co 12.11). Como “quer” ou lhe “apraz” são termos que retratam a volição ou vontade de escolha do Espírito Santo como uma Pessoa.

c) Sentimento: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” (Ef 4.30). Como um Pessoa, o Espírito Santo possui sentimento e pode ser entristecido.

d) Atividades pessoais: Algumas atividades que são atribuídas ao Espírito Santo indicam também seus atributos pessoais, como: Ele revela/inspira (“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”, 2Pe 1.21); ensina (“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”, Jo 14.26); clama (“E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”, Gl 4.6); intercede (“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”, Rm 8.26); fala (Ap 2:.); ordena (At 16.6,7); testifica (Jo 15.26); contra ele se pode mentir (At 5.3), e blasfemar (Mt 12.31,32)…

Além destes atributos, a personalidade do Espírito Santo também é indicada pelo fato de que se manifestou em forma visível de pomba (Mt 3.16), pelo fato de que ele se distingue dos seus dons (1Co 12.11). No caso do aspecto visível da pomba, não significa que Ele possui corpo, mas que apareceu – e quis aparecer – no momento do batismo de Jesus em “forma corpórea” ou “formato” de uma pomba. E o fato de Ele distribuir dons aos crentes não significa que o Espírito Santo entre em forma de “corpo” nas pessoas. A personalidade é aquilo que possui inteligência, sentimento e vontade; ela não requer necessariamente um corpo. Além disso, a falta duma forma definida não é argumento contra a realidade. O vento é real apesar de não possuir forma (Jo 3.8).

Não é difícil formar um conceito de Deus Pai ou do Senhor Jesus Cristo, mas alguns têm confessado certa dificuldade em formar um conceito claro do Espírito Santo. A razão é dupla: Primeiro, nas Escrituras as operações do Espírito são invisíveis, secretas, e internas; segundo, o Espírito Santo nunca fala de si mesmo nem apresenta a si mesmo. Ele sempre vem em nome de outro. Ele se oculta atrás do Senhor Jesus Cristo e nas profundezas do nosso homem interior. Ele nunca chama a atenção para si próprio, mas sempre para a vontade de Deus e para a obra salvadora de Cristo. Veja: “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13).

O Espírito Santo é uma personalidade distinta e separada do Deus Pai e do Deus Filho. Mas não é independente de ambos. Além disso, também demonstra Sua divindade pelos atributos divinos lhe são aplicados, como: Ele é eterno, onipresente, onipotente, e onisciente (p, ex. Hb 9.14; Sl 139.7-10; Lc 1.35; 1Co 2.10,11); pratica obras divinas como criação, regeneração e ressurreição (Gn 1.2; Jó 33.4; Jo 3.5-8; Rm  8.11) e é classificado junto com o Pai e o Filho (1Co 12.4-6; 2Co 13.13; Mt 28.19; Ap. 1.4)…

3. A natureza do Espírito Santo e a Trindade

Já vimos acima que o Espírito Santo é uma Pessoa à parte do Pai e do Filho. Trata-se da Trindade Divina. Mas a Pessoa do Espírito Santo é a menos entendida pelos cristãos. E sua divindade é demonstrada em sua plena igualdade com o Pai e com o Filho. Vemos isto, pelas fórmulas trinitarianas que encontramos na Bíblia, esboçadas por Franklin FERREIRA: na fórmula batismal (“… em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, Mt 28.19); dons espirituais, 1Co 12.4-6 (“Espírito”, v. 4, “Senhor = Jesus”, v. 5 e “Deus = Pai” (v. 6); bênção apostólica, 2Co 13.13 (graça do Senhor Jesus Cristo,  amor de Deus e comunhão do Espírito Santo); obras da salvação, 1Pe 1.2 (presciência de Deus Pai, santificação do Espírito e aspersão do sangue de Jesus Cristo); e “ santíssima”, Jd 20-21 (orando no Espírito Santo, amor de Deus e misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo);

Segundo Ferreira, a ordem diferente em que as pessoas divinas aparecem na Bíblia  – “… nem sempre o Pai vem primeiro, depois, o Filho e por último, o Espírito” –, indica que não há nenhum nível de inferioridade entre elas e também não se somam entre si. Como sintetiza Agostinho de Hipona:

“O Pai é apenas o Pai do Filho, e o Filho apenas o Filho do Pai; o Espírito, entretanto, é o Espírito tanto do Pai como do Filho, unindo-os em um vínculo de amor.”

A doutrina da Trindade foi sendo aos poucos definida na Igreja Cristã do primeiro século, e a base para tal, entre outros textos eram as fórmulas trinitarianas neotestamentárias. Encontramos uma definição mais abrangente, por volta do século IV, por exemplo, com Atanásio. Em sua luta contra a doutrina herética do arianismo, ele desenvolveu o credo, hoje aceito pelos cristãos:

“A fé católica [universal] consiste em venerar um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas e sem dividir a substância. Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo (…) E nesta Trindade nada é anterior ou posterior, nada maior ou menor; porém todas as três pessoas são coeternas e iguais entre si; de modo que, em tudo, conforme já ficou dito acima, deve ser venerada a Trindade na unidade e a unidade na Trindade. Portanto, quem quer salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade” (Credo de Atanásio, 3-6, 24-26).

Veja também:

Referências bibliográficas:

  • FERREIRA, Franklin. A Trindade e a pessoa do Espírito Santo. Disponível em: <https://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/trindade-e-pessoa-espirito-santo/>. Acesso em 09/09/2019.
  • PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. São Paulo: Vida, 1978 (7ª ed.).
  • SHEDD, Dr. Russell P. (Editor). O Novo Comentário da Bíblia, Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1983 (reimpressão).
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