Império Bizantino

O Império Romano se divide em 391, pelo imperador romano Teodósio, em duas partes: Império Romano do Ocidente, com sede em Roma, e Império Romano do Oriente, com sede em Bizâncio, também chamada de Constantinopla. Daí, o termo Império Bizantino [1]

Em sua parte ocidental, o Império Romano não resistiu às pressões dos povos germânicos, e diversos reinos se formaram no continente europeu. Mas no Oriente a história foi bastante diferente: o império conseguiu sobreviver até meados do século XV. Durante esse tempo, entretanto, perdeu boa parte de seu território, de seu poder e mesmo dos costumes romanos.

Sediado em Bizâncio, entre a Europa e a Ásia, o Império Romano do Oriente acabou recebendo a influência de muitos povos, como os sírios, os judeus, os armênios, os egípcios e os persas. A sua posição geográfica facilitou esse intercâmbio, assim como a intensa prática comercial.

O traço marcante do Império bizantino, como também é conhecido o Império Romano do Oriente, foi a religião. O Cristianismo seria um dos principais elos para a manutenção do Império.

Bizâncio foi fundada no século VII a.C. Antiga colônia grega, situada na costa ocidental do estreito de Bósforo, entre o mar Negro e o mar de Mármara, tinha uma posição privilegiada, pois era uma das passagens das rotas comerciais entre a Europa e a Ásia. Um local excepcional para defesa, pois era cercado por mar em ¾ partes de sua área.

Durante quase seis anos, construtores restauraram a cidade, decorando-a com ricos objetos de arte vindos de todas as partes do Império Romano. No ano 330, a cidade foi inaugurada. Deveria chamar-se Nova Roma, porém, em homenagem a Constantino, prevaleceu o nome Constantinopla.

Vista panorâmica de Istambul a partir da confluência do Bósforo e do Mar de Mármara [2]

Em pouco tempo, a população de Constantinopla cresceu tanto que foi necessário construir um grande número de casas. E, para aumentar a segurança da cidade, foram construídos 20 quilômetros de muralhas tríplices.

O dinheiro para as construções, serviços públicos e diversões era obtido pela cobrança de impostos sobre todas as mercadorias que entravam na cidade e saíam dela.

Depois da desagregação do Império Romano do Ocidente, o Império Bizantino ainda conservou as tradições romanas durante muito tempo. Entretanto, por ser constituído principalmente de populações gregas e orientais (sírios, judeus, armênios, egípcios, persas), foi, pouco a pouco, perdendo a cultura latina e adquirindo características das culturas desses povos, com predomínio da grega.

Apesar disso, o Império Bizantino desempenhou importante papel na preservação dos tesouros das sociedades grega e romana. Suas bibliotecas guardaram as obras dos historiadores, sábios, poetas e oradores da antiguidade clássica. No Ocidente, muitas dessas obras acabaram destruídas pelos povos invasores.

O Império Bizantino transformou-se no mais poderoso do Mediterrâneo. Chegou a abrigar 1 milhão de habitantes. Havia ainda outras cidades importantes, como Tessalônica, Nicéia, Tarso e Edessa.

Assim, o Império bizantino manteve um caráter essencialmente urbano, ao mesmo tempo que na Europa ocidental as cidades perdiam importância e a população migrava para o campo.

Em mais de onze séculos de existência, o Império Romano do Oriente raramente desfrutou de um ano inteiro de paz. Além das lutas internas, teve de enfrentar, sucessivamente, a invasão dos visigodos, dos hunos, dos persas, dos avaros, dos búlgaros, dos eslavos, dos vikings, dos árabes, dos normandos e dos turcos.

o Império Bizantino foi importante na manutenção da cultura greco-romana. Apesar de ter perdido pouco a pouco as tradições romanas, o Império Bizantino preservou tesouros das sociedades grega e romana. Enquanto no Ocidente muitas das obras da Antiguidade Clássica foram destruídas pelos povos invasores, as bibliotecas do Império Bizantino guardaram obras de historiadores, sábios, poetas e oradores daquele período.

A organização social bizantina era formada por: banqueiros, comerciantes, donos de oficinas e grandes proprietários de terra constituíam uma rica aristocracia, que consumia parte dos artigos de luxo que circulavam pelo império. Nas cidades, havia um grupo social intermediário, constituído de trabalhadores das oficinas e do comércio. No campo, havia os servos, presos às terras dos grandes proprietários. O direito de exploração dos senhores era regulamentado por lei. A servidão era hereditária, e os servos eram proibidos de sair das terras onde haviam nascido. Havia ainda, os escravos, em sua maioria encarregados dos serviços domésticos.

A economia em Constantinopla fabricavam-se artigos de luxo, como tecidos finos, jóias, objetos de ouro e marfim. Esses produtos eram exportados para o ocidente.

Em Compensação, a cidade importava trigo, especiarias, perfumes, papiros, peles e pedras preciosas do Oriente e do norte da África. Parte desses artigos era revendida ao Ocidente com boa margem de lucro. Da Grécia chegavam o azeite, as azeitonas e o vinho. Da Síria vinham ornamentos de luxo. Pela importância de seu comércio, a moeda de ouro do Império Bizantino era usada em grande parte no comércio realizado entre diferentes povos. Com a riqueza obtida, o governo pôde construir belos e imponentes edifícios públicos. Atraiu pintores, escultores e arquitetos, transformando Constantinopla em um importante pólo cultural.

O Cristianismo desempenhou papel central na vida dos bizantinos. Os festejos, o esplendor dos edifícios, os jogos, os espetáculos teatrais – tudo fazia parte da homenagem a Deus. Quadros, mosaicos, monumentos ou poemas representavam, de alguma maneira, a glória de Deus.

