Império Islâmico

O Islamismo, religião fundada por Maomé, no século VI, serviu de base para a formação do vasto Império Islâmico. Por isto preferimos o termo Império Islâmico e não Império Árabe, porque foi com base na sua religião que os árabes formaram o seu império, chegando a ocupar a Ásia, África e parte da Europa, como vemos no mapa [1], a seguir.

A península Arábica, hoje Arábia Saudita, é a 
região onde teve início o Império Islâmico.

1.  A origem do Islamismo [2]

A principal paisagem da península Arábica é o deserto, com dunas, solos pedregosos, vales de rios secos e alguns oásis. Até o século VII, esse cenário era ocupado por diversas tribos de origem semita. Algumas dessas tribos viviam no interior da península, em pleno deserto; outras habitavam a região litorânea.

As tribos que habitavam o deserto tinham vida nômade e ocupavam, em geral, áreas próximas aos oásis. Conhecidos como beduínos, sobreviviam basicamente da criação de pequenos rebanhos de animais, como ovelhas, cabras e camelos.

As tribos que habitavam o litoral, chamadas coraixitas, eram sedentárias e viviam principalmente do comércio. Na costa oeste da península Arábica, fundaram várias cidades, como Meca e Yatreb.

Meca era um importante centro comercial e religioso. Além das feiras, contava com a Caaba, santuário no qual eram depositadas as imagens das divindades cultuadas pelas tribos da península. As atividades comerciais, intensificadas pelas peregrinações dos beduínos à Caaba, eram controladas pelos coraixitas.

Assim, constituída por tribos diversas, cada qual com uma organização interna, a Arábia, até o século VI, não possuía unidade política.

Em 630, com a organização do Islamismo por Maomé por Maomé, essa realidade seria modificada. Em torno da religião, os árabes construíram um Estado único.

2. O Islamismo

O Islamismo, ou islão, prega a crença em um só deus, Alá. Islamismo significa “submissão a Deus”. Daí o adepto do Islamismo chamar-se islamita ou muçulmano (do árabe muslim, que significa “resignação à vontade de Deus”).

Em sua doutrina, o Islamismo ensina que todos os homens são iguais perante Alá e prega que aos verdadeiros crentes está reservado o paraíso após a morte. O paraíso, segundo o Islamismo, é um lugar de eterna primavera, com maravilhosos jardins e donzelas celestiais servindo bebidas aromáticas.

Além disso, estabelece uma série de preceitos que devem orientar a vida do mulçumano: orar cinco vezes ao dia, jejuar periodicamente, descansar nas sextas-feiras, ir, se possível, ao menos uma vez na vida em peregrinação aos locais sagrados de Meca. Deve também dar esmolar, não beber bebida alcoólica nem comer carne de porco e, se necessário, participar da guerra santa para espalhar, por meio de precações e conquistas, a religião islâmica e converter os infiéis à sua crença. Os mulçumanos crêem que os que morrem combatendo pela fé islâmica têm assegurado o paraíso.

O livro sagrado do Islamismo é o Corão, que, segundo seus seguidores, reúne os preceitos que Alá transmitiu a Maomé, por intermédio do anjo Gabriel. É dividido em 114 suras (capítulos), ordenadas por tamanho. Neles estão incorporados elementos fundamentais do Judaísmo e do Cristianismo, além de antigas tradições religiosas árabes.

3. O Império Islâmico

Após a morte de Maomé, em 632, iniciou-se um movimento de expansão do Islamismo. Pregando a guerra santa contra os infiéis, em menos de um século os árabes conquistaram a Síria, a Pérsia (até a Índia), o Turquestão, o Egito e África do norte.

Em 711, atravessaram o estreito de Gibraltar e conquistaram quase toda a península Ibérica. Em seguida, atravessaram os Pireneus e entraram na Gália, mas foram derrotados pelos francos em 732.

Os árabes geralmente tratavam com moderação os povos conquistados, procurando respeitar os seus costumes.

