Mesopotâmia: região entre os rios

A região entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, era disputada por inúmeros povos na Antiguidade, entre eles: os sumérios, os acádios, os babilônicos, os assírios e outros.

Veremos um pouco da história destes povos.

  1. Mesopotâmia [1]

A estreita faixa de terra compreendida entre os rios Tigre e Eufrates foi chamada, na antiguidade, de mesopotâmia, que significa “entre rios” (do grego, meso = no meio; potamos = rio). Essa região ocupada, entre 4.000 a.C. e 539 a.C., por uma série de povos que se encontraram e se misturaram, empreenderam guerras e dominaram uns aos outros, formando o que denominamos povos mesopotâmicos. Sumérios, babilônicos, hititas, assírios e caldeus são alguns desses povos.  [2]

Hoje:
- na região onde se instalaram os povos mesopotâmicos loca-
  lizam-se dois países: Iraque e Kuwait;
- o Iraque tem como capital a cidade de Bagdá e possui uma
  área de 434.128 km² (dados de 2002). Foi vítima de guerra
  em 2003;
- o Kuwait tem como capital a Cidade do Kuwait e possui uma
  área de 17.818 km²;
- Mesopotâmia é o nome da planície que abrange a bacia dos
  rios Tigre e Eufrates;
- o principal interesse econômico dessa região é o petró-
  leo.
  1. Os povos mesopotâmicos

Foi nos pântanos da antiga Suméria que surgiram as primeiras cidades conhecidas na região da Mesopotâmia, como Ur, Uruk e Nípur.

Sumérios (4000 a.C. – 1900 a.C.):

  • construíram cidades importantes como Ur, Uruk e Nípur;
  • enfrentaram muitos obstáculos, como as violentas e irregulares cheias dos rios Tigre e Eufrates;
  • construíram diques, barragens, reservatórios e também canais de irrigação, que conduziam as águas para as regiões secas;
  • desenvolveram a escrita cuneiforme;
  • foram os primeiros a construir veículos com rodas (cheias);
  • eram politeístas e faziam do culto aos deuses uma das principais atividades a desempenhar na vida.

Veja, no vídeo a seguir, um histórico sobre a escrita cuneiforme [3]:

A escrita cuneiforme foi desenvolvida pelos sumérios, sendo a designação geral dada a certos tipos de escrita feitas com auxílio de objetos em formato de cunha. É juntamente com os hieróglifos egípcios, o mais antigo tipo conhecido de escrita, tendo sido criado pelos sumérios por volta de 3.500 a.C. Inicialmente a escrita representava formas do mundo (pictogramas), mas por praticidade as formas foram se tornando mais simples e abstratas [4].

Babilônios (1900 a.C. – 1200 a.C.):

  • estabeleceram- se na região e conquista diversas cidades;
  • em seu processo de conquista, destacou-se o rei Hamurábi, o qual formou um império com capital na cidade Babilônia;
  • Hamurábi impôs a todos os povos dominados uma mesma administração, ficando famosa sua legislação, baseada na Lei de Talião, cujo principio era “olho por olho, dente por dente”.
  • os babilônios desenvolveram ainda um calendário e o relógio de sol;
  • Babilônia, a capital do império, tornou-se uma cidade próspera e rica;
  • após a morte de Hamurabi, o Império Babilônico foi invadido e ocupado por povos vindos do norte e do leste.

“O Código de Hamurabi, como ficou conhecido, é um dos mais antigos conjuntos de leis escritas da história. Hamurabi desenvolveu esse conjunto de leis para poder organizar e controlar a sociedade. De acordo com o Código, todo criminoso deveria ser punido de uma forma proporcional ao delito cometido.” [5]

Hititas (1600 a.C. – 1200 a.C.):

  • estabeleceram-se no centro da Ásia Menor, em uma região próxima da Mesopotâmia. Daí, estenderam seus domínios até a Síria e chegaram a conquistar a Babilônia.
  • legou-nos os mais antigos textos escritos em língua indo-europeu, que deu origem à maior parte dos idiomas falados na Europa. Os textos tratavam de história, política, legislação, literatura e religião e foram gravados em sinais cuneiformes sobre tabuinhas de argila.
  • desenvolveram a roda com raios (leves), o ferro e o cavalo, uma novidade na região. O cavalo deu maior velocidade aos carros de guerra.
  • foram dominados pelos assírios em 1200 a.C.

