Caso Marielle: um enredo com muitos personagens e tempo indeterminado

Vereadora e seu motorista foram assassinados há um anoA carioca Marielle Franco[1], vereadora do PSOL, socióloga e ativista de direitos humanos, foi “… assassinada aos 38 anos de idade em uma emboscada no centro da capital fluminense no dia 14 de março de 2018[2]. Portanto, o caso ocorreu há quase 20 meses e ainda não foi desvendado.

Juntamente com Marielle, foi assassinado também o seu motorista Anderson Gomes[3]. Mas como era de se esperar, a morte do motorista ocorrida nas mesmas circunstâncias, não receberia as mesmas atenções como aconteceu com a de Marielle. Apenas citando algumas manchetes do Portal R7, vejamos parte das repercussões do caso:

As investigações concluíram que o policial reformado Ronnie Lessa foi o autor dos crimes, tendo efetuado os disparos de arma de fogo, e o ex-policial militar Elcio Vieira de Queiroz estava conduzindo o Cobalt usado na execução (Negritos nosso).

Questionado pela entrevistadora da emissora norte-americana sobre alegações de que ele e sua família teriam ligações com as milícias suspeitas de envolvimento na morte de Marielle, Bolsonaro reiterou que só conheceu a vereadora após sua morte, em março do ano passado, e garantiu não ter qualquer relação com o PM da reserva apontado como executor do crime, apesar de ambos morarem no mesmo condomínio no Rio de Janeiro.

Em entrevista exclusiva para a Record TV, Bolsonaro comentou sobre depoimento de porteiro que afirmou que o presidente teria permitido a entrada em condomínio no Rio de Janeiro de um dos suspeitos de assassinar Marielle Franco. Jair Bolsonaro disse que, na data apontada pela testemunha, ele estava em Brasília.

Depois destas manchetes que resumem o caso Marielle, chegamos até aqui com dois principais suspeitos presos: Ronnie Lessa, que foi o autor dos disparos de arma que mataram a vereadora, e Elcio Vieira de Queiroz, condutor do Cobalt, usado no momento da execução da mesma. Mas estes dois suspeitos não encerram a discussão e o caso Marielle parece que ainda vai demorar um tempo para ser esclarecido.

Outros personagens surgem neste enredo. Em 17/09/2019, por exemplo, um pouco antes de deixar o cargo, a Ex-Procuradora da República, Raquel Dodge, denunciou um conselheiro afastado do Tribunal de Contas do RJ, Domingos Brazão, como mandante do crime de Marielle. Este e outros investigados, Gilberto Ribeiro da Costa, o PM Rodrigo Ferreira, a advogada Camila Nogueira e o delegado da PF, Hélio Khristian, são investigados “… por supostamente desviarem a investigação para não se desvelar organização criminosa e por inserção de declarações falsas em depoimento oficial[9].

No mesmo dia (17/09/2019), Raquel Dodge também propôs um novo rumo das investigações do caso, pois o que foi tomado pela Polícia Civil (RJ) “… apontou para receptores que não eram os verdadeiros. Estou pedindo o deslocamento de competência para que haja uma investigação para se chegar aos mandantes[10].

Bem, este “deslocamento de competência” agora se faz necessário, pois no caso, que têm interesse, partidos de oposição, jornalistas com viés de esquerda etc., estes pretendem envolver o Presidente da República, Jair Bolsonaro. Uma reportagem do Jornal Nacional, de 29/10/2019, da TV Globo, que divulgou informações, tentando ligar Jair Bolsonaro a Ronnie Lessa, acusado, como já vimos, de matar a vereadora Marielle Franco, caiu como uma luva para o gosto dos interessados oportunistas, que desejam realmente que Bolsonaro seja culpado. Lessa morava, em 14/03/2018, quando ocorreu o crime de Marielle, na “… casa registrada com os números 65 e 66 no Condomínio Vivendas da Barra, onde o presidente Jair Bolsonaro tem um imóvel, a casa 58[11]. Mas a Globo fez questão de chamar dar atenção à fala de um porteiro, que segundo a Globo, “… contou à polícia que Élcio entrou no Vivendas da Barra dizendo que iria para a casa do então deputado Jair Bolsonaro[12]. E mais: “… no dia do crime, o porteiro trabalhava na guarita que controla os acessos ao condomínio. Às 17h10 da data do crime, ele escreve no livro de visitantes o nome de quem entra, Élcio, o carro, um Logan, a placa, AGH 8202, e a casa que o visitante iria, a de número 58”. Ou seja, a Globo, na continuação da reportagem informa que o Deputado Jair Bolsonaro, na época, estava em Brasília, mas fez questão de dizer que um porteiro afirmou que Élcio, comparsa de Lessa havia se dirigido ao número 58, casa do Deputado.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, que em 24/10/2019 disse sobre o interesse do governo federal de esclarecer o caso, mas que “… a investigação do crime não está na esfera de jurisdição do governo federal[13], agora tem interesse, de fato, de federalizar o caso Marielle, o que veremos num outro momento, embora, segundo reportagem o SBT, no vídeo a seguir, o caso parece que ficará mesmo com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

 

Notas:

  • [1]  Foto disponível em: <https://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/caso-marielle-novo-delegado-assume-investigacoes-do-ataque-20032019>. Acesso em: 05/11/2019.
  • [2]  Disponível em: <https://tudo-sobre.estadao.com.br/marielle-franco>. Acesso em: 04/11/2019.
  • [3]  Disponível em: <https://recordtv.r7.com/jornal-da-record/videos/multidao-acompanha-velorio-de-marielle-franco-e-anderson-gomes-no-rj-06102018>. Acesso em: 05.11.2019.
  • [4]  “Ex-Policial Militar Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Curicica”.
  • [5]  Richard nunes, Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
  • [6]  Renato Nascimento dos Santos, motorista de Orlando Curicica. Veja Nota 4.
  • [7]  Policial civil Rafael Luz Souza, conhecido como Pulgão.
  • [8]  Paulo Melo e Edson Albertassi, “… ouvidos na condição de testemunhas na linha de investigação que aponta motivação política”.
  • [9]  Disponível em: <https://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/dodge-denuncia-domingos-brazao-conselheiro-do-tce-no-caso-marielle-18092019>. Acesso em: 06/11/2019.
  • [10]  Idem, Nota 9.
  • [11]  Disponível em: <https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/10/30/audio-mostra-que-ronnie-lessa-liberou-a-entrada-de-elcio-de-queiroz-em-condominio-no-dia-do-assassinato-de-marielle-diz-mp.ghtml>. Acesso em: 06/11/2019.
  • [12]  Disponível em: <https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/10/29/suspeito-da-morte-de-marielle-se-reuniu-com-outro-acusado-no-condominio-de-bolsonaro-antes-do-crime-ao-entrar-alegou-que-ia-para-a-casa-do-presidente-segundo-porteiro.ghtml>. Acesso em: 06/11/2019.
  • [13]  Disponível em: <https://jornaldebrasilia.com.br/politica-e-poder/moro-governo-federal-tem-todo-interesse-em-elucidar-morte-de-marielle/>. Acesso em: 06/11/2019.

 

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