O Império Islâmico manteve-se unido durante quase duzentos anos após a morte de Maomé, graças à religião e à língua árabe, na qual estava escrito o Corão.

A partir do século VIII, rivalidades internas, disputas políticas e ameaças de invasão provocaram grandes transformações no Império Islâmico. Seu poderio político e militar diminuiu muito.

No Oriente, no século XVI, os turcos otomanos conquistaram o que restava do Império Islâmico.

4. A cultura Islâmica

Maomé ordenou a seu povo que “procurasse o conhecimento, nem que fosse na China”. Seguindo essa ordem, os islâmicos assimilaram a cultura dos povos com os quais entravam em contato. Grande parte desse conhecimento foi transmitida pelos árabes aos povos da Europa ocidental, durante a Idade Média.

Nas artes, os árabes distinguiram-se principalmente na arquitetura. Construíram palácios e mesquitas (templos), com numerosas colunas, arcos em ferradura, mosaicos e arabescos (decorações baseadas na combinação de motivos geométricos e vegetais, acrescidas de inscrições em caracteres árabes).

Nas letras, a obra mais famosa é As mil e uma noites, com histórias de aventuras, contos e fábulas.

Na área do conhecimento, os árabes distinguiram-se em:

  • matemática, desenvolvendo a álgebra e a trigonometria, além de propagar o sistema de numeração indo-arábico, cuja invenção pertence aos hindus;
  • química, desenvolvendo novas substâncias e compostos, como o salitre, o álcool, o ácido sulfúrico, o nitrato de prata, o alume, o carbonato de sódio, etc.;
  • medicina, com importantes experiências, como identificar a transmissão de doenças por meio da água, do solo, de roupas, comida, vasilhas, etc, etc. Descreveram a natureza de várias doenças, como a tuberculose, a peste, a varíola e o sarampo; descobriram antídotos para certos casos de envenenamento; montaram hospitais e organizaram cursos de estudos médicos. Os mais famosos médicos árabes foram Avicena, cuja obra Canon foi adotada nas escolas de medicina da Europa até o século XVII, e Averróis, cuja presença foi marcante em Córdoba;
  • física, iniciando a óptica e desenvolvendo as lentes de aumento e as de correção dos defeitos da visão.

Os árabes são responsáveis ainda por inúmeros conhecimentos desenvolvidos na agricultura, no setor manufatureiro e no comércio.

Na agricultura, introduziram na península Ibérica as técnicas de irrigação aprendidas no Egito e na mesopotâmia, além de novos produtos. Entre eles encontram-se o arroz, a laranja a cidra, o limão, o pêssego, o açafrão, o espinafre, a alcachofra, o aspargo, a cana-de-açúcar, o algodão, o café, a banana e a tâmara.

No setor manufatureiro, desenvolveram a metalurgia, a tecelagem, a vidraria, a tapeçaria, a cerâmica e a perfumaria.

No comércio, aperfeiçoaram e difundiram os recibos, os cheques, as cartas de crédito e as associações comerciais. Acrescenta-se a todas essas contribuições aquelas que os árabes adquiriram no Oriente (China) e introduziram na Europa, como a bússola, o papel e a pólvora.

 Veja o vídeo-aula [3] a seguir:

 

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Veja também:

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Notas / Referências:

  • [1] A expansão do Islão. Imagem disponível em:https://www.youtube.com/watch?v=TYFf_VGDPc0. Acesso em 08/10/2015.
  • [2] PILETTI, Nelson & Claudino. História: Ensino Fundamental – EJA – Educação de Jovens e Adultos – 3º ciclo (texto adaptado). São Paulo: Ática, 2003, p. 88 a 91.
  • [3] BATISTA, Israel. Islamismo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aNWAgZ6eZEY>. Acesso em 08/10/2015.

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2 respostas a Império Islâmico

  1. João Henrique da Silva disse:

    Muito bom

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