Na imagem, uma ilustração reconstrói a aparência provável de um carro de guerra hitita pronto para combate.

“Entre os séculos XIV e XII a.C., o exército hitita foi o mais temido do Oriente Próximo pela eficácia de seus carros de combate. Agiam com rapidez e decisão, desequilibrando os combates pela velocidade e ferocidade nos ataques. Entretanto, seu poderio e a situação de conflito quase permanente com os estados vizinhos não os impediram de criar uma intensa atividade diplomática. Geriram o primeiro tratado com o Egito de Ramsés II, que proporcionou uma trégua de oitenta anos entre os dois grandes impérios.”  [6]

Assírios (1200 a.C. – 612 a.C):

  • habitavam a região ao norte da Babilônia e por volta de 729 a.C. já haviam conquistado toda a Mesopotâmia.
  • guerreiros conhecidos por sua violência, os assírios conquistaram ainda outras regiões, constituindo um vasto império cuja capital foi ora Nínive, ora Assur.
  • por causa desse tipo de dominação, pela violência, os assírios enfrentavam constantes revoltas, que acabaram provocando uma crise no império. Por fim, os assírios não resistiram à pressão exercida por povos inimigos e acabaram derrotados, em 612 a.C.
Jonas e os assírios
Jonas foi um profeta hebreu, que na sua época,Nínive era a cidade mais importante dos assírios. Por ser uma cidade violenta e imoral, o profeta foi chamado por Deus para pregar contra ela. ‘A sua missão era admoestar os assírios que devido a sua crueldade e ao muito derramamento de sangue, iriam sofrer a ira Divina caso não se arrependessem dentro de quarenta dias. Os assírios eram famosos, por exemplo, por decapitar os povos vencidos, fazendo pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou empalavam os prisioneiros, arrancavam seus olhos e os esfolavam vivos. Temendo pela sua vida, Jonas foge rumo a Társis, no SE da península Ibérica’ [7]. Jonas é engolido por um grande peixe que o deixa às margens de Nínive e, lá, começa a pregar aos ninivitas. Estes, orientado pelo rei, arrependem-se e não são destruídos como pregara o profeta.

 

Caldeus (612 a.C. – 539 a.C.):

  • estabeleceram sua supremacia na Mesopotâmia, formando um novo império, conhecido como Neobabilônico;
  • seu mais importante soberano foi Nabucodonosor;
  • em 587 a.C., Nabucodonosor conquistou Jerusalém, capital dos hebreus;
  • em 539 a.C., Ciro, rei dos persas, apoderou-se de Babilônia e transformou-a em mais uma província de seu gigantesco império.

Durante o reinado de Nabucodonosor foi construída a famosa Torre de Babel, um dos zigurates, espécie de templos, construídos em forma de pirâmides e em formato de vários andares construídos um sobre o outro. Funcionavam como portões para a vinda de deuses à terra.

Os zigurates representam as maiores construções religiosas construídas, funcionavam como portões para a vinda de deuses à Terra. Essa crença esteve presente em muitas civilizações desde os primórdios da história. Por haver tantas construções que seguiam a crença de chegar aos Deuses, há a hipótese hoje de que a Torre de Babel poderia ter sido construída em Eridu, pois neste local o monarca da Terceira Dinastia de Ur, Amar-Sim, entre os anos de 2046 e 2037 a. C., tentou construir também um zigurate que nunca chegou ao fim. Seguindo essa teoria, a história que teria se encarregado de mudar o local da construção tempos mais tarde para a região da Babilônia. [8]

A organização social dos mesopotâmios

Sumérios, babilônios, hititas, caldeus. Entre os inúmeros povos que habitaram a Mesopotâmia existiam diferenças profundas. Os assírios, por exemplo, eram guerreiros. Os sumérios dedicavam-se mais à agricultura.

Apesar dessas diferenças, é possível estabelecer pontos comuns entre eles no que refere à organização social, à religião e à economia.