As pessoas procuravam bênçãos da Igreja, mesmo para atividades cotidianas. Quando uma frota partia para a pesca, por exemplo, recebia a benção em longos rituais. Todas as casas construídas eram dedicadas a Deus.

A partir do século VI, a arquitetura religiosa obteve grande destaque. As igrejas, com seus mosaicos e suas pinturas, constituem um rico modelo da arte bizantina. Um exemplo disso é a catedral de Santa Sofia, que ainda hoje existe.

No Império Bizantino, veneravam-se muitas relíquias, além de ícones – imagens de Cristo, da Virgem Maria e dos santos, reproduzidas em pintura ou escultura.

Os ícones eram produzidos principalmente pelos monges, que obtinham grandes somas em dinheiro com sua comercialização. Os monges estavam isentos de tributação e possuíam inúmeras riquezas. Pela importância atribuída à religião, os monges exerciam muita influência na sociedade bizantina. Visando enfraquecer o poder deles, em 725, o governo proibiu o uso de esculturas, determinando sua destruição. Por causa dessa proibição, por mais de um século, milhares de esculturas religiosas foram destruídas ou desfiguradas. Esse movimento ficou conhecido como iconoclasta.

O Império Bizantino atingiu seu máximo esplendor durante o reinado do Imperador Justiniano (527 – 565), que pretendia reconstruir a unidade do antigo Império Romano.

Cesaropapismo: junção dos poderes político (de César, imperador romano) e religioso (de papa, bispo maior de Roma). Foi o nome dado às intervenções dos imperadores bizantinos em assuntos religiosos, motivo de disputas entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla.

O governo de Justiniano foi assinalado por três grandes acontecimentos: a reconquista da maior parte do antigo Império Romano do Ocidente, a compilação do Direito Romano e a construção de centenas de igrejas, entre elas a de Santa Sofia.

Hagia Sophia

A Catedral de Santa Sofia constitui um exemplo de arquitetura religiosa bizantina que se destacou a partir do século VI. Ela foi construída entre os anos 532 e 537; entre outros elementos, possui magníficas colunas de mármore; suas torres externas foram construídas mais tarde pelos turcos. Inicialmente uma catedral, transformou-se numa mesquita e, há algumas décadas, em museu. [3]

Um exemplo da influência da arte bizantina no Brasil encontramos no lindíssimo templo e sede da Igreja Ortodoxa do Brasil, localizado no bairro do Paraíso em São Paulo, como vemos no vídeo a seguir. Esta Catedral “… é um exemplo de construção arquitetônica bizantina que pode ser apreciado na América do Sul. Seu projeto, cuja edificação teve início da década de 1940, foi inspirado na Basílica de Santa Sofia em Constantinopla (atual Istambul)“. [4]

Justiniano conseguiu reconquistar a África do norte aos vândalos, a península Itálica aos ostrogodos e o sul da península Ibérica aos visigodos. Além disso, deteve os ataques dos persas (no Oriente) e dos eslavos (no Norte), que ameaçavam a integridade do império.

Todo esse crescimento, entretanto, tinha um custo bastante elevado, pois implicava despesas militares e administrativas, que recaíam sobre a população na forma de impostos.

Os aumentos freqüentes de impostos geraram grande insatisfação em diversos setores da sociedade, que se manifestou por meio de levantes. Dentre esses, o mais conhecido é a Revolta de Nika (Niké).

O estopim para a revolta popular foi um incidente no hipódromo de Constantinopla. As corridas de carros puxados por cavalos eram uma das principais diversões públicas dos bizantinos. Em 532, a dúvida quanto ao vencedor de uma corrida provocou enorme tumulto, que logo se transformou em rebelião. O público presente marchou até o palácio imperial aos gritos de Niké (palavra grega que significa “vitória”). Daí o nome dado à revolta. O movimento foi violentamente esmagado pelas forças do império.

Após a morte de Justiniano, gradativamente o Império Bizantino foi perdendo os territórios que havia conquistado, ficando sujeito a sucessivas invasões.

Em 636, os árabes conquistaram a Síria, em 638, a palestina, e, em 641, a Pérsia e o Egito.

As questões religiosas entre Roma e Constantinopla culminaram com o chamado Cisma do Oriente, divisão do Cristianismo em duas igrejas, ocorrida em 1054: Igreja Ortodoxa, com capital em Constantinopla, sob a liderança do patriarca, e Igreja Católica, com sede em Roma, sob a liderança do papa.

Em 1204, cruzados cristãos saquearam Constantinopla e, por volta de 1350, os turcos otomanos chegaram a controlar quase toda a Ásia Menor, avançando sobre a Europa. Em menos de um século ocuparam a maior parte da península Balcânica.

Em 1453, o sultão Maomé II conquistou Constantinopla – “uma monstruosa cabeça sem corpo”, como a chamou. Tradicionalmente, essa data marca o fim da Idade media e o inicio da Idade Moderna.

Veja, agora, o vídeo-aula [5] a seguir:

 

Notas / Referências:

  • [1] PILETTI, Nelson & Claudino. EJA (Educação de Jovens e Adultos): História: Ensino Fundamental, 3º Ciclo. São Paulo: Ática, 2003,  p, 84 a 87 (texto adaptado).
  • [2] Imagens disponíveis em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Istambul>. Acesso em 30/08/2016.
  • [3] Igreja de Santa Sofia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Sofia>. Acesso em 17/09/2015. 
  • [4] Igreja Ortodoxa em São Paulo. In: <Igreja Ortodoxa em São Paulo>. Acesso em 24/04/2017.
  • [5] BATISTA, Israel. Império Bizantino. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=vhSj_f9WQ3I>. Acesso em 17/09/2015.

 

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