Renascimento comercial e urbano

Entre os séculos V e X, na chamada Alta Idade Média, a Europa ocidental viveu um sistema econômico essencialmente agrário (rural) chamado feudalismo. Mas essa realidade começa a mudar a partir daí.

Entre os séculos XI e XV, na chamada Baixa Idade Média, a Europa Ocidental passou por grandes transformações políticas e sociais que ficaram conhecidas, sobretudo, pelo que se convencionou designar de Renascimento Comercial e Urbano, impulso das atividades comerciais, artesãs e financeiras que se desenvolveram nos arredores dos burgos (cidades).

O aumento populacional, o desenvolvimento da agricultura e a intensificação e organização das trocas comerciais estavam na base dessas mudanças, que também exerceram grande influência nas novas organizações espaciais e no modo de vida das pessoas.

Alguns novos núcleos urbanos surgiram em torno das antigas vilas medievais ou cidades romanas. Outros se desenvolveram de forma gradual e sem planejamento em pontos “estratégicos”, como cruzamento  de rotas comerciais, entrocamento de rios ou em trechos em que estes deixassem de ser navegáveis, ou ainda, próximos a abadias e castelos que lhes pudessem oferecer proteção contra possíveis assaltantes. Esta foto, acima, é um exemplo do burgo de Carcassonne (França). Na foto, exemplo de um burgo com o seu inchaço urbano doa séculos seguintes. (VICENTINO: 2012. p, 79 – texto e imagem adaptados.

Fatores que contribuíram para o Renascimento Comercial e Urbano:

  • Desenvolvimento de novas técnicas agrícolas: moinho d’água, moinho de vento, arado de ferro etc.
  • Expansão das terras cultiváveis e produção de excedentes.
  • Maior circulação de moedas.
  • Exigência de menor número de pessoas nos campos, em consequência das novas tecnologias.
  • Fuga dos “desocupados” dos campos para as cidades e o consequente refúgio destes em torno dos castelos, provocando um grande aumento populacional.
  • Expansão dos núcleos urbanos (séculos XII e XIII).
  • Surgimento de novas atividades (profissões) urbanas: sapateiros, alfaiates, ourives, marceneiros, construtores, tintureiros etc.
  • As Cruzadas: expedições militares formadas por católicos com o objetivo de libertar as terras santas (Jerusalém e arredores), das mãos dos turcos e muçulmanos; apesar de não surtirem o objetivo esperado, as Cruzadas serviram para restabelecer as relações entre o Ocidente e o Oriente; houve a abertura do mar Mediterrâneo aos mercadores da Europa Ocidental; europeus passaram a conhecer novos produtos trazidos do Oriente, como gengibre, pimenta, canela, cravo-da-índia, óleo de arroz, açúcar, figos, tâmaras e amêndoas, tapetes, espelhos de vidro, madeiras, sal, perfumes.
  • Rotas de Comércio, Feiras e Burgos: “… foram um elemento essencial do Renascimento Comercial, pois por elas fluía a vida mercantil da época. As principais eram as do Mediterrâneo, a do Mar do Norte e de Champagne. A Feiras eram locais de encontros para realização de trocas comerciais, em eventos sazonais com a proteção do senhor Feudal, em troca de impostos sobre os produtos. Muitos locais onde se organizavam as feiras deram origem a Burgos – núcleos urbanos com intensa vida comercial e ativa produção artesanal. Aqui surge também as Casas de Câmbio, devido a grande variedade de moedas em circulação.”

Glossário:

  • Burgo: zona urbana e fortificada, cercada de muralhas, onde, normalmente localizavam-se a catedral, a moradia do bispo e, por vezes, o castelo do senhor das terras. O surgimento da Burguesia:

“uma vez que a produção do feudo se tornou insuficiente para sustentar todos os seus habitantes, muitos deles começaram a sair – vilões (que saiam livremente) e servos(que fugiam ou eram expulsos pelos senhores). Dentre esses alguns iam para as Cruzadas, outros roubavam, iam em caravanas, e houve aqueles que se dedicaram ao comércio ambulante, em feiras e nos Burgos”.

  • Corporações de ofício ou Guildas: eram associações formadas segundo o ofício exercido (alfaiates, sapateiros, tecelões, vinagreiros, ferreiros etc), cuja finalidade era organizar profissionalmente, controlar a produção e evitar a concorrência.
  • Espaço de liberdade: na época, com o desenvolvimento técnico na agricultura, a produção agrícola demandava um número menor de pessoas, permitindo que parte da população rural se dirigisse para as cidades. Daí, os centros urbanos serem considerados um espaço de liberdade, como dizia um provérbio alemão da época: “o ar da cidade dá liberdade”. O camponês, depois de morar certo tempo na cidade, tornava-se homem livre.
  • Hansas (associações, em alemão): cidades mercantis/associações de mercadores que controlavam trechos e localidades de comércio.
  • Liga Hanseática: liga que reunia diversas hansas (cidades mercantis) do norte da Europa e controlava as comunicações do Norte e Báltico.
  • Feira: evento em um local público em que as pessoas, em dias e épocas predeterminados, expõem e vendem mercadorias. Pode ser, ainda, uma exposição (comercial, industrial, cultural, tecnológica ou recreativa) ou um parque de diversões.

Na Baixa Idade Média, as feiras: tinham duração variadas, de alguns dias a semanas; expunham produtos oriundos de diferentes partes da Europa, da África e da Ásia; propiciavam a circulação monetária – dinheiro – (câmbio de moedas provenientes de diferentes lugares); dão origem aos bancos e ao empréstimo de dinheiro a juros. O valor da moeda dependia da pureza do metal com que era feita e também do seu peso. Eram emitidas pelos reis ou pelas cidades por autorização real. Quando se chegava a outra cidade onde a moeda era diferente era necessário fazer o câmbio. Os cambistas, como no exemplo da foto, encarregados de fazer o câmbio, passaram a exercer o papel de banqueiros. O desenvolvimento das casas bancárias acompanhou o desenvolvimento da prática comercial. Muitas vezes, o próprio mercador, precisando de dinheiro para viajar e comprar mercadorias, pedia empréstimos e, desse modo, incrementou o estabelecimento de casas bancárias.

Universidades: A partir do século XII, com a expansão das atividades comerciais e o crescimento das cidades, os comerciantes sentiram necessidade de saber ler, escrever e contar. Para atender a essa necessidade, começaram a se organizar escolas. Com isso, as universidades, multiplicaram-se pela Europa: Bolonha (1158), Paris (1200), Cambridge (1209), Pádua (1222), Nápoles (1224), Toulouse (1229). Nas universidades, os professores e alunos dedicavam-se a diversas áreas do conhecimento, como artes, gramática, matemática, retórica, direito, medicina, teologia. O ensino era dado em latim.

Acompanhe o vídeo a seguir:


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Fontes:

  • CADERNO do Professor. História, Ensino Médio – 1ª Série, vol. 4. São Paulo: SEE, 2009.
  • CARVALHO, Leandro. “Surgimento da burguesia”. Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiag/surgimento-burguesia.htm>. Acesso em 09 de novembro de 2015.
  • RUMO à época moderna – História – Ensino Médio – Telecurso. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=DYoY1_aj1X4>. Acesso em 09/11/2015.
  • UNIVERSIDADES. Disponível em: <histórihttp://www.pedagogia.com.br/historia/medieval3.php>. Acesso em 09/11/2015.
  • VICENTINO. Cláudio. Projeto Radix: História, 7º ano. São Paulo: Scipione: 2012, p. 79 (adaptado).
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