A sociedade mesopotâmica, nos períodos descritos, era formada por sacerdotes, aristocratas, militares, comerciantes, artesãos, camponeses e escravos. Havia funções privilegiadas exercidas, sobretudo, pelos sacerdotes. Mesmo entre eles, no entanto, assim como entre os militares e os aristocratas, havia pessoas mais privilegiadas que outras. Muitos artesãos se destacavam graças a suas apuradas habilidades. Os escravos eram minoria entre os trabalhadores.

Na mesopotâmia havia um entrelaçamento entre política e religião. Os reis exerciam as funções de sumo sacerdote, supremo juiz e comandante militar. Eram considerados representantes dos deuses na Terra e, portanto, responsáveis por intermediar as relações entre os indivíduos e os deuses. Dessa crença vinha todo o seu poder.

Os povos mesopotâmicos eram politeístas, isto é, adoravam diversas divindades, e acreditavam que elas eram capazes de fazer tanto o bem quanto o mal. As divindades representavam os elementos da natureza, como o vento, a água, a terra, o sol, etc.

Cada cidade tinha um deus próprio, e, quando uma alcançava predomínio político sobre as outras, seu deus também era cultuado nas áreas dominadas. No tempo de Hamurábi, por exemplo, o deus Marduc, da Babilônia, era adorado em quase toda a região da Mesopotâmia.

A divindade feminina mais importante era Ishtar, deusa da natureza e da fecundidade.

A prática de adivinhação também fazia parte da crença religiosa.

Nas sociedades mesopotâmicas o rei era considerado um representante dos deuses. Sua autoridade estendia-se a todas as sociedades. Ele era auxiliado por ministros, sacerdotes e funcionários. Legislava em nome das divindades, assegurava as práticas religiosas, zelava pela defesa de seus domínios e regulamentava a economia.

As principais atividades econômicas eram a agricultura e o comercio. Os mesopotâmios desenvolveram também a tecelagem, fabricavam armas, jóias e objetos de metal. Os comerciantes andavam em caravanas, levando seus produtos aos países vizinhos e às regiões mais distantes. Dessas terras traziam as matérias-primas que faltavam na Mesopotâmia, como o marfim da Índia, o cobre de Chipre e a madeira do Líbano.

O legado mesopotâmico

Devemos aos mesopotâmios vários elementos de nossa própria civilização. Vejamos alguns:

  • o ano de 12 meses e a semana de 7 dias;
  • a divisão do dia em 24 horas;
  • a crença nos horóscopos e os doze signos do zodíaco;
  • o habito de fazer o plantio de acordo com as fases da lua;
  • o círculo de 360 graus;
  • o processo aritmético das operações matemáticas: multiplicação, divisão, soma e subtração, além de raiz quadrada e cúbica.

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Veja também [9]:

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Notas / Referências bibliográficas:

  • [1]  Mesopotâmia. Mapa disponível em: <https://xchegraffitix.files.wordpress.com/2015/06/0-mapa-de-mesopotamia.jpg>. Acesso em 20/10/2015.
  • [2]  PILETTI, Nelson & Claudino. História: EJA (Educação de Jovens e Adultos). 3º Ciclo. (Texto adaptado). São Paulo: Ática, 2003, p. 35 a 38.
  • [3]  Escrita Cuneiforme. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=iXeEJYJ-oLw>. Acesso em 20/10/2015.
  • [4]  Escrita Cuneiforme. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita_cuneiforme>. Acesso em 20/10/2015.
  • [5]  Mesopotâmia. Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/ef2/mesopotamia/p2.php>. Acesso em 20/10/2015. 
  • [6]   Imagem disponível em: <http://www.nucleomilitarblog.com/2011/10/imagem-do-dia_26.html>. Acesso em 20/10/2015.
  • [7]  Jonas. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jonas>. Acesso em 20/10/2015.
  • [8]  Torre de Babel. Disponível em: <http://www.infoescola.com/civilizacao-da-babilonia/torre-de-babel>. Acesso em 20/10/2015.
  • [9]  MESOPOTÂMIA. Víedeo disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jcFDuBByTXU>. Acesso em 09/11/2016.

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8 respostas a Mesopotâmia: região entre os rios

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