Muito além das urnas

Por Lenadro Konder

Entenda o que significa, como surgiu e evoluiu o conceito de democracia!

É ano de eleições. Na TV, nos jornais e cartazes nas ruas, as eleições são assunto constante. Elas fazem parte de uma ideia muito maior chamada democracia. Mas o que é democracia afinal? Essa palavra foi inventada pelos antigos gregos. Segundo o Dicionário Aurélio, ela significa “governo do povo, soberania popular”.

Há cerca de 2500 anos, existiam duas maneiras de governar. Numa, a sociedade era comandada por uma só pessoa: o rei ou o monarca. Era a monarquia. Noutra, a sociedade era dirigida por um grupo pequeno de homens ricos. Era a aristocracia. Em algumas cidades da Grécia foi experimentada uma terceira forma de governo, na qual este deveria ser controlado pelo conjunto de homens livres da cidade: os cidadãos. Era a democracia.

Os cidadãos elegiam os governantes que, por sua vez, prestavam contas aos cidadãos daquilo que estavam fazendo. Se algum político no governo fazia algo que os cidadãos achavam errado, ele podia ser deposto e expulso da cidade. Na democracia, as leis deviam valer igualmente para todos os cidadãos. Ninguém devia ter nenhum privilégio diante da lei.

No entanto, nas cidades gregas da Antiguidade, a democracia se limitava à minoria da população. Os escravos não tinham direitos, não participavam da eleição nem do controle do governo. As mulheres também não tinham direitos políticos e ficavam inteiramente subordinadas aos homens. Além disso, só aqueles que nasciam na cidade podiam ser cidadãos. Mesmo que alguém morasse na cidade durante muitos anos, jamais poderia adquirir os direitos da cidadania.

A democracia na Grécia não durou muito. As sociedades se modificaram, surgiram situações novas e novas tentativas foram feitas, mas a experiência dos antigos gregos não foi esquecida. No Renascimento (movimento de cientistas e artistas que queriam trazer de volta as ideias e a arte dos Antigos), o exemplo da Grécia foi lembrado em algumas cidades italianas. No século XV, os habitantes de Florença tentaram organizar uma democracia como a grega, mas a tentativa também durou pouco.

No início da Idade Contemporânea, surgiu a ideia de se retomar a democracia, mas baseada na participação de todos e não de alguns, como na Grécia Antiga. Muitos grupos começaram a se organizar para lutar pelas mudanças necessárias, reformar as leis, superar as discriminações e eliminar privilégios. Para isso, era necessário que o poder do Estado fosse repartido entre o presidente da República (ou o rei), os ministros, governadores, deputados e juízes. Assim, no finalzinho do século XIX, criou-se, em alguns países da Europa, o sufrágio universal.

Sufrágio universal é o direito que todos os homens adultos passaram a ter de votar e tentar eleger seus candidatos, seus representantes, para o governo. Só no século XX as mulheres também puderam participar totalmente da vida política.

Ainda há muitas dificuldades e muitos obstáculos para existir uma democracia plena. Ainda não existe uma democracia perfeita, nem um livro capaz de ensinar como ela deve ser. Por isso, os cidadãos precisam conversar muito uns com os outros e experimentar para descobrir como é que as coisas podem funcionar!

Fonte:

KINDER, Leandro. Muito além das urnas. (Texto adaptado). Disponível em: <http://chc.cienciahoje.uol.com.br/muito-alem-das-urnas/>. Acesso em 1º/10/2015